Entrevista

'Foco está na gestão dos gastos públicos', diz Celina Leão

Ao CB.Poder, governadora em exercício do DF destacou a importância do controle das despesas e dos investimentos para 2026, além da entrega de obras que estão sendo finalizadas. Também fez uma análise sobre o cenário em ano de eleição

 13/01/2026 - Ed Alves/CB/DA Press. Cidades. CB Poder recebe a Vice Governadora Celina Leão.  -  (crédito:  Ed Alves/CB/DA Press)
13/01/2026 - Ed Alves/CB/DA Press. Cidades. CB Poder recebe a Vice Governadora Celina Leão. - (crédito: Ed Alves/CB/DA Press)

Investimentos no Distrito Federal, eleições, economia dos recursos públicos e obras foram os temas abordados com a governadora em exercício Celina Leão (PP) durante o programa CB.Poder — parceria entre Correio Braziliense e TV Brasília. Sobre os projetos do governo, Celina destacou o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) entre Ceilândia e Taguatinga, o viaduto do Eixão, a piscina com ondas e a finalização do complexo viário do Sudoeste. Às jornalistas  Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, ela também ressaltou a importância do planejamento para investir os recursos públicos da melhor forma possível.

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Janeiro é a época em que todo mundo começa a fazer as contas. Como está o orçamento para a entrega das obras?

Tivemos dificuldades financeiras no orçamento, por conta de algumas ações que aconteceram ao decorrer do ano. Uma delas, a do Tribunal de Contas da União (TCU), em que o GDF teve que arcar com os custos de previdência das forças de segurança pública, despesa que era da União. O que impactou em quase R$ 400 milhões no orçamento do Distrito Federal. Isso trouxe um orçamento mais curto para um ano mais longo. Tivemos que fazer adaptações, mas nada que prejudique os salários ou a manutenção. Muita coisa vai ficar pronta antes das eleições. Vamos entregar o viaduto do Eixão, a piscina com ondas e o complexo viário do Sudoeste até o fim de março.

Sobre essa decisão dos custos das forças da segurança pública. Quais serão os próximos passos?

Eu tenho um entendimento diferente sobre essa decisão. Inclusive, fizemos uma reunião e vamos recorrer dessa decisão na Justiça. As regras de pagamento não podem ser mudadas durante o jogo, você não pode falar: "Olha, agora você vai ter que pagar desse jeito". Fizemos a maior contratação de policiais da história, foram mais de 40 mil servidores públicos contratados. Pagamos uma folha no fim do ano de mais de R$ 2 bilhões, contratamos professores, policiais, médicos, isso tudo traz um impacto muito pesado na nossa folha de pagamento, nos nossos investimentos e no planejamento estratégico que estamos fazendo.

Sobre a economia da cidade. Quais são os planos do governo para 2026?

Estamos fazendo um planejamento estratégico para mudar um pouco o eixo econômico da cidade, focando em trazer mais investimento para não dependermos tanto do Fundo Constitucional (FCDF). Atualmente, há quatro projetos estruturantes nas quatro regiões do DF para trazer desenvolvimento de polos que possuem um perfil da nossa cidade. A Terracap e algumas outras secretarias estão fazendo o planejamento para nós. Eu acredito que a economia dos gastos públicos é o objetivo de qualquer gestor que queira mais eficiência.

Recentemente, a senhora fez uma reunião com o secretariado e defendeu que haja mais organização nos gastos. Qual é o foco deste ano?

O foco está na gestão. Com isso em primeiro plano, podemos entregar muito mais, gastando o mesmo valor. Temos dois grandes sistemas mais robustos: um é a ouvidoria, que atende pelo telefone 156; o outro é um sistema interno que é o Siggo/DF (Sistema Integrado de Ouvidorias do Distrito Federal). Estamos integrando esses dois sistemas para termos uma comunicação direta com o cidadão quando ele fizer uma reclamação sobre o asfalto na porta da casa, por exemplo. Quando a Secretaria de Governo cadastrar a ação do asfalto, a licitação, a obra, o cidadão automaticamente vai receber um comunicado que aquilo que ele demandou para nós está sendo resolvido. Além das reclamações, o canal da ouvidoria também registra muitos elogios. 

A população pede, há muito tempo, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) entre Ceilândia e Taguatinga. Como está essa questão dos avanços do VLT? Quando a população terá acesso ao serviço?

Se não tiver um estudo de viabilidade técnica, o VLT sequer sai do papel. O primeiro passo é licitar o projeto. Atualmente, estamos fazendo dois estudos técnicos, o primeiro, referente à expansão do metrô, foi licitado e vai ficar pronto ainda em 2026. Temos condições de fazer a licitação do projeto neste ano e viabilizar o metrô para o Gama e Santa Maria. O estudo custou R$ 8 milhões e está sendo preparado. Vamos entregar ainda este ano para licitar a concessão de mais um braço do metrô. O segundo, referente ao VLT, também está em andamento, amanhã vamos a Ceilândia para mais análises. As obras do VLT são mais rápidas, conseguimos entregar em dois anos e meio, até três. Prevemos 15km de vias para o VLT, essa obra vai transformar a cidade. 

Outro projeto que está na mira do GDF é o Centro de Tecnologias de Reabilitação Neuromotora do Distrito Federal. É isso?

É algo que eu tenho muito orgulho, a rede pública precisa ter o que há de melhor no mercado. Ontem (segunda-feira), entregamos equipamentos de hemodiálise e equipamentos oftalmológicos dos mais modernos. Além disso, estamos fazendo pesquisas com professores da Universidade de Brasília (UnB) que possuem protótipo de um exoesqueleto e de um andador mecânico que substitui a cadeira de rodas. Queremos desenvolver esses dois protótipos para fazer treinamentos dentro do hospital do Iges. Com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP), que também tem que apoiar projetos na área da saúde, teremos uma produção própria desses equipamentos que são importantes para a área de reabilitação.

O ano também será marcado pelas eleições. Como está a sua pré-candidatura?

Estou tentando me distanciar o máximo possível. Eu sou vice-governadora, estou na gestão com o governador Ibaneis, eu tenho que trazer soluções para a população, minha preocupação é a gestão. Tem gente falando mal e fazendo campanha contra, mas não entregaram nada à população, isso é natural do jogo político. Isso (a pré-candidatura) vai se acomodar com o passar do tempo. Acredito que iremos manter a grande união política com os nossos partidos da base (Republicanos, PL, União e o PP). 

Ainda sobre as movimentações políticas do DF. A senhora acredita que a Michele Bolsonaro irá se candidatar pelo DF ao Senado? E sobre a indicação do Flávio Bolsonaro, como a senhora enxerga isso?

A Michele tem um caminho muito consolidado aqui, as pesquisas apontam essa consolidação política dela. Todas as pesquisas que fizemos mostram que ela vai se sair muito bem. Sobre a indicação do Flávio, acredito que não vai ter nenhuma divisão do grupo dos Bolsonaros. A Michele e o Flávio possuem uma relação muito boa, e ela não quer esse tipo de confusão. Caso o Flávio realmente seja indicado, ela estará na linha de frente junto ao Flávio. O grande desafio é trazer o maior número de partidos de centro para essa aliança.

 


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postado em 14/01/2026 02:00
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