O recente relato sobre um suposto objeto voador não identificado (OVNI) em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, trouxe à tona uma dúvida comum: como o Brasil monitora seu céu? A vigilância do espaço aéreo é uma tarefa complexa, executada 24 horas por dia pela Força Aérea Brasileira (FAB) para garantir a segurança e a soberania nacional.
A responsabilidade recai sobre o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), que opera o Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB). Essa estrutura integra equipamentos e equipes para detectar, identificar e acompanhar qualquer aeronave que sobrevoe o território, cobrindo uma área de 22 milhões de quilômetros quadrados.
A tecnologia por trás da vigilância
A base do sistema é uma extensa rede de radares. Existem os radares primários, que detectam a presença de qualquer objeto no céu ao refletir ondas de rádio, e os secundários, que recebem informações enviadas por um equipamento a bordo das aeronaves chamado transponder. Juntos, eles fornecem a localização, altitude e velocidade dos voos.
Esses dados são enviados em tempo real para quatro centros de controle principais, conhecidos como Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA). Eles estão localizados estrategicamente para cobrir todo o país:
- CINDACTA I: Brasília (DF)
- CINDACTA II: Curitiba (PR)
- CINDACTA III: Recife (PE)
- CINDACTA IV: Manaus (AM)
Nesses locais, controladores de tráfego aéreo e militares da defesa aeroespacial trabalham lado a lado. Em áreas remotas, como a Amazônia, a vigilância é reforçada por aviões-radar, como o Embraer E-99, capazes de monitorar vastas regiões de baixa altitude onde o alcance dos radares de solo é limitado.
Quando um tráfego desconhecido é detectado, a FAB inicia um protocolo para identificá-lo. Se a aeronave não responde às tentativas de comunicação ou é considerada uma ameaça, caças de interceptação são acionados para uma abordagem visual. Essa operação de defesa garante que apenas voos autorizados e identificados circulem pelo espaço aéreo brasileiro.









