Enquanto o Brasil registra avanços na proteção do patrimônio, a vida das mulheres segue ameaçada pela violência cotidiana. O alerta foi feito pela senadora Leila do Vôlei (PDT-DF) durante o evento Pela proteção das mulheres: um compromisso de todos, promovido pelo CB Debate. Em um discurso contundente, a parlamentar afirmou que o país ainda não aprendeu a proteger mulheres e lembrou que, apenas em 2025, 26 mulheres foram assassinadas no Distrito Federal, enquanto quase 1.500 perderam a vida em todo o Brasil.
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Leila destacou que muitas dessas mortes acontecem enquanto o debate público avança sem conseguir impedir novos casos. “As que morreram ontem enquanto a gente dormia. As que vão morrer hoje enquanto a gente debate”, disse, ao defender que o enfrentamento à violência de gênero não pode ser tratado como um tema protocolar. Segundo a senadora, essas mulheres não verão as notícias do dia seguinte nem saberão que houve mobilização em defesa de suas vidas, o que reforça, para ela, o caráter urgente do problema.
Ao comparar dados de segurança pública, a senadora apontou uma contradição estrutural no país. Estados que apresentam queda expressiva nos crimes patrimoniais seguem registrando alta nos índices de feminicídio, estupro e assédio sexual. No Distrito Federal, apesar da menor taxa de crimes patrimoniais da década, os estupros cresceram 43% nos últimos dez anos, o assédio sexual 237% e a importunação sexual 1.500%. “O carro está protegido, a carga está protegida, o banco está protegido. Mas e a vida das mulheres?”, questionou.
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Durante o painel, Leila chamou atenção para a subnotificação dos casos de violência ao pedir que mulheres da plateia levantassem a mão caso já tivessem sofrido algum tipo de agressão ou assédio — e, depois, aquelas que nunca denunciaram. Segundo ela, dos 87 mil estupros registrados no Brasil em 2024, apenas 8% representam o total real, já que a maioria das vítimas permanece em silêncio por medo, vergonha ou descrédito. “É isso que não aparece nas estatísticas”, afirmou.
O cenário da violência de gênero no Distrito Federal exige atenção urgente: em 2025, a capital registrou 11,3 mil casos de violência doméstica, uma média alarmante de 30 ocorrências por dia. O aumento de 9,4% em relação ao ano anterior, somado aos recentes casos que vitimaram uma adolescente e uma mulher idosa, reforça a necessidade de políticas públicas mais robustas e de uma rede de apoio que funcione preventivamente.
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Para enfrentar essa realidade, o evento organizado pelo Correio Braziliense reúne grandes nomes como as ministras Marina Silva e Luciana Santos, além de magistradas e especialistas. O primeiro painel focará na responsabilidade institucional do Estado, enquanto o segundo debaterá a mobilização social e a mudança cultural necessárias para erradicar a violência contra a mulher.
Onde pedir ajuda:
» Ligue 190: Polícia Militar (PMDF)
» Ligue 197: Polícia Civil (PCDF)
» Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres). Por esse canal, também podem ser feitas denúncias de forma anônima, 24 horas por dia, todos os dias.
Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam):
» Deam 1: EQS 204/205, Asa Sul (atende todo o DF, exceto Ceilândia)
» Deam 2: St. M QNM 2, Ceilândia (atende Ceilândia)
» Ouvidoria das Mulheres (Conselho Nacional do Ministério Público): para encaminhamento de denúncias diretamente ao Ministério Público.
WhatsApp: (61) 9366-9229
Telefones: (61) 3315-9467 / 3315-9468
» Ouvidoria Nacional da Mulher (Conselho Nacional de Justiça): para questões e denúncias sobre o andamento de processos judiciais.
Telefone: (61) 2326-4615
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