LAZER

Pequenos inventores transformam Planetário de Brasília nas férias

Evento gratuito une ciência, tecnologia e criatividade em oficinas práticas e interativas

Olhar para as estrelas ou para a lua por um telescópio costuma despertar curiosidade e encantamento. Mas compreender como a ciência funciona, de fato, pode formar novos olhares sobre o mundo. Com esse objetivo, o Planetário de Brasília abriu as portas para o evento Pequenos Inventores, uma colônia de férias voltada a crianças e adolescentes que começou ontem e segue até o mês de março, reunindo oficinas, exposições interativas e experiências imersivas.

A iniciativa aposta no aprendizado lúdico e na experimentação como caminhos para aproximar o público infantil da ciência, da tecnologia e da inovação. Ao longo da programação, os participantes têm acesso a oficinas práticas, sessões na cúpula do planetário, visitas guiadas e atividades criativas que estimulam a curiosidade, o trabalho em grupo e a imaginação. Além das oficinas, o espaço conta com exposições permanentes do museu do planetário, abertas ao público de terça a domingo, das 7h30 às 19h.

A rotina começa com a acolhida das crianças, seguida por sessão na cúpula e visita guiada. Depois, há um lanche coletivo, no qual cada criança deve levar algo para compartilhar e, por fim, as oficinas temáticas, que variam a cada dia. 

As oficinas atendem diferentes faixas etárias, que variam entre 6 e 14 anos, conforme a proposta de cada atividade. As vagas são gratuitas, limitadas e preenchidas por ordem de inscrição diretamente no site do Planetário de Brasília. A inscrição garante a vaga conforme a disponibilidade, com confirmação imediata ou inclusão em lista de espera.

Ao Correio, o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Distrito Federal, Rafael Vitorino, reforça o papel do planetário como espaço de democratização do conhecimento. "O Planetário de Brasília é um dos locais públicos mais visitados da capital. No ano passado, batemos o recorde com mais de 150 mil visitantes, um número muito expressivo. Em 2024, já havíamos alcançado a marca de 100 mil pessoas, o que mostra a relevância desse espaço."

Segundo ele, o diferencial do Pequenos Inventores está na forma como a ciência é apresentada. "O mais legal do projeto é explicar ciência e tecnologia de forma lúdica, o que atrai as crianças e pode até despertar o sonho de seguir uma carreira na área. Por muitos anos ficamos muito focados na tecnologia e deixamos um pouco a ciência de lado. Agora, a ideia é popularizar novamente a ciência e, ao mesmo tempo, dar suporte às famílias, tirando as crianças um pouco das telas", afirmou.

Mão na massa

A proposta pedagógica do evento é baseada no chamado currículo STEM — sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática — aliado ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais. De acordo com a coordenadora pedagógica do Instituto Futuro Certo, Isabela Rabelo, a receptividade do público tem sido positiva.

"Estamos tendo uma recepção excelente. Todos os dias começamos com uma explicação mais teórica sobre o tema e, depois, partimos para a mão na massa. Cada dia tem um tema diferente, e alguns pais acabam participando junto, se divertindo e engajando", disse.

Isabela destacou que a metodologia rompe com o modelo tradicional de ensino. "A gente vem de uma escola que, muitas vezes, afasta a criança da prática. Aqui, abolimos o quadro e aprendemos testando, errando e refazendo. Quando falamos de infância, falamos de pessoas muito sensoriais. Essa é uma forma de contato com o conteúdo, que transforma completamente a experiência das crianças", observou.

Entre as oficinas oferecidas, uma delas aborda os diferentes tipos de energia por meio da construção de carros. O educador Solar Kayapó do Sul foi responsável por uma atividade focada em energia elástica, energia da pressão, do ar e da gravidade. "Primeiro explicamos para as crianças o que é cada tipo de energia. Depois, a proposta foi construir carrinhos do zero, com materiais simples e recicláveis, e usar essas energias para fazê-los se movimentar", contou.

