
A Amazônia liberou para a atmosfera uma média anual de 1,17 bilhão de toneladas de dióxido de carbono (CO2) a mais do que absorveu entre 2010 e 2024. As queimadas responderam pela maior parte desse volume, ao lançarem 1,47 bilhão de toneladas de CO2 a cada ano, superando a absorção florestal de 300 milhões de toneladas.
Os dados constam em estudo publicado na revista Nature, desenvolvido por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A análise de 15 anos de medições atmosféricas atribui o descompasso diretamente às atividades humanas no bioma.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Leia mais
-
Temperatura Máxima na Estação Seca Aumentou 3°C em Área Preservada da Amazônia
-
Amazônia Legal Tem Alta de 18% no Desmatamento entre Agosto e Março
A pesquisa adverte que a floresta corre risco de atingir o ponto de não retorno, estágio em que perde a capacidade de regeneração e dá lugar a outro tipo de vegetação. Para frear essa degradação, o estudo recomenda:
-
redução drástica das queimadas;
-
desmatamento zero;
-
restauração florestal.
Impacto climático e histórico recente do fogo
O alerta coincide com o avanço do fogo na região. Registros do Inpe contabilizam mais de 41.300 focos em menos de 10 meses, aproximando-se do total de 2025, que fechou em 43.130 ocorrências. A fumaça cobriu municípios amazonenses como Manaus, provocando suspensão de aulas e sobrecarga hospitalar por problemas respiratórios decorrentes de suspeitas de queimadas criminosas.
Registros compilados ao longo de 46 anos revelam alterações climáticas profundas provocadas pela intervenção humana. As chuvas anuais caíram 8%, chegando a uma redução de 20% no auge da estação seca. Paralelamente, a temperatura média anual subiu 1,13 °C, registrando elevação de 1,81 °C nos meses de estiagem.
Saiba Mais
Comportamento do bioma em diferentes períodos
A equipe do Inpe avaliou as condições do bioma agrupando os anos monitorados em três cenários:
-
anos chuvosos (2011 a 2014, 2017 e 2018): registraram baixa atividade antrópica e menor impacto nas emissões;
-
anos de baixo estresse climático (2019 a 2022): apresentaram avanço de 97% no desmatamento e 25% nas queimadas, elevando o balanço anual para 1,58 bilhão de toneladas de CO2;
-
anos quentes e secos (2010, 2015, 2016, 2023 e 2024): sofreram impacto do El Niño e do Atlântico tropical norte aquecido, gerando alta de 92% nas queimadas e balanço anual de 1,8 bilhão de toneladas de CO2.
As coletas envolveram aviões de pequeno porte em quatro setores da Amazônia para monitorar CO2 e monóxido de carbono. Desde 2022, os cientistas analisam dados de sulfeto de carbonila para rastrear a fotossíntese e verificar se as árvores mantêm a capacidade de absorver CO2 no ambiente florestal.
Com informações da Agência Fapesp
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil