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Correio Braziliense

Oito pontos que marcam bem a diferença entre Trump e Obama

Barack Obama vai entregar o cargo a Donald Trump em 20 de janeiro. Veja as principais diferenças entre o atual e o próximo presidente dos Estados Unidos


postado em 11/01/2017 13:55 / atualizado em 11/01/2017 17:55

Obama se despede da presidência dos Estados Unidos e Trump assume em 20 de janeiro(foto: AFP)
Obama se despede da presidência dos Estados Unidos e Trump assume em 20 de janeiro (foto: AFP)


Chegou a hora da despedida para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Na noite desta terça-feira (10/1), ele fez um longo discurso de despedida, a poucos dias de dar lugar ao presidente eleito, Donald Trump, que assume em 20 de janeiro. O cargo mais importante do mundo mudará radicalmente de dono. 

O primeiro presidente negro dos Estados Unidos adotou uma postura muito mais progressista do que diz o discurso de Trump: ressaltou a união homoafetivaabriu as portas para Cubatirou as tropas do Iraque, criou um sistema de saúde para os mais pobres, assinou o acordo de Paris. O próximo presidente tem uma opinião polêmica sobre as mudanças climáticas, promete ser radical com os imigrantes, defende protecionismo na economia e critica duramente a postura da presidência dos Estados Unidos diante dos problemas no Oriente Médio

Obama teve problemas no enfrentamento ao Estado Islâmico, sofreu derrotas no congresso ao defender o desarmamento, encarou a pior crise econômica desde 1929 e viu desigualdades econômicas e raciais serem destacadas. Na transição entre o "Yes, we can" (Sim, nós podemos), passando pelo "Yes, we did" (sim, nós fizemos) – slogans da campanha do democrata – e chegando ao "Make America great again" (Faça a América grande novamente), mote de Trump, veja oito pontos que marcam bem a diferença de estilo do atual e do próximo morador da Casa Branca.  

1. Relacionamento com a imprensa

O presidente eleito Donald Trump convocou a primeira coletiva de imprensa em quase seis meses para esta quarta-feira (11/1), mas isso não significa que ele esteja fora dos holofotes. Ele tem uma maneira muito particular de lidar com as polêmicas com as quais se envolve: xinga muito no Twitter. Os posts acabam estampando as páginas dos jornais. Ele tem o hábito de tratar os jornalistas com rispidez, repudiar os grandes veículos e chegou a se envolver em polêmicas com um repórter com deficiência. 



Obama não tem o melhor dos relacionamentos com a imprensa, mas sabe direcionar o carisma à população. Já foi acusado de escolher a dedo a distribuição dos "furos jornalísticos", fez duras críticas aos meios de comunicação por "espalhar negatividade", criou regras rígidas para os repórteres que trabalham na Casa Branca. Todavia, o presidente dos Estados Unidos inovou ao incluir sites independentes na agenda de entrevistas e ao participar de programas de humor na TV norte-americana. 


2. Redes sociais

O eleitor mais jovem foi o foco da primeira campanha de Obama, em 2008. Por isso, foi fundamental o uso da rede social mais popular à época: o Twitter. Ele respondeu eleitores, criou uma imagem de candidato "pop" e, como deu certo, continuou investindo na tecnologia para se aproximar da população. Sempre com uma agenda positiva, ele levou a Casa Branca a embarcar em todas as novidades: Spotify, Snapchat, Youtube, Facebook, Twitter, Google +, Foursquare, Flickr. Todas as contas já estão em processo de transição para a chegada de Trump.

Donald Trump também investiu nas redes sociais para a campanha presidencial: conquistou um eleitorado que, potencialmente, sequer compareceria às urnas. Sem o apoio da grande mídia norte-americana, ele garantiu o lugar na cadeira presidencial graças à comoção provocada na internet. Há quem defenda que ele encerre a conta no Twitter. Mas a expectativa é que ele continue usando a internet para responder às polêmicas que devem continuar se multiplicando. O histórico como apresentador de tevê pode prometer performances profissionais no YouTube. 

3. Terrorismo

O combate ao terrorismo foi um dos principais tópicos do discurso de despedida de Obama. Aclamado na missão de desmantelar a Al Qaeda, com a morte de Osama Bin Laden, ele também focou na retirada gradual das tropas norte-americanas do Afeganistão e do Iraque, entre 2009 e 2011. O modo como Obama lidou com a saída dos militares foi motivo para Donald Trump atacar Hillary Clinton na campanha presidencial de 2016. O republicano afirma que Obama e Hillary (secretária de Estado na época) foram "cofundadores do Estado Islâmico". O grupo ocupou territórios em solo iraquiano e sírio. 
 

4. Imigração

Um dos temas que causou polêmica durante a campanha de Trump foi a posição sobre os imigrantes que entram nos Estados Unidos. O marco da radicalidade do republicano sobre o assunto foi a promessa de construir um muro na fronteira com o México, obrigando os vizinhos a pagarem pela obra sob ameaças de retaliação. Trump prometeu, ainda, expulsar todos os imigrantes ilegais que residem no país - cerca de 11 milhões de pessoas. O presidente eleito acredita que os EUA não devem receber refugiados, propondo, inclusive, a proibição da entrada de qualquer muçulmano no país até que "se descubra o que está acontecendo". 

Já Obama tem uma visão totalmente antagônica à de Trump sobre o assunto. O democrata defende que os imigrantes ilegais que hoje vivem no país obtenham a cidadania americana. O atual presidente alega que a imigração é uma tradição dos Estados Unidos e que o país deve acolher os que o buscam. O encontro entre os dois na Casa Branca, pouco depois do pleito americano, fez com que Trump abaixasse o tom radical sobre o assunto.