As crianças foram divididas em grupos e, ao final, participaram de uma espécie de competição. "Cada grupo desenvolveu um carrinho diferente e depois testamos para ver qual andava. A ciência está em tudo na nossa vida, mas não percebemos. Aqui, trazemos a ciência por meio de brincadeiras e atividades simples, mostrando que ela não é só coisa de cientista, é o que a gente vive todo dia", ressaltou.

Já a professora de física e gestora de projetos Kali Virgonalto destacou a diversidade de experiências propostas. "Teremos oficinas muito legais, como a do micromundo, em que as crianças usam microscópios para observar objetos escolhidos por elas e fazem desenhos esquemáticos do que veem", explicou.

Mas o maior destaque é o lançamento de foguetes com ar comprimido. "Eles adoram quando o foguete sai voando. Fazemos competições para ver qual vai mais longe ou qual aguenta mais. As crianças têm total liberdade para criar, colocar fita, cola, asas do jeito que quiserem. A ideia é ver o que acontece", disse. Para ela, o processo é tão importante quanto o resultado. "Essas oficinas mostram como funcionam a criação, a inovação e a engenharia. Nada é linear: você tenta, não dá certo, testa de novo. As crianças vivenciam isso na prática", completou.

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - Educadores Isabela, Solar e Kali e as crianças Rafael, Arthur, Geovana e Nina (da esquerda para a direita)

Experiência 

Para muitos participantes, o contato direto com a ciência já começa a desenhar novos sonhos. Aos 7 anos, Rafael Conde Zucatto saiu do Planetário em dúvida entre duas futuras profissões. "Eu gosto de estudar ciência. Estou pensando em ser engenheiro ou cientista, ainda não tenho certeza. Quando eu crescer, quero ter um microscópio".

Arthur Avellar, 7, divertiu-se com os experimentos. "Gostei de fazer slime com cola e de uma experiência com pratos de papelão e balões que ficaram voando. Foi bem legal. Ciências é muito nerd", disse, aos risos.

As primas Nina Rodrigues, 8, e Geovana Rodrigues, 9, destacaram o aprendizado sobre o espaço e o meio ambiente. "Aprendemos muito sobre o espaço e a ciência. Também aprendemos a reciclar. Foi muito legal, a gente brincou com balão e massinha e aprendeu sobre um satélite", contou Nina. "A ciência é muito importante para ajudar o mundo e o meio ambiente", completou Geovana.

Oficinas

» 14/1 - Micromundo (Matutino)
Observação científica e biologia básica - Faixa etária: 6 a 8 anos)

» 14/1 - Micromundo (Vespertino)
Observação científica e biologia básica - (Faixa etária: 6 a 8 anos)

» 15/1 - A Magia da Eletricidade (Matutino)
Energia e circuitos simples - (Faixa etária: 8 a 10 anos)

» 15/1 - A Magia da Eletricidade (Vespertino)
Energia e circuitos simples - (Faixa etária: 8 a 10 anos)

» 20/1 - Laboratório Vivo (Matutino)
Ecossistemas e fotossíntese - (Faixa etária: 10 a 12 anos)

» 20/1 - Laboratório Vivo (Vespertino)
Ecossistemas e fotossíntese - (Faixa etária: 10 a 12 anos)

» 21/1 - A Química das Cores (Matutino)
Reações químicas e variação de pH - (Faixa etária: 10 a 12 anos)

» 21/1 - A Química das Cores (Vespertino)
Reações químicas e variação de pH - (Faixa etária: 10 a 12 anos)

» 22/1 - Missão Espaço (Matutino)
Astronomia e física básica - (Faixa etária: 10 a 12 anos)

» 22/1 - Missão Espaço (Vespertino)
Astronomia e física básica - (Faixa etária: 10 a 12 anos)

» 23/1 - DNA e o Corpo Humano (Matutino)
Hereditariedade e DNA - (Faixa etária: 12 a 14 anos)

» 23/1 - DNA e o Corpo Humano (Vespertino)
Hereditariedade e DNA - (Faixa etária: 12 a 14 anos)

» 27/1 - Energia Sustentável (Matutino)
Energias limpa e renovável - (Faixa etária: 12 a 14 anos)

» 27/1 - Energia Sustentável (Vespertino)
Energias limpa e renovável - (Faixa etária: 12 a 14 anos)

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