Podcast do Correio

Pesquisas da UCB unem economia criativa com tecnologia de imersão

A professora Florence Marie Dravet, da Universidade Católica de Brasília (UCB), fala de projetos acadêmicos que integram tecnologias de imersão ao setor de economia criativa e apresenta obra audiovisual interativa sobre aldeia indígena do Acre

As atuações da economia criativa e a junção da tecnologia de imersão com esse setor são trabalhados e pesquisados pela professora Florence Marie, da Universidade Católica de Brasília (UCB). A docente, convidada do Podcast do Correio desta quinta-feira (8/1), contou sobre seus projetos em desenvolvimento que unem esses dois conceitos. Em conversa com os jornalistas Mariana Niederauer e Luiz Felipe, ela destacou o mini documentário sobre a etnia indígena Yawanawa, do Acre, que utiliza imersão e linguagem poética para transportar o espectador a um novo mundo para conhecer costumes do povo e vivenciar uma experiência por meio da realidade virtual.

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"A economia criativa é um sistema bastante complexo. Vai desde a produção artesanal, sem muita mediação da tecnologia, que é o núcleo desse setor, até processos que incluem a participação de tecnologias", explicou Florence. Ela ressalta que as produções da economia criativa também conversam com o cenário de conectividade e tecnologias. "Os processos de produção, circulação e distribuição, em algum momento, sempre acabam sendo mediados pelas novas tecnologias", acrescentou. 

Outro projeto sobre economia criativa também está em produção na UCB. Atualmente, um observatório da economia criativa está sendo desenvolvido. Florence é coordenadora do projeto e explica que está em busca de apoio estrangeiro para o futuro do projeto. "O intuito, agora, é atrair interesses na França, na Espanha e em Portugal. Estou em contato com vários laboratórios para conseguir esse incentivo para continuarmos as pesquisas", afirmou.  

Além dos trabalhos de pesquisas sobre economia criativa, a professora também atua no desenvolvimento de programas de tecnologias e comunicação. Um dos trabalhos atuais da professora é um laboratório de realidade virtual, contando também com ferramentas de realidade ampliada. Ela explica que o ponto de partida para esses projetos é a poesia. "As ferramentas dos projetos precisam de uma linguagem que possa fugir da linguagem técnica. Então, eu potencializo a ferramenta com a linguagem poética", contou.

Imersão é o ponto chave das pesquisas da professora. Ela avalia que, nos tempos atuais, esse conceito está muito ligado à tecnologias, como a realidade aumentada. Inspirada na definição acadêmica de mito, na tradição dos povos indígenas e na imersão, a professora trabalhou em um mini documentário sobre a cultura originária da aldeia acreana Mutum, do povo Yawanawa. "A ideia é juntar várias camadas de imersão no ambiente de realidade virtual. Ali, também há um ambiente sonoro e de imagens que é muito envolvente", disse. Florence destaca que tudo foi pensado para garantir uma imersão dos espectadores. "Desenvolvemos isso para passar a impressão que o espectador realmente conviveu um pouco com essa população indígena", explicou. 

A editora do CB Online, Mariana Niederauer, teve a oportunidade de assistir ao minidocumentário. Para ela, um dos principais pontos que a imersão traz é a mudança do tempo. "Geralmente, quando falamos de tecnologia, a ligamos à velocidade. Na obra, é justamente o contrário. Você tem tempo para apreciar as músicas, os sons da natureza e a paisagem", ressaltou a jornalista do Correio. 

Mariana também comenta que o mini documentário permite que o espectador faça o seu próprio caminho durante a experiência. "Você consegue escolher a sua perspectiva, você tem a opção de explorar os rios e as matas. Realmente mostra a vivência daquele povo indígena", comentou.

Florence Marie ainda destaca que a universidade trabalha para que esses conhecimentos sejam difundidos fora do ambiente acadêmico. "A gente estender o projeto para professores do Distrito Federal, oferecemos cursos e oficinas para eles", disse. Para a professora, a perspectiva é sempre ampliar os projetos para fora do ambiente acadêmico. "Nosso intuito sempre é este: apresentar para o público. A questão é encontrar os meios", concluiu. 

 


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