
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta terça-feira (3/2) que Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer, em todo o país, teleatendimento especializado em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas. O anúncio foi durante simulação de consulta remota na unidade do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
De acordo com Padilha, o formato remoto foi pensado para enfrentar um dos principais obstáculos ao cuidado: o silêncio. “Muitas vezes há vergonha, medo de julgamento e dificuldade de reconhecer o problema. O teleconsulta permite que a pessoa busque ajuda de forma reservada, sem precisar ir presencialmente a uma unidade de saúde”, afirmou.
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De acordo com o Ministério da Saúde, a expectativa inicial é de 600 atendimentos mensais. O público-alvo são pessoas com 18 anos ou mais, além de familiares e integrantes da rede de apoio. O serviço é fruto de parceria com o hospital por meio do Proadi-SUS e conta com investimento de R$ 2,5 milhões do Ministério da Saúde.
A medida integra uma estratégia nacional para enfrentar o avanço de comportamentos problemáticos relacionados a jogos e apostas, especialmente on-line. Em 2025, o SUS registrou 6.157 atendimentos presenciais ligados ao tema — número considerado aquém da demanda potencial. Entre as ações complementares estão a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, lançada pelo Ministério da Fazenda, que permite bloquear o acesso a sites de apostas autorizados, e o Observatório Saúde Brasil de Apostas, voltado à troca permanente de dados entre as áreas da Saúde e da Fazenda.
O Ministério da Saúde também publicou diretrizes específicas para qualificar o atendimento na rede pública, incluindo a Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas e um guia orientador para profissionais. A Ouvidoria do SUS está capacitada para prestar esclarecimentos pelo telefone 136, além de atendimento por formulário eletrônico, WhatsApp e chatbot no site oficial do Ministério.
Como acessar
O acesso ao serviço será feito exclusivamente pelo aplicativo Meu SUS Digital, que passa a funcionar como porta de entrada para o cuidado nesses casos. Após baixar o app gratuitamente e fazer login com a conta gov.br, o usuário deve acessar a área “Miniapps” e selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?”. O cadastro pode ser realizado 24 horas por dia, em ambiente seguro e com proteção de dados conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O sistema oferece um autoteste validado cientificamente no Brasil, com perguntas que ajudam a identificar sinais de risco. Caso o resultado indique risco moderado ou alto, o encaminhamento para o teleatendimento ocorre automaticamente. Em situações classificadas como risco baixo, o aplicativo orienta a procurar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui CAPS e Unidades Básicas de Saúde.
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Como funciona o atendimento
As consultas serão realizadas por vídeo, com duração média de 45 minutos. Cada paciente poderá participar de ciclos de cuidado com até 13 encontros, individuais ou em grupo com familiares e pessoas de apoio. O serviço é gratuito e confidencial.
A equipe multiprofissional é composta por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com suporte de médico psiquiatra quando necessário. O modelo prevê ainda articulação com assistência social e atenção primária à saúde, garantindo integração com os serviços locais do SUS. Quando indicado, o paciente poderá ser encaminhado para atendimento presencial.
Após o cadastro, as orientações para a consulta são enviadas via WhatsApp, e o acompanhamento inclui telemonitoramento ao longo do tratamento.

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