
Conhecido por atuar na reestruturação de companhias em crise, Nelson Tanure se tornou alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (14/1). A ação investiga um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, instituição liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central no fim de 2025, e apura crimes como gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
Nelson Tanure é um dos nomes mais conhecidos do empresariado brasileiro, especialmente no mercado financeiro e em operações de aquisição de empresas em dificuldades. Com atuação há décadas em setores estratégicos da economia, Tanure construiu sua reputação como investidor especializado em negócios considerados “falidos”, assumindo participações relevantes para reestruturar companhias com problemas financeiros ou societários.
Ao longo da carreira, esteve envolvido em empresas dos setores de energia, petróleo e gás, telecomunicações, construção civil, saúde, logística e mercado financeiro, participando de negociações complexas e disputas societárias de grande porte. Sua atuação costuma ocorrer por meio de fundos de investimento e veículos empresariais.
O empresário investe atualmente em pelo menos 11 companhias, segundo informações em suas redes sociais. Entre elas, constam a Light, responsável pela energia elétrica no Rio de Janeiro, a incorporadora e construtora Gafisa, a EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), dentre outras empresas. Tanure também detém ações do GPA (Grupo Pão de Açúcar).
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Tanure passou a ser investigado por suspeitas de envolvimento em operações financeiras relacionadas a fundos e estruturas que teriam mantido vínculo com o Banco Master. Durante a operação, agentes da Polícia Federal apreenderam aparelhos eletrônicos e documentos que pertencem ao empresário. Ele não foi preso, mas teve bens bloqueados e passou a figurar formalmente entre os investigados.
Operação
Tanure foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada para investigar um suposto esquema de irregularidades financeiras relacionadas ao Banco Master, instituição que teve suas atividades encerradas após intervenção do Banco Central.
Segundo informações da PF, as autoridades cumpriram 42 mandados de busca e apreensão, além de adotarem medidas de bloqueio de bens que somam mais de R$ 5,7 bilhões. As diligências ocorreram em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, em endereços ligados a investigados no caso.
Entre os alvos estão parentes próximos ao presidente do Master, Daniel Vorcaro, como o pai, a irmã e o cunhado Fabiano Campos Zettel, detido nesta fase da operação, na manhã desta quarta-feira (14/1). Zattel foi preso temporariamente no aeroporto de São Paulo, antes de embarcar para Dubai. Outro executivo alvo da PF é João Carlos Mansur.
Histórico de controvérsias
Esta não é a primeira vez que Nelson Tanure se vê envolvido em disputas judiciais ou investigações. Ao longo dos anos, sua atuação em grandes companhias frequentemente gerou embates com acionistas minoritários, credores e órgãos reguladores. Em outras ocasiões, o nome dele já havia sido citado em apurações relacionadas ao mercado de capitais.
No caso do Banco Master, investigadores avaliam se Tanure teria exercido influência direta ou indireta sobre decisões estratégicas da instituição, mesmo sem figurar oficialmente como controlador, hipótese que ainda está sendo apurada.
O empresário, alvo da operação Compliance Zero, estudou na Harvard Business School em 2015, onde participou do OPM (Owner/President Management Program, na sigla em inglês), programa de educação executiva.
Formado em Administração de Empresas, pela Universidade Federal da Bahia, ele estudou por dois anos no Institut des Hautes Etudes de Développement Economique et Social (Université de Paris I), entre 1975 e 1976.
Tanure começou a trabalhar aos 16 anos, porém nunca teve emprego público ou privado. Em suas redes sociais, o empresário diz que não tirou a Carteira de Trabalho e Previdência Social.
O Correio não localizou a defesa de Nelson Tanure.
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