A Esplanada dos Ministérios recebeu, ontem, a 3ª Marsha Trans Brasil, como parte das ações do Dia Nacional da Visibilidade Trans. Presente no evento, a deputada federal Erika Hilton (PSL-SP) afirmou que a mobilização é uma luta por dignidade e direitos em meio a um cenário de violência e exclusão.
"Ainda vivemos em um Brasil que não respeita nem assegura plenamente os direitos e a dignidade das pessoas trans", declarou. Segundo a deputada, o país ainda registra casos brutais de violência. "Como aquele na Bahia, em que uma travesti foi assassinada e o autor do crime levou o corpo até uma delegacia e saiu pela porta da frente", relembrou Erika.
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Ao Correio, Érika reforçou: "Nós marchamos porque queremos viver. Marchamos porque queremos ter direito à vida como qualquer outra pessoa. Não queremos uma cidadania de segunda classe. E sempre que atacarem a nossa dignidade, ocuparemos as ruas para dizer: nós também somos parte da sociedade brasileira. Não há democracia, não há soberania sem a garantia dos direitos da população trans e travesti".
Organizada pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e pelo Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (Ibrat), a terceira edição teve como eixo central o enfrentamento ao genocídio de pessoas trans e travestis e a garantia do direito à vida.
De acordo com Bruna Benevides, presidente da Antra, a Marsha Trans em Brasília integra o calendário nacional de atividades pela visibilidade trans, celebrado no Brasil desde 2004. "Há 22 anos, o movimento ocupa a capital federal sempre no mês de janeiro para apresentar a agenda de reivindicações da população trans e travesti", disse.
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A dirigente destacou, ainda, que o movimento apoia outras pautas de direitos humanos, como a demarcação de terras indígenas, e reforçou que a mobilização busca fortalecer a democracia por meio da inclusão social. "Apesar de contar com apresentações artísticas e um trio elétrico, a marcha tem caráter político. É uma celebração de anos de organização e luta, mas também um espaço para avançar nas conquistas", declarou.
Segundo a organização, a estimativa de público para este ano era de 2 mil e 3 mil pessoas. No entanto, a forte chuva registrada na capital pode ter impactado a participação. "Em edições anteriores, o número de participantes chegou a cerca de 5 mil", afirmou.
Coletividade
A Marsha Trans atraiu participantes de outros estados. A assistente social e ativista Renata Peron, de 49 anos, veio de São Paulo para participar das atividades em Brasília e destacou que a presença nas ruas é uma resposta à ausência de direitos plenamente garantidos. "Enquanto não tivermos nossos direitos reconhecidos — saúde, educação, moradia, emprego e cidadania — estaremos nas ruas", frisou.
Para ela, a marcha tem papel fundamental em todo o país, inclusive diante de setores conservadores da sociedade. "Ela precisa acontecer em Brasília e em todas as capitais do Brasil para mostrar que pessoas trans têm os mesmos direitos que qualquer outra. O que a gente precisa são oportunidades", disse. Renata também defendeu o engajamento de representantes políticos com a pauta trans. "É importante ter políticos comprometidos com essa luta em todas as regiões do Brasil", ressaltou.
Kamilly Santos, 38, também saiu de São Paulo para participar da marcha na capital federal. Esta é a segunda vez que ela vem para o ato. "É muito gratificante sair do meu estado e vir para Brasília trazer essa representatividade das travestis e mulheres trans de São Paulo, mostrar que a gente está aí, que a gente existe e pode estar em todos os lugares", afirmou.
Para ela, realizar a marcha na capital do país tem um peso simbólico importante. "A gente precisa mostrar para todo mundo que existe e que precisa resistir todos os dias para continuar existindo. Estar aqui é emocionante", declarou.
Ela destacou ainda o sentimento de coletividade como o ponto alto do dia. "O melhor é estar aqui do começo ao fim, com essa representatividade tão grande. Já foi assim no ano passado e acho que daqui para frente vai ser ainda maior", concluiu. (MEL)
