Saúde

Governo anuncia aporte para pesquisas sobre endometriose e saúde menstrual

Parceria com Instituto Alana busca ampliar produção científica e desenvolver soluções para o SUS diante dos impactos da doença que atinge milhões de mulheres no país

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) anunciou, nesta terça-feira (9/6), em Brasília, um investimento de R$ 60 milhões para pesquisas em saúde menstrual, dor pélvica e endometriose. Do total, R$ 50 milhões serão destinados pelo governo federal, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), enquanto outros R$ 10 milhões serão aportados pelo Instituto Alana para estruturar uma rede nacional voltada ao tema.

A iniciativa pretende ampliar o conhecimento científico e desenvolver soluções que possam ser incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Durante a apresentação da parceria, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou que se trata do maior aporte já realizado pela pasta em estudos relacionados à saúde feminina. Segundo ela, a demora no diagnóstico e os impactos causados pela doença tornam a questão um desafio à saúde pública.

“Quando uma menina falta à escola por causa da dor, ou uma mulher leva anos para receber um diagnóstico, estamos diante de um problema de saúde pública que exige resposta do Estado. Esse investimento demonstra o compromisso do governo do Brasil com a ciência como instrumento de cuidado, inclusão e promoção da qualidade de vida das mulheres brasileiras”, declarou.

Os projetos selecionados pelo CNPq deverão se enquadrar em cinco áreas temáticas: causas e prevenção, diagnóstico, tratamento, biorrepositório e impacto social. Paralelamente, os recursos do Instituto Alana serão utilizados para criar uma estrutura nacional de pesquisa com apoio à formação de especialistas, comunicação científica e participação da sociedade civil.

A CEO do Alana, Flavia Doria, afirmou que a proposta é transformar o conhecimento produzido em ações voltadas à prevenção e à redução do tempo necessário para identificar a enfermidade. A parceria entre as duas instituições teve início em 2024, com a criação da Rede Buriti, voltada à pesquisa em Síndrome de Down.

Endometriose atinge milhões no Brasil

Os dados apresentados durante o anúncio mostram a dimensão do problema no país. Estima-se que cerca de 8 milhões de brasileiras em idade reprodutiva convivam com endometriose, entre elas 2 milhões de adolescentes, e o tempo médio para confirmação do diagnóstico é de sete anos.

Levantamento do Alana e do Instituto Equidade.info aponta que seis em cada dez estudantes que menstruam relatam cólicas moderadas ou intensas, enquanto quatro em cada dez faltam às aulas mensalmente por causa da dor.

Na vida profissional, mulheres com sintomas mais severos podem perder até 10,8 horas de trabalho por semana. Apesar da frequência dessas queixas, os registros oficiais ainda são limitados.

Uma análise realizada com dados de 469 mil meninas e mulheres do Recife identificou apenas 0,5% dos casos registrados formalmente nos prontuários, mas a avaliação dos relatos escritos por profissionais de saúde revelou mais de 41 mil ocorrências relacionadas à dor menstrual e pélvica, correspondentes a 9% da base analisada.

 *Estagiária sob supervisão de Victor Correia

Mais Lidas