SAÚDE

Brasil busca autonomia tecnológica com vacinas de RNA mensageiro

Com investimento de R$ 210 milhões, país aposta no RNA mensageiro para garantir autonomia e desenvolver novos tratamentos para diversas doenças

A produção de vacinas, como as de RNA mensageiro, é estratégica para a autonomia tecnológica e resposta do Brasil a emergências sanitárias -  (crédito: Bernardo Portella/Ministério da Saúde)
A produção de vacinas, como as de RNA mensageiro, é estratégica para a autonomia tecnológica e resposta do Brasil a emergências sanitárias - (crédito: Bernardo Portella/Ministério da Saúde)

O Brasil está investindo R$ 210 milhões para desenvolver plataformas nacionais de vacinas de RNA mensageiro. A iniciativa do Ministério da Saúde busca ampliar a autonomia tecnológica do país e a capacidade de resposta a emergências sanitárias, como epidemias e pandemias.

Ao Correio, Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, afirmou que o desenvolvimento de uma vacina nacional é estratégico porque significa o Brasil ampliar a autonomia tecnológica e a capacidade de responder rapidamente a emergências sanitárias.

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Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, fala ao Correio sobre produção de vacinas nacionais
Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, fala ao Correio sobre produção de vacinas nacionais (foto: Divulgação)

“No caso do RNA mensageiro, estamos falando de uma tecnologia de fronteira, que pode permitir o desenvolvimento e a produção de vacinas em uma escala menor e com grande velocidade de adaptação. Isso é especialmente importante diante de epidemias e pandemias, quando a capacidade de produzir localmente pode fazer diferença na resposta do país”, pontua Fernanda.

Os recursos serão destinados à Fiocruz, ao Instituto Butantan e ao Centro de Competência em Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O objetivo é dominar uma tecnologia de fronteira que permite o desenvolvimento e a produção de vacinas em menor escala e com alta velocidade de adaptação. A estratégia visa reduzir a dependência de tecnologias externas.

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A secretária do Ministério da Saúde frisa que o potencial do RNA mensageiro está na flexibilidade, pois as instruções genéticas podem ser modificadas para combater diferentes doenças, abrindo caminho para vacinas terapêuticas e outros tratamentos inovadores.

As aplicações incluem terapias para o câncer e doenças raras. No centro da UFMG, por exemplo, já existem projetos para vacinas contra:

  • Dengue;

  • Malária;

  • Doença de Chagas;

  • Leishmaniose visceral;

  • Influenza.

Além disso, o centro mineiro conduz pesquisas em imunoterapia contra o câncer, vacinas com antígenos tumorais e uma metodologia para CAR-T baseada em RNA.

Segundo Fernanda, a pesquisa brasileira pode, sim, ser capaz de competir internacionalmente. “O Brasil está entrando nessa esteira tecnológica ao mesmo tempo que outros países e o RNA mensageiro ainda tem uma avenida muito grande de desenvolvimento e aplicações que não foram completamente exploradas. Quando olhamos para o potencial dessa plataforma para uma série de doenças e novas terapias, percebemos que estamos diante de uma tecnologia que ainda está no início de sua trajetória”, diz a secretária.

A meta é que o país deixe de ser apenas um consumidor de tecnologias de fronteira para se tornar um desenvolvedor. “O objetivo é dominar esse conhecimento e transformar essa capacidade em novas soluções para o SUS e também em oportunidades para o Brasil no cenário internacional”, frisa Fernanda.

Vacina com RNA mensageiro

O Brasil tem avançado no desenvolvimento de vacinas com RNA mensageiro. O primeiro produto é uma vacina contra a Covid-19, desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o estudo clínico para avaliar o imunizante como dose de reforço.

O recrutamento dos voluntários para a primeira fase do estudo está previsto para o primeiro trimestre de 2027. Nesta etapa, serão avaliadas a segurança e a capacidade de resposta da vacina, com os participantes sendo acompanhados por um ano.

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postado em 02/09/2026 13:07 / atualizado em 02/09/2026 13:23
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