Rio de Janeiro

Investigação da PF revela que Thiago Rangel negociou cargos com traficante

O parlamentar está preso desde o dia 5 de maio, e teve áudios extraídos que mostram ligação com traficante e seus familiares. O diálogo consta no inquérito enviado ao STF

O deputado estadual do Rio de Janeiro Thiago Rangel (Avante) teve áudios e mensagens obtidos pela Polícia Federal (PF), durante a Operação Unha e Carne, que revelam uma atuação direta do parlamentar em cargos estratégicos da Secretaria Estadual de Educação (Seeduc-RJ) e negociações de vagas na área para pessoas ligadas ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, o “Júnior do Beco”.

Rangel está preso desde o dia 5 de maio acusado de chefiar um esquema criminoso de fraudes e desvios de recursos da educação. Os diálogos constam no inquérito enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de abril.

Segundo apurações da PF, o deputado é suspeito de chefiar um esquema de fraudes em contratos de obras e serviços da rede estadual de ensino, além de lavagem de dinheiro envolvendo empresas e uma rede de postos de combustíveis. 

Em trecho dos áudios obtidos pela TV Globo, o parlamentar dá ordens a Júcia Gomes de Souza Figueiredo, que era diretora regional de Educação do Noroeste Fluminense, onde aconteciam as fraudes. A investigação aponta que Júcia foi indicada para o cargo pelo próprio Rangel. Ela também foi presa em 5 de maio. 

“Júcia, continua aí do jeito que você tem que estar, tá ok? Tudo que acontecer dentro da regional, eu quero saber. Não tem que dar satisfação a ninguém, porque o deputado sou eu, a indicação é minha e quem manda sou eu", disse o parlamentar.

De acordo com a Polícia Federal, esta mensagem teria sido enviada em agosto de 2024 e extraída do celular de Júcia. Na época, ela comandava a Regional Noroeste da Seeduc, responsável por 57 escolas estaduais distribuídas em 13 cidades do Norte e Noroeste Fluminense, com mais de 3.200 servidores.

Relação com traficante

A investigação ainda aponta que o parlamentar cedeu duas vagas vinculadas à Secretaria para pessoas indicadas pelo traficante “Júnior do Beco”. Uma delas seria para a irmã do criminoso, Gleice Maria Batista da Silva, que enviou um áudio ao deputado cobrando respostas.

“Thiago Rangel, aqui é a Gleice, a irmã de Juninho do Beco. Eu fui fazer uma entrevista agora em agosto ou setembro, e até hoje ele não me deu uma posição. Aí meu irmão pediu para te ligar, para ver o que tá acontecendo", diz Gleice na gravação.

Outras conversas chamaram a atenção da Polícia Federal. Em uma delas, Fábio Pourbaix, apontado como braço-direito de Rangel e também preso na mesma operação, sugere agredir um adversário político não identificado. O deputado concorda.

“Rapaz, eu já sei como que a gente vai resolver o problema. Vamos esquematizar, entendeu? Um bote. Ninguém vai matar ele. Ele vai tomar um bote. O moleque vai bater na cara dele, vai dar tiro no carro dele", disse Pourbaix.

“Beleza, vamos tentar orquestrar tudo aí. Que esse cara aí é... Tá impossível suportar ele. Arrebenta esse *”, respondeu, por sua vez, Thiago Rangel.

*Estagiário sob supervisão de Victor Correia


Mais Lidas