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Catadores de lixo revelam uma visão diferente do horizonte da capital

Nas pilhas de resíduos sólidos e orgânicos se escondem, humildes e sensíveis, catadores de latas, garrafas, papelão. Como enxergam o horizonte essas pessoas?

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postado em 21/04/2014 07:00

Daniel Ferreira/CB/D.A Press


O céu estava com nuvens, algumas carregadas, e o Lixão da Estrutural, a apenas 15km da Esplanada dos Ministérios e reconhecidamente o maior depósito de lixo da América Latina, mantinha seu dia a dia árduo, de funcionários terceirizados, seguranças e catadores de lixo.  É mais um dia de rotina que põe a comida na mesa e paga as contas no final do mês de muitas pessoas.

Lá se vê, no fim da tarde, algumas famílias voltando para casa -- e é inevitável perceber o contraste entre o céu e as montanhas -- montanhas de lixo, claro.

Além da paisagem atípica de todo o resto de Brasília, o cheiro impregnado no ar marca também presença e acompanha diariamente cada um dos três mil catadores. Quando se conhece um lixão a céu aberto, todos os sentidos ficam aguçados.

Entre as dezenas de catadores que ainda trabalhavam ao entardecer, Antônio Alves de Souza, 34 anos, “proseia”, como ele mesmo definiu a entrevista, com a equipe do Correio e conta como e o porquê de 11 anos viver às custas do Lixão, no meio do bairro homônimo de renda familiar de R$ 1,3 mil.

Baiano, com o tom de  voz baixo, saiu do estado natal com apenas 14 anos, sozinho, Antônio hoje tem seis filhos. E confessa a paixão pelo céu da cidade. Começa dizendo que “nem tem palavras” para defini-lo, mas é taxativo quanto à junção do céu, de “nuvens fininhas”, e o lugar onde ganha a vida: “Eu acho que o lixão deixa mais feio (o céu), tem esse tanto de urubus”.

Antônio também acha que o lugar polui a cidade. “Fica sem ar puro. É muito ruim ele ficar no meio da cidade. Tinha que ficar bem longe”, avalia.

Antônio, que já trabalhou na construção civil, comenta que, para ele, o lugar mais bonito da cidade é o Lago Sul (bairro com renda familiar de R$ 19 mil). “Lá só dava pra eu morar se fosse de caseiro, porque lá só mora gente rica” comenta, em meio a risadas.

Quando perguntado sobre o seu maior sonho, confessa: voltar para a sua terra e levar consigo a família que construiu em Brasília. “Quero voltar pra lá, juntar meus filhos com o povo de lá”.



70 mil
toneladas de lixo por mês é a quantidade de lixo produzido no DF



174
hectares, o equivalente a 243 campos de futebol, é a área do Lixão

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