BELO HORIZONTE

UFMG se pronuncia após denúncia de capacitismo envolvendo professor

Universidade diz que recebeu denúncia pela Ouvidoria, promete "rigor na apuração dos fatos" e reforça compromisso com inclusão e direitos humanos

Universidade Federal de Minas Gerais publicou uma nota à comunidade, após denúncias de capacitismo cometido por um professor da Escola de Engenharia -  (crédito: UFMG/Reprodução)
Universidade Federal de Minas Gerais publicou uma nota à comunidade, após denúncias de capacitismo cometido por um professor da Escola de Engenharia - (crédito: UFMG/Reprodução)

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) publicou neste sábado (14/2) uma nota oficial à comunidade após vir a público a denúncia de discriminação por parte de um professor da Escola de Engenharia, em Belo Horizonte. O alvo foi uma pessoa com deficiência, que tentava alcançar a rampa de acesso à calçada em frente ao restaurante da esposa. O carro do professor estava obstruindo a rampa de acessibilidade.

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No comunicado, a instituição afirma ter tomado conhecimento do episódio “envolvendo um professor da Escola de Engenharia, relacionado a ato de ofensa e discriminação contra pessoa com deficiência”. A universidade declara que “não tolera qualquer conduta discriminatória e que viole a dignidade humana ou os direitos fundamentais”.

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A nota reforça que os servidores públicos devem pautar sua atuação “pelos princípios da legalidade, da moralidade, da ética e do respeito irrestrito aos direitos humanos, dentro e fora do ambiente universitário, nos termos da lei que rege as ações de servidores públicos”.

A UFMG também destaca que se orienta por resolução de seu Conselho Universitário sobre Direitos Humanos, que estabelece diretrizes para o enfrentamento de “todas as formas de discriminação” e para a “promoção, proteção e defesa dos direitos humanos”. Segundo o texto, “o compromisso com a inclusão, a diversidade e o respeito às diferenças é princípio estruturante da Universidade e condição inegociável de sua atuação”.

De acordo com a instituição, a denúncia foi formalmente recebida por meio da Ouvidoria e seguirá a tramitação administrativa prevista. A universidade afirma que haverá “rigor na apuração dos fatos, observância dos ritos processuais e adoção de todas as providências cabíveis, na forma da lei”.

No trecho final, a UFMG declara que “se soma à rede de solidariedade em torno da vítima e seus familiares” e reitera “seu compromisso institucional com a construção de uma sociedade mais inclusiva e respeitosa, na qual não há espaço para práticas discriminatórias ou violadoras de direitos”.

Entenda o caso

Segundo reportagem publicada pelo Estado de Minas, uma pessoa com deficiência denunciou ter sido vítima de  capacitismo — entendido como a discriminação ou o preconceito direcionado a pessoas com deficiência —  por parte de um professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. 

O caso ocorreu na última quinta-feira (12/2), quando Pedro, companheiro da chef Juliana Duarte, proprietária do restaurante Cozinha Santo Antônio, que utiliza cadeira de rodas, e a cuidadora Raquel foram vítimas de ofensas por parte do professor.

O incidente começou na calçada, quando os três tentavam acessar o restaurante. Segundo a chef, o veículo do acusado estava estacionado irregularmente sobre a faixa de pedestres e bloqueava a rampa de acessibilidade. Ao identificar o proprietário em um bar vizinho, Juliana solicitou a retirada do veículo e o questionou se ele “não tinha vergonha” da infração.

A resposta anunciou a agressividade que viria a seguir: "Não. Sou escroto, mas vou tirar o carro mesmo assim", teria dito o homem. Ao manobrar para sair, ele desferiu a primeira ofensa direta a Pedro: "Tchau, cadeirante! Espero que você ande muito por aí".

Após o primeiro embate, Pedro seguiu para casa, enquanto Juliana permaneceu no restaurante. Por volta das 22h26, o agressor adentrou o estabelecimento. "Ele entrou altivo, com um sorriso no rosto. Achei que iria pedir desculpas, mas ele se aproximou e disse: 'E aí, ele voltou a andar?'. Virou as costas e foi embora", relata Juliana.

"Fiquei chocada, não acreditei de tão absurdo. Não tive reação imediata porque nunca vi um tipo de ofensa como essa", desabafa.

O caso não terminou na calçada. Após conversar com os filhos, que ficaram revoltados com o ocorrido, Juliana buscou a delegacia especializada em atendimento a pessoas com deficiência. O Boletim de Ocorrência foi registrado na manhã de sexta-feira (13/2).

"É uma situação de tristeza, sofremos uma violência. Mas é uma oportunidade de colocar o assunto em pauta. Fatos adversos fazem as pessoas refletirem, e é importante divulgar para ajudar no andamento dos processos formais", afirma a chef.

A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), prevê punição para práticas que atentem contra a dignidade e os direitos desse grupo. A pena pode chegar a 3 anos de reclusão, além de multa. 

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postado em 15/02/2026 13:23
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