Uma estudante da Universidade Federal do Pará (UFPA) afirma ter sido retirada de sala de aula por estar acompanhada do filho de 7 meses. O caso, divulgado inicialmente pelo portal UOL, provocou reação de centros acadêmicos, associações estudantis e movimentos sociais ligados à universidade, que realizaram manifestação e cobraram providências da instituição.
Segundo o relato, a aluna, que é mãe quilombola e estudante do curso de Desenvolvimento Rural, teria sido impedida de permanecer na aula por estar com o bebê. A situação teria ocorrido no Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (Ineaf/UFPA) e gerou mobilização dentro e fora do campus.
Em nota pública, o Centro Acadêmico de Ciências Sociais Hecilda Veiga classificou o episódio como “grave, constrangedor e incompatível com os princípios que deveriam orientar a universidade pública”. O texto afirma que a atitude da professora é “injustificável” e defende responsabilização, ressaltando que nenhuma estudante pode ser punida ou exposta por exercer a maternidade.
O centro acadêmico também apontou que o caso evidencia a ausência histórica de políticas estruturadas de permanência voltadas às mães universitárias. Segundo a entidade, a falta de creches universitárias, de espaços adequados para crianças e de assistência estudantil que reconheça a maternidade como realidade concreta coloca essas estudantes em situação de vulnerabilidade. “É inaceitável que a universidade transfira para as estudantes o peso de uma negligência que é institucional”, diz o posicionamento.
A Associação dos Discentes Quilombolas da Universidade Federal do Pará também se manifestou. Em comunicado, informou que, no dia 11 de fevereiro, associações, lideranças quilombolas, centros acadêmicos e movimentos estudantis realizaram uma manifestação pacífica em direção ao Ineaf e, posteriormente, à Reitoria da UFPA. O objetivo foi cobrar esclarecimentos e providências sobre o que classificaram como caso de discriminação e exclusão.
A associação afirmou que o episódio representa um “ato de violência e discriminação” e exigiu apuração rigorosa dos fatos e responsabilização da professora envolvida. “Racismo, exclusão e violência institucional são crimes e não vão ser tolerados dentro da universidade”, declarou a entidade, que concluiu com a frase: “Nenhuma mãe a menos nas salas de aula da UFPA e de nenhuma universidade”.
Nos comentários de uma das publicações sobre o caso, uma docente da instituição também se pronunciou. “Sou professora da UFPA e declaro meu total apoio às mães estudantes que enfrentam inúmeros desafios para permanecer e ter sucesso na sua formação universitária. Nós, mulheres, temos sim que apoiar e defender umas às outras!”, escreveu.
O episódio reacende o debate sobre permanência estudantil e maternidade no ensino superior, especialmente entre mulheres em situação de vulnerabilidade social e racial. Movimentos estudantis defendem que o acesso à universidade pública deve considerar a diversidade de trajetórias e responsabilidades de cuidado, sobretudo diante da ausência de rede de apoio para muitas estudantes.
A reportagem do Correio entrou em contato com a Universidade Federal do Pará para solicitar posicionamento oficial sobre o caso e esclarecer se houve abertura de procedimento interno para apuração. Até a última atualização desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação da instituição.
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