Sob pressão de caminhoneiros e com risco de paralisação nacional, o governo federal anunciou nesta terça-feira (17/3) um pacote de medidas emergenciais para conter a alta do diesel e reforçar a fiscalização de combustíveis em todo o país. A estratégia tenta evitar uma nova crise de abastecimento, em meio ao aumento dos custos do transporte e à insatisfação crescente da categoria.
Entre as ações, está a articulação de uma força-tarefa com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), Procons estaduais e o Ministério da Justiça para fiscalizar possíveis aumentos abusivos nos preços do diesel. A iniciativa ocorre após relatos de reajustes considerados desproporcionais em diferentes regiões, mesmo após medidas adotadas pelo governo para reduzir o custo do combustível.
Além da fiscalização, o pacote inclui a tentativa de amortecer o impacto da alta internacional do petróleo por meio de subsídios e desonerações. O governo já havia anunciado a redução de tributos federais sobre o diesel, com promessa de queda no preço final ao consumidor. No entanto, parte desse efeito não chegou às bombas, o que intensificou a pressão dos caminhoneiros.
A insatisfação da categoria também passa pelo valor do frete. Caminhoneiros relatam que o custo operacional subiu, mas os contratos não acompanharam essa elevação. Diante disso, o governo sinalizou que pretende reforçar a fiscalização da tabela mínima de frete, com possibilidade de punição para empresas que descumprirem os valores estabelecidos.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, disse que vai anunciar medidas para avançar na proteção dos caminhoneiros e no equilíbrio no transporte de cargas no Brasil. O anúncio deverá ser feito às 10h pelo chefe da pasta e pelo diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres, Guilherme Sampaio, no Ministério dos Transportes, em Brasília.
Risco de paralisação
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o caminhoneiro Wallace Landim, conhecido como "Chorão", presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), afirmou que a categoria decidiu manter o estado de mobilização. Segundo ele, durante reunião realizada no Porto de Santos, na última segunda-feira (16/3), com a presença de lideranças e trabalhadores do setor, houve consenso de que “as condições atuais, com os constantes aumentos no preço do combustível, não permitem manter o transporte rodando”.
Chorão também informou que novas reuniões estão previstas com entidades de todo o país para alinhar uma possível paralisação. “Estamos em estado de alerta”, declarou.
No vídeo publicado por Chorão nas redes sociais, a reação dos usuários é de temor de uma nova crise semelhante à registrada em 2018, quando uma greve nacional de caminhoneiros provocou desabastecimento de combustíveis, alimentos e medicamentos, além de impactos diretos na economia. Na ocasião, supermercados ficaram sem produtos, hospitais enfrentaram dificuldades logísticas e o país registrou prejuízos bilionários.
Caso uma nova paralisação se concretize, os efeitos tendem a ser sentidos rapidamente pela população. Entre os principais impactos esperados estão a alta nos preços dos alimentos, dificuldade de abastecimento em postos de combustível e atrasos na entrega de medicamentos e insumos essenciais.
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