Violência

Ex-estagiário e agentes são presos por plano para matar promotor

Segundo Ministério Público de São Paulo, trio é suspeito de envolvimento em um plano para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, do Gaeco

Maurício (E) e José Ricardo. Os dois participavam do esquema para matar o promotor -  (crédito: Reprodução de vídeo/MP-SP)
Maurício (E) e José Ricardo. Os dois participavam do esquema para matar o promotor - (crédito: Reprodução de vídeo/MP-SP)

Uma operação do Ministério Público de São Paulo prendeu, ontem, o chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas (SP), Maurício Aparecido de Oliveira, o advogado Gabriel Lira de Jesus — que foi estagiário do MP-SP — e o ex-investigador da Polícia Civil paulista Itamar Gomes da Silva. Todos fazem parte de um esquema de troca de informações e extorsões que os ligam ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O trio é suspeito de envolvimento em um plano para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) paulista.

Os três foram pegos na Operação Infiltrados. Um vídeo, inclusive, mostra o encontro entre Maurício e o empresário José Ricardo Ramos, responsável por levar adiante o esquema para a execução do promotor do MP-SP. O plano, porém, não foi levado adiante. Ramos foi preso em agosto de 2025, na Pronta Resposta.

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Itamar é apontado como responsável por conectar Maurício ao empresário. Ele foi preso, ontem, em um sítio na rodovia que liga o município de Cardoso (SP) ao distrito de São João do Marinheiro. O ex-policial tinha sido preso em 2008 e foi expulso da Polícia Civil paulista depois de ser condenado por extorsão — com outros dois policiais, Itamar prendeu uma mulher investigada por tráfico e extorquiu o chefe da quadrilha a qual ela pertencia para que fosse libertada.

Infiltração

Porém, o que chamou a atenção dos investigadores foi a infiltração de Gabriel Lira de Jesus. Meses antes, ele prestou serviço em uma das promotorias de Justiça Criminal de Campinas do MP-SP. Ali, obteve acesso a bancos de dados e a sistemas de pesquisa sobre o trâmite de vários processos. A partir daí, e com o auxílio de outros agentes e funcionários que estão sendo investigados, teria conseguido identificar criminosos com alto poder econômico para vender as informações que obtinha. 

A suspeita é que Gabriel tenha entrado na promotoria com a intenção de levantar informações para vendê-las aos criminosos. Os investigadores chegaram ao ex-estagiário do MP-SP depois da quebra do sigilo do celular de Maurício Silveira Zambaldi, o Dragão — que é apontado como o financiador do plano para matar o promotor Amauri Silveira Filho.

Nesse aparelho, descobriu-se que Gabriel cobrava R$ 500 mil para que informações sobre Maurício não fossem enviadas ao Gaeco, o que permitiria que o assassinato do integrante do MP-SP fosse levado adiante. A partir dessa troca de mensagens é que os investigadores chegaram ao então estagiário.

A Operação Infiltrados é uma sequência de duas incursões deflagradas no ano passado. A Pronta Resposta apurou a atuação da quadrilha que planejava o atentado contra Amauri Silveira Filho. A outra, a Off White, deflagrada em 30 de outubro de 2025, tinha por objetivo desmantelar o esquema de lavagem de dinheiro ligado a Sérgio Luiz de Freitas (o Mijão ou Xixi), integrante do PCC e considerado um dos maiores traficantes do país.

As defesas de Maurício, Itamar e Gabriel foram procuradas, mas não se manifestaram até o fechamento desta edição. (Colaborou Amanda S. Feitoza)

 

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postado em 10/06/2026 03:55
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