5. Política internacional

Um dos maiores legados que Obama deixa na Casa Branca é a relação dos Estados Unidos com várias potências do mundo. O democrata também buscou resgatar a aproximação com governos que eram afastados dos EUA. A visita do presidente a Havana, em março de 2016, é o mais forte exemplo de sua visão sobre a importância de manter uma relação sólidacom as demais nações do mundo. Porém, esse legado pode ser colocado em risco pelo governo Trump. Durante sua campanha à presidência, ele criticou que os "amigos" dos EUA estão dependentes demais do país e que os rivais não mais os respeitam nem se sentem ameaçados.
  

Obama em Cuba: aproximação ameaçada(foto: AFP / NICHOLAS KAMM)
Obama em Cuba: aproximação ameaçada (foto: AFP / NICHOLAS KAMM)


A visão de Trump sobre como o país deve se relacionar com aliados se baseia em uma premissa: os interesses dos Estados Unidos estão sempre em primeiro lugar. O republicano alegou que os EUA cobrará gratidão dos países que obterem ajuda americana. Um dos maiores temores de sua chegada à Casa Branca é que acordos costurados durante o período de Obama sejam interrompidos. Um deles seria a negociação firmada entre os EUA e outras cinco potências sobre o programa nuclear iraniano, em que ficou garantida a natureza estritamente pacífica do programa em troca do levantamento das sanções internacionais contra o Irã. Trump prometeu também, durante a corrida presidencial, ampliar o arsenal nuclear americano. O republicano discursou afirmando que não vai mais ceder o "país ou seu povo à falsa cantiga da globalização".

6. Biografia

Empresário, Donald Trump nasceu no bairro Queens, no estado de Nova York, em 1946. Aos 70 anos, será o presidente eleito mais velho dos Estados Unidos. Antes de enveredar para a política, foi apresentador de tevê e ficou famoso mundialmente pelo reality "O aprendiz", de onde herdou o bordão "Você está demitido". Formado em economia na Universidade da Pensilvânia, ele herdou do pai o controle de uma empresa de imóveis que deu origem à "The Trump Organization". É ela a responsável por diversos hotéis, prédios de escritórios, cassinos e outros empreendimentos. Ele tentou receber a nomeação presidencial em 2000, mas desistiu e iniciou a carreira política em 2015.

Filho de queniano com norte-americana, Barack Obama nasceu em Honolulu, no Havaí, em 1961. Formou-se em ciência política na Universidade de Columbia e em direito na famosa Universidade de Harvard. Foi professor de direito constitucional em Chicago e, antes de se candidatar à presidência dos Estados Unidos, foi membro do Senado e, depois, senador, pelo estado de Illinois. Nove meses depois da posse como presidente, em 2009, ganhou o Nobel da Paz.

7. Primeiras damas

Eslovena, Melania Trump, 46 anos, começou a carreira de modelo aos 16. Ela e o presidente eleito dos Estados Unidos se conheceram em um evento de moda em 1999. Em 2000, a futura Mrs Trump posou nua para a famosa revista GQ. Depois, começou a colecionar imagens nas capas das publicações de moda: Vogue, Vanity Fair, Elle. Ela e Trump se casaram em 2005, em uma cerimônia de luxo, com direito a vestido de US$ 200 mil. Durante a campanha do marido, envolveu-se em uma polêmica de plágio ao discurso de Michelle

Diferenças entre Melania Trump e Michelle Obama refletem a mudança radical na presidência dos Estados Unidos(foto: AFP)
Diferenças entre Melania Trump e Michelle Obama refletem a mudança radical na presidência dos Estados Unidos (foto: AFP)


Michelle Obama é uma das primeiras damas mais populares que já passaram pelo posto. Advogada e escritora, foi a primeira negra casada com um presidente dos Estados Unidos, com quem tem duas filhas. Após ocupar o cargo, ela se tornou um ícone de moda e está entre as pessoas mais influentes do mundo. Como primeira dama, ela se dedicou ao trabalho social: apoiou famílias de militares, visitou abrigos de desalojados, defendeu os direitos das mulheres.

8. Nos Simpsons

A primeira menção de Obama nos Simpsons foi em forma de apoio, com Homer tentando votar no democrata. Porém, a urna eletrônica não deixa e registra os votos para o republicano John McCain. "É hora de mudar", diz o patriarca da família, em referência ao bordão de Obama. Em 2012, Homer novamente vai às urnas. Junto à urna, Homer reflete sobre os prós e contras de cada candidato. "Barack Obama...não sei. Já tenho uma mulher para dizer que tenho de comer coisas saudáveis", analisa. Por fim, ele acaba votando no republicano Mitt Romney por um motivo simples: "Ele inventou o Obamacare". A primeira-dama também aparece no desenho, na escola de Springfield, para um discurso sobre a importância dos estudos, dando apoio à Lisa Simpson.

Obama e Trump já apareceram em episódios de 'Os Simpsons': abordagens diferentes(foto: Reprodução)
Obama e Trump já apareceram em episódios de 'Os Simpsons': abordagens diferentes (foto: Reprodução)


Donald Trump aparece de forma bem mais emblemática no desenho. Um episódio exibido em 2000 ficou famoso por prever que o magnata seria candidato à presidência. Nele, Lisa Simpson assume o país após o mandato de Trump. "Como vocês sabem, nós herdamos uma grande crise orçamentária do presidente Trump", diz Lisa a seus funcionário. A personagem ainda afirma que "o país estava quebrado". Em um episódio de 2015, Trump aparece novamente como candidato, e Homer acaba revelando que recebeu dinheiro para apoiá-lo. Após ser eleito, Trump foi citado em outros clipes da série.

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