
Um vídeo de integrantes do grupo Legendários reunidos para a escalada de uma montanha gerou discussões nas redes sociais. Nas imagens, diversos homens aparecem com uniformes laranjas, bonés e mochilas organizados em grupo antes do início do percurso e entoando gritos de ordem. Não há informações confirmadas sobre o local nem sobre a data exata da gravação.
No registro, os participantes entoam palavras de ordem. Em coro, gritam frases como “Homens inquebrantáveis”, “Para fazer história” e “A serviço de quem? Jesus”, encerrando com repetidos “Ahu”, gritos que são como lema para o grupo.
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O Legendários se apresenta como um movimento formado por voluntários e líderes comunitários que promove experiências voltadas exclusivamente para homens. Segundo o próprio grupo, as atividades combinam desafios físicos em ambientes naturais com propostas de desenvolvimento pessoal, disciplina, cooperação e superação. A organização afirma que o objetivo é fortalecer emocionalmente os participantes e estimular valores como liderança, responsabilidade e trabalho em equipe.
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De acordo com a descrição institucional, o foco apenas no público masculino se deve à crença de que a transformação do homem gera impacto direto nas famílias e na sociedade. O movimento também afirma ter surgido a partir de uma insatisfação com o que considera uma postura passiva de homens cristãos dentro das igrejas, defendendo a retomada de papéis que, segundo o grupo, seriam atribuídos aos homens a partir da leitura bíblica.
A repercussão do vídeo foi intensa e marcada por manifestações tanto de apoio quanto de crítica. “Conheço um que ‘não era gente’ e hoje dá um de homem íntegro e participa disso aí. Homem de Deus”, escreveu uma internauta.
“Não participaria, mas porque eles não podem fazer isso? Não seria liberdade de escolher o que querem fazer?”, questionou um perfil. “Que bom que eles estão procurando ser melhor, ter um experiência com Deus, já pensou se estivesse em rede social tendo que ridicularizar a fé alheia? Respeito é bom e todos gostam”, disse um terceiro.
Entre as críticas, internautas demonstraram preocupação com o discurso adotado pelo grupo, classificando-o como conservador e potencialmente perigoso. “Essa organização conservadora cristã ganha força prometendo resolver as ameaças à masculinidade frágil. Já está perigoso, vai ficar pior”, comentou um usuário. Houve ainda quem ironizasse a proposta: “Ler a Bíblia e seguir o que está escrito sempre foi de graça”.
Outros comentários expressaram desconforto e temor diante das imagens. “Gente, eu tô muito assustada”, escreveu uma usuária. Também surgiram críticas ao modelo de masculinidade defendido pelo movimento. “Imagina ser casada com uma bênção dessas e ficar em casa cuidando dos filhos enquanto teu marido sobe uma montanha pra se sentir ‘homem de verdade’”, afirmou outra internauta.

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