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Correio Braziliense

Hipótese de latrocínio está descartada em assassinato de estudante da UnB

Pertences da vítima não foram levados como havia sido indicado anteriormente. O crime é tratado como homicídio e o suspeito não foi identificado


postado em 16/01/2019 14:58 / atualizado em 16/01/2019 17:53

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

A Polícia Civil descarta a possibilidade de latrocínio na morte do estudante Milton Junio Rodrigues de Souza, 19 anos. O jovem levou uma facada no peito de uma pessoa em situação de rua, na madrugada de terça-feira (15/1), na Rodoviária do Plano Piloto. A corporação coletou imagens de câmeras de segurança do local para auxiliar nas investigações. A 5ª Delegacia de Polícia (Área Central) trata o caso, agora, como homicídio.

 

A reportagem apurou que o suspeito de esfaquear Junio não levou a carteira e o celular. De acordo com amigos da vítima, o aparelho eletrônico foi encontrado posteriormente, embaixo do corpo do estudante de ciência política da Universidade de Brasília (UnB). Inicialmente, o caso foi tratado como latrocínio, pois acreditava-se que os criminosos teriam levado os pertences. 

 

Com a hipótese descartada, investigadores apuram as circustâncias do assassinato. A polícia não afasta nenhuma motivação para o crime, inclusive homofobia. Entretanto, ainda não há indícios que comprovem essa possibilidade. 

 

Agentes tentam identificar o acusado de dar a facada no jovem e o amigo dele. Testemunhas afirmaram à reportagem do Correio que o suspeito mora na Rodoviária e é conhecido como Galego. No entanto, o delegado-chefe Gleyson Gomes Mascarenhas não confirmou a informação. “Se cogitou que seria um morador de rua com um apelido mencionado, mas não chegamos à autoria”, garantiu.

 

corpo de Milton Junio será velado até as 16h30, na Capela 1 do Cemitério do Gama. Familiares e amigos estão no local, completamente abalados com a morte abrupta de um jovem cheio de sonhos e vida. “Tiraram meu menino. Ele não vai mais sorrir para mim”, disse a manicure Vera Lúcia de Jesus Rodrigues Souza, 40, mãe de Junio. Ela chegou da Bahia na madrugada desta quarta-feira (16/1) para a cemimônia fúnebre. 

Crime e repercussão 

Junio chegou à Rodoviária na madrugada de terça-feira (15), após sair da festa "Baile Funk de Segunda", no bar Outro Calaf, no Setor Bancário Sul. Por volta das 3h30, Junio e amigos teriam se envolvido em uma discussão com um homem em situação de rua.

 

"Nos sentamos na escada da Rodoviária, quando chegou um mendigo e tomou o isqueiro da gente. Só que ficamos de boa, não íamos discutir. Aí ele começou a mexer com a gente. Nós nos afastamos, e ele continuou", contou o amigo Ícaro Carlos.

 

"Chegou um amigo dele, perguntando se estávamos incomodando, e o cara disse que sim. Aí saímos de perto, eu fui com o Junio ao banheiro e outro amigo ficou perto das mulheres que trabalham lá, porque disse que se sentia mais seguro. Depois, o cara nos seguiu com uma faca e golpeou o Junio. Eles fugiram. Junio caiu nos meus braços”, relembrou.

 

Milton chegou a ser socorrido por militares do Corpo de Bombeiros, que tentaram reanimar o jovem por 40 minutos, mas ele não resistiu. O assassinato de Junio causou repercussão nas redes sociais. Na tarde de terça-feira (15), a cantora e ícone LGBT+ Pabllo Vittar se manifestou em uma postagem no Instagram: "Um dos vittarlovers mais fofos foi morar no céu."

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