Ao comentar os dados mais recentes sobre violência contra travestis e pessoas transexuais divulgado na última segunda-feira (26/1) pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), Bruna Benevides, presidente da organização, afirmou ao Correio que a aparente redução no número de homicídios não pode ser interpretada como avanço na proteção dessa população. Segundo ela, o cenário reflete subnotificação, apagamento institucional e menor visibilidade midiática, e não a diminuição da violência.
De acordo com Benevides, a queda nos registros de assassinatos não indica mais segurança. “Sem políticas públicas estruturadas, dados oficiais e prevenção, não há como afirmar que há mais proteção. O que há é mais silêncio”, disse. Ela destacou que, no caso de pessoas trans, menos casos registrados não representam menos violência.
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O Brasil permanece, há quase 18 anos, no topo do ranking de países que mais matam pessoas trans. Para ela, a violência é estrutural e sustentada por fatores como racismo, desigualdade social, transfobia institucional e ausência de responsabilização do Estado. “Enquanto a vida trans for tratada como descartável, o país continuará liderando esse ranking”, afirmou.
Outro ponto destacado no dossiê é o aumento das tentativas de assassinato. Segundo ela, esse dado demonstra que a violência segue ativa e brutal, com ataques que mantêm a intenção de matar, mesmo quando não resultam em óbito. Para a entidade, isso reforça que a redução no número de mortes não significa diminuição do risco ou da crueldade.
A falta de políticas públicas é um fator central para a vulnerabilidade dessa população. A presidente citou a ausência de ações voltadas à inclusão no mercado de trabalho, permanência escolar, acesso à saúde integral, moradia, proteção social e segurança pública com formação adequada. “Sem garantir direitos básicos, o Estado empurra essas pessoas para contextos de extrema vulnerabilidade”, disse.
Segundo ela, quando o Estado não protege, não registra e não investiga, contribui diretamente para a reprodução da violência extrema, ampliando o isolamento e a exposição das pessoas trans a situações de risco.
Para Bruna Benevides, os números da violência têm um significado humano profundo. “Significam famílias destroçadas, comunidades traumatizadas e vidas interrompidas cedo demais”, afirmou. Ela destacou que os casos que mais a marcam são os de jovens travestis negras assassinadas de forma brutal e rapidamente esquecidas, o que, segundo ela, evidencia que o país não falha por falta de diagnóstico, mas por escolha política.
O dossiê foi divulgado poucos dias antes de 29 de janeiro, data em que se celebra o Dia Nacional da Visibilidade Trans, e reforça que a violência contra travestis e pessoas transexuais segue como um problema estrutural, ainda marcado pela invisibilidade e pela marginalização. Ao reunir dados e análises sobre mortes e tentativas de assassinato, o documento reflete que a população permanece à margem da sociedade.
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