
Pedro Arthur Turra Basso, responsável pelas agressões a um adolescente de 16 anos, na madrugada de 23 de janeiro, na saída de um festa, em Vicente Pires, foi preso preventivamente ontem. A Polícia Civil e o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) haviam pedido a prisão na quarta e na quinta-feira, respectivamente, alegando risco de fuga.
O suspeito foi preso na casa da mãe e não ofereceu resistência. Ele foi levado para a carceragem da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), que investiga o caso. A vítima continua internada em estado grave, em coma, intubado e sem previsão de alta, na UTI do Hospital Brasília Águas Claras.
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Pedro Turra foi preso em flagrante após o crime, mas respondia ao processo em liberdade, após pagar fiança no valor de R$ 24,3 mil.
O delegado responsável pela investigação, Pablo Aguiar, acredita que muitas pessoas estavam com medo de depor devido ao fato de o agressor ainda estar em liberdade.
Segundo Aguiar, outras pessoas serão ouvidas nos próximos dias, o que deve fortalecer as evidências no inquérito contra Pedro. "Agora, com ele preso, iremos ouvir essas pessoas que estavam com receio. Depois disso, iremos concluir o inquérito para enviar à Justiça", explicou.
Para o advogado da família da vítima, Albert Halex, mais de 10 vítimas não testemunharam por estarem com medo. "As testemunhas também se sentiam ameaçadas", assinalou.
A decisão da prisão preventiva de Pedro Arthur foi recebida com perplexidade pela defesa. Representando o suspeito, Eder Fior, advogado criminalista, definiu a prisão como "absurda". "O Pedro era beneficiado com uma fiança que foi paga. Temos que respeitar a decisão judicial, mas iremos recorrer."
Fior rechaçou a possibilidade de fuga, apontada pelo delegado e pela promotoria. "Ele (Pedro) foi preso em casa, não havia nenhuma possibilidade de fuga. Iríamos apresentar o nosso cliente e o seu passaporte posteriormente", garantiu. O advogado acrescentou que mediadas judiciais serão tomadas para reverter a decisão.
Horas antes da prisão, em entrevista coletiva, o delegado se emocionou ao falar do caso e afirmou que o agressor "é uma pessoa que não aceita não". Para ele, pelo perfil traçado, Pedro é violento. "Não demonstra empatia pelo próximo. Agride as pessoas e fica se vangloriando para os amigos ", comentou. "Eu o considero um sociopata", acrescentou. De acordo com ele, as pessoas que filmaram as agressões serão indiciadas por omissão de socorro.
Veja os vídeos do caso:
Comoção
Em frente ao Hospital Brasília Águas Claras, onde o adolescente agredido segue internado, mais de 200 pessoas se reuniram para um momento de oração, ontem, pela vida do jovem. Com canções religiosas, orações coletivas e celulares com as luzes acesas, o clima foi de comoção, união e expectativa por um desfecho positivo.
A mobilização foi organizada por Louise Mendes, de 18 anos, que não conhece o adolescente nem a família, mas se sentiu tocada pela história. “Deus tocou no meu coração, e chamei meu amigo da igreja e falei: ‘Vamos fazer’. Só que eu não esperava tamanha repercussão. Não esperava tanta gente. Eu precisava fazer isso”, contou.
Amigo do adolescente, Gustavo Andrade, 16, participou do momento ao lado do pai, Ricardo Oliveira. Emocionado, o jovem destacou a força da corrente de oração. “Estou muito feliz com esse tanto de gente tendo esse momento de fé por ele. Estou com muita fé de que ele vai ficar bem. Acredito na cura do meu amigo”, disse.
Impacto
Flávio Henrique Fleury, tio do adolescente, afirmou que, desde o ocorrido, a família vive uma rotina de sofrimento contínuo. Durante coletiva de imprensa na 38ª DP, ele descreveu o impacto emocional da agressão e criticou a soltura do agressor após audiência de custódia. “A vida da família parou. Minha irmã não sabe mais o que é dormir, não sabe mais o que é casa”, declarou. Segundo ele, todos os familiares reorganizaram completamente a rotina para acompanhar o adolescente no hospital.
O tio afirmou que o estado de saúde do sobrinho é motivo de angústia constante. “É muito difícil ver esse menino que eu amo tanto ali, numa cama de UTI, sem saber se vai acordar. Isso dói muito.” Ele ressaltou que o jovem sempre foi muito próximo da família e querido por todos. “É um menino carismático, educado, atleta, apaixonado por futebol. Todo mundo é apaixonado por ele.”
Ao comentar a prisão do agressor, o tio disse que o momento trouxe alívio à família. “É um sentimento de muito alívio saber que a justiça está acontecendo. Não esperava ver isso hoje e fiquei muito feliz. Essa guerra vai ter um ponto final. Agora é concentrar no meu sobrinho.”
Flávio afirmou que a agressão contra o sobrinho não pode ser tratada como um episódio isolado. “Hoje está claro que ele é só mais uma vítima.” Segundo ele, novas denúncias e relatos indicam um padrão de comportamento violento de Pedro. “A forma que ele trata as pessoas, principalmente quem não tem o poder aquisitivo que ele tem, é de desprezo.”
O tio também rejeitou qualquer tentativa de classificar o episódio como uma simples briga. “Nos vídeos, é nítida a diferença de proporção, de corpo, de tamanho. Trata-se de um menino de 16 anos contra um cara de 19, muito maior do que ele.” Para Flávio, a desproporção física torna o caso ainda mais grave. “Altura, largura, força, isso é fisiológico. Não tem discussão sobre isso.”
Histórico
As investigações revelaram que a agressão contra o adolescente de 16 anos não foi o primeiro caso de violência no qual Pedro Arthur se enolveu. Nesta semana, ele tornou-se alvo de mais três investigações. A queixa mais recente foi registrada na 38ª DP — responsável pela condução do caso —, na quarta-feira, e refere-se a um episódio no qual um homem de 50 anos denunciou ter sido agredido por Pedro e um amigo, após uma discussão sobre um acidente de trânsito. Segundo a vítima, que nega responsabilidade na colisão, o rapaz desferiu tapas e empurrões contra ele. Imagens do confronto gravadas pela namorada de Pedro, à época, mostram o ataque. O caso foi encaminhado à 21ª DP (Taguatinga Sul).
A PCDF também investiga uma ocorrência registrada na mesma delegacia, na qual uma jovem — que tinha 17 anos à época — relata ter sido coagida por Pedro Arthur a ingerir vodca durante uma festa no Jockey Club. O episódio, que circula em vídeo, deu origem a um inquérito próprio. A menina alega que foi torturada para ingerir a bebida.
Um terceiro boletim de ocorrência, de 28 de junho de 2024, descreve uma agressão em uma praça pública de Águas Claras. A vítima relatou ter sido atacada por Pedro, acompanhado de quatro amigos, com socos e um golpe mata-leão, enquanto os outros apenas assistiam.
Saiba Mais
Paulo Gontijo
Jornalista e repórter da editoria de Cidades do Correio Braziliense. Atuou na comunicação interna do Banco do Brasil e integrou a equipe de Marcelo Tas, com interesse em narrativas humanizadas, acessibilidade e temas sociais.
Luiz Fellipe Alves
Brasiliense, estudante de jornalismo do Centro universitário Udf e estagiário do Correio Braziliense.

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