FEMINICÍDIO

Itumbiara: novo caso de violência contra a mulher acaba em feminicídio

Um homem matou a ex-mulher a tiros e agrediu a falha da vítima com uma coronhada, antes de tirar a própria vida

Crime aconteceu no bairro Jardim Europa, em Itumbiara, na tarde de sábado (14/2) -  (crédito: Reprodução/Instagram @vidocaofc)
Crime aconteceu no bairro Jardim Europa, em Itumbiara, na tarde de sábado (14/2) - (crédito: Reprodução/Instagram @vidocaofc)

Mais um caso de violência contra a mulher deixou a cidade de Itumbiara (GO) de luto neste sábado (14/2). Um homem matou a ex-mulher a tiros e agrediu a falha da vítima com uma coronhada, antes de tirar a própria vida. O crime, confirmado ao Correio por fonte na Polícia Civil, aconteceu pela tarde no bairro Jardim Europa. 

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Imagens divulgadas nas redes sociais, publicada pelo criador de conteúdo Pedro Oliveira, mostram o momento em que policiais e o carro do Instituto Médico Legal  (IML) interditam a casa da vítima. O autor chegou a ser socorrido pelo Samu, mas não resistiu. Não há informações sobre o estado de saúde da menina, que precisou ser atendida em decorrência do golpe na cabeça. 

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O crime acontece poucas horas após o velório da vítima mais jovem de crime que deixou a cidade de pouco mais de 100 mil habitantes no sul de Goiás em luto. Itumbiara vive a tristeza pela perda dos meninos Miguel Araújo Machado, 12 anos, Benício Araújo Machado, 8 anos, mortos pelo próprio pai, o secretário de Governo de Itumbiara (GO), Thales Machado. O autor do crime também tirou a própria vida. 

O mais novo chegou a ser internado e passou por cirurgia, mas veio a óbito na tarde de sexta-feira (13/2). Miguel morreu no momento do crime, na quarta-feira (12/2). Em uma homenagem no campo de futebol onde as crianças jogavam, amigos soltaram balões brancos e fizeram uma salva de aplausos para Miguel e Benício.

Antes de atirar contra a vida dos dois, Thales havia publicado fotos com os filhos e deixou uma mensagem em que culpa a mulher e mãe dos meninos pelo crime que ele mesmo cometeu. Sarah Tinoco Araújo passou a ser alvo de ofensas nas redes sociais e hostilizada nas ruas da cidade.

Secretária reage: "Quem mata escolheu matar. Não é responsabilidade da mulher"

O caso foi compartilhado pela deputada Silvye Alves (União-GO), relatora do projeto que inclui violência contra os filhos na Lei Maria da Penha. O PL 3880/2024, de autoria da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) estava parado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) desde maio de 2025. Na última quarta, a autora pediu que a proposição tramite em regime de urgência. 

A violência vicária é um dos tipos de violência da mulher que acontece quando o autor atinge pessoas próximas, muitas vezes os próprios filhos, como forma de atingir a vítima. À Agência Brasil, a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, destacou que crianças e adolescentes são os principais atingidos nesse tipo de agressão.

“Na maioria das vezes, são utilizados crianças e adolescentes, filhos daquela mãe, porque são o maior vínculo afetivo que ela tem. Para poder penalizar a mãe – que foi exatamente o caso em Itumbiara, em que o pai matou os dois filhos para atingir a mãe. É como se ela recebesse a maior penalidade que uma pessoa pode receber, que é ter um filho executado”, destacou. 

Além da violência contra os filhos e pessoas próximas, é comum que, assim como no caso de Itumbiara, o agressor crie uma narrativa que culpabiliza a mulher pelo crime. “Coloca sobre ela a responsabilidade da morte, da execução que ele cometeu, porque estava sendo rejeitado e o relacionamento amoroso já não correspondia ao que ela desejava para a vida dela”, explica. No crime ocorrido em Goiás, a suposta traição da esposa gerou comentários e ameaças à Sarah, que vive a dor da perda dos próprios filhos.

“Esse tipo de violência tenta penalizar a mulher e responsabilizá-la pelo crime cometido. E o crime cometido é escolha de quem mata. Quem mata escolheu matar. Não é responsabilidade da mulher”, finaliza. 

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postado em 14/02/2026 21:49
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