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Triatleta Henrique Siqueira atesta: não há pôr do sol igual ao daqui

Da Ermida Dom Bosco, ele sempre assiste ao espetáculo da natureza

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postado em 21/04/2014 07:00

Jéssica Raphaela

Daniel Ferreira/CB/D.A Press


Os domingos são sagrados para Henrique Siqueira. Em um ritual quase religioso, ele sobe o mirante da Ermida Dom Bosco e contempla o pôr do sol. É um dos poucos momentos em que o triatleta alcança velocidade zero e troca o esporte por outra paixão: o céu. É ali, no local que homenageia o profeta que sonhou com Brasília antes mesmo de a cidade existir, que Henrique aprecia o “pôr do sol mais bonito” que já viu. A afirmação até soa suspeita para um brasiliense apaixonado pela terra natal, mas, segundo ele, não há um triatleta capaz de discordar daquele argumento visual.

O momento no qual o sol se oculta no horizonte, e colore o céu, faz Henrique agradecer as vitórias e refletir sobre as derrotas. Enquanto os tons se alternam entre dourado e rosa, o campeão do Troféu Brasil de Triathlon respira fundo. “É meu momento de agradecer à vida. Vejo o sol descer e reflito o andamento dos meus dias. É revigorante”, comenta, enquanto a Ermida toma tons diferentes.

Se a despedida do sol é o momento de reflexão e sossego, a chegada representa a hora de se movimentar. A alvorada inspira o triatleta a ter mais disposição, como se o sol iluminasse os quilômetros a serem rodados durante o dia. A rotina começa cedo, geralmente no Anfiteatro Natural do Lago Sul, conhecido como Morrote, antes mesmo do amanhecer. “Acordo e ainda está tudo escuro. Dá um sono, uma vontade de voltar para a cama. Mas, quando saio para a rua e vejo aquele céu, ganho uma energia instantânea”, relata.

Aos 29 anos, Henrique Siqueira se firma como um dos mais fortes nomes da modalidade no país. Ele era nadador quando decidiu fazer uma prova de duatlo (corrida e ciclismo) “só de brincadeira”. O resultado conquistado sem a menor técnica — usou uma mountain bike pesada com o pneu murcho para uma prova de estrada — animou o jovem a experimentar o triatlo. “É um esporte desgastante, porque exige desempenho em três modalidades, mas também é apaixonante"”, argumenta.

De olho na natureza
Enquanto se recupera, o professor de educação física treina 40 alunos focados em alto rendimento. Em alguns treinos, faz todos pararem para observar a natureza. “Tem horas que não dá para ignorar. Treinamos ao ar livre e o céu sempre surpreende. Às vezes, paro a aula e comento. De repente, está todo mundo fora da piscina olhando para cima”, ri.

O hábito de observar o céu ao longo do dia já fez Henrique presenciar belas cenas. Uma a qual não esquece foi durante uma corrida de bike, de madrugada, em Lima, no Peru. “Pedalamos na beira da praia sob a luz da Lua. Era madrugada, mas estava bem claro. Até hoje, foi o único céu que considerei tão bonito quanto o de Brasília.” O vislumbre ocorreu enquanto pedalava rapidamente, focado no treino. “Depois, fui comentar com os colegas, que não tinham observado. Só eu notei”, lamenta.

Por sorte, o triatleta tem com quem compartilhar o fascínio. Com a triatleta Diana Martincowski, de 28 anos, ele contempla o céu de Brasília há nove anos. Nascida no interior paulista, Diana conheceu Henrique durante uma prova e logo começaram a namorar. Em 2006, adotou a capital como lar. “Na primeira semana, já me apaixonei”.

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