
O desaparecimento de três jovens — duas brasileiras e uma cabo-verdiana — em diferentes pontos da França, entre 21 e 23 de julho, mobiliza familiares, autoridades francesas e o Ministério das Relações Exteriores brasileiro. Os casos, registrados em um intervalo de 72 horas, despertaram preocupação na comunidade brasileira no país e deram início a uma corrida por informações sobre o paradeiro das vítimas.
As ocorrências envolvem a engenheira brasiliense Gabriele da Silva Monteiro, de 34 anos, desaparecida em Lyon, e a estudante goiana Alice Dias de Oliveira, de 16 anos, que sumiu na Região Metropolitana de Paris junto da amiga cabo-verdiana Maria de Fátima Pina Monteiro. Enquanto aguardam novas informações oficiais, previstas para esta semana, os parentes recorrem a imagens de câmeras de segurança, registros em hospitais e pistas compartilhadas nas redes sociais.
Gabriele, formada pela Universidade Federal do Ceará e residente na França desde 2017, foi vista pela última vez na quinta-feira passada, por volta das 12h30, no bairro de Debourg, em Lyon. Uma vizinha relatou ter encontrado a brasileira no elevador do prédio quando ela retornava após buscar as filhas na escola.
Ao chegar do trabalho, por volta das 17h, o marido, o francês Florian Poutot, encontrou o apartamento com a porta fechada, mas destrancada. No imóvel, permaneceram objetos pessoais considerados essenciais, como celular, passaporte, carteira e smartwatch. O último registro de atividade no aparelho ocorreu às 16h19, após Gabriele visualizar uma mensagem enviada pelo marido pelo WhatsApp. Segundo familiares, ela usava uma bermuda de ginástica colorida e um tênis branco com detalhes de oncinha e preparava as malas para uma viagem de casamento marcada para o dia seguinte.
Em Trappes, na Região Metropolitana de Paris, a família de Alice iniciou a busca ainda na quarta-feira da semana passada. Morando na França há quatro anos, a adolescente mantinha uma rotina entre os estudos e o trabalho como babá antes de desaparecer após sair de um estágio de férias. A última comunicação ocorreu às 22h30, quando avisou ao pai que aguardava um trem para voltar para casa. Ela não chegou à residência até a meia-noite e deixou de responder aos contatos.
O caso se conecta ao desaparecimento de Maria de Fátima, ocorrido um dia antes. Familiares acreditam que as duas possam estar juntas e receberam relatos, ainda sem confirmação oficial, de que teriam sido vistas a caminho de Marselha, no sul da França.
A atuação das autoridades francesas passou a ser questionada pelos parentes, que criticam a interrupção dos trabalhos durante o fim de semana. Ao G1, Ana Flávia, irmã de Alice, relatou dificuldades para obter imagens de estações de trem e apontou demora na análise dos dados de rastreamento do celular da adolescente, que chegou a indicar uma localização antes de descarregar, sem que ninguém fosse encontrado no local.
O Itamaraty, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Marselha, informou que acompanha os casos e presta assistência consular às famílias. Comunidades brasileiras na França também se mobilizam na divulgação de cartazes e na busca por informações. As autoridades francesas devem analisar novos dados ao longo desta semana para avançar nas apurações.

Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil