
Os domingos no Eixão do Lazer ganharam um ritmo especial neste domingo (22/2), na altura da 204 Norte. O projeto Choro no Eixo celebrou sua edição de "ressaca" de Carnaval, reunindo inúmeras pessoas em um movimento que mistura tradição, saúde mental e o direito à ocupação da cidade. Com apoio da Secretaria de Cultura, o evento fundiu o chorinho ao frevo e aos tambores ancestrais.
Para Igor Machado, 28 anos, e coordenador do bloco, o fomento público fortalece a diversidade no território, sobretudo nos espaços vazios da cidade que carecem de cultura. “É o respiro pela arte do encontro”, define, destacando a parceria com grupos como o Rivotril e o Instituto Folha Seca. O idealizador Márcio Marinho, 41, relembra que o projeto nasceu na pandemia com apenas 30 pessoas. “Decidimos ocupar o Eixão para melhorar nossa vida. Hoje, o carnaval traz uma energia que une as linguagens dos metais e do choro."
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
A rua também virou sala de aula com o bloco Cortando Cebola, formado por alunos da Escola Brasileira de Choro. O professor Júnior Viegas, 39, explica que a ideia é humanizar o ensino. “Aqui, o choro é só de alegria”. A psicóloga Camila Almeida, 42, aluna do grupo, reforça que a experiência transformou sua relação com a cidade. "Entrei na escola em 2024 e tocar numa banda é muito diferente de tocar sozinha. É muito legal conhecer pessoas de lugares diferentes", relata.
Além do pertencimento
A percussão afro-brasileira do Instituto Folha Seca marcou o tom da resistência. “Trazer os atabaques para a rua é mostrar que a gente resiste”, afirmou o idealizador Marcos Valente, 37. Para as integrantes Marcela Barbato e Cíntia Nascimento, o batuque gera acolhimento e combate a intolerância.
Esse acolhimento é sentido pelas integrantes do instituto, Cíntia Nascimento, 43, e Marcela Barbato, 44. Para a paulista Marcela, o grupo foi um porto seguro desde que chegou na capital federal, há pouco mais de um ano. "O Instituto foi um lugar de acolhida. Fazer parte dele foi uma forma de me sentir parte da cidade, de conhecer pessoas e fazer grandes amizades. Ocupar os espaços públicos é uma forma de fazer uma discussão do direito à cidade. A rua é nossa", defende.
Na visão de Cíntia, cada vez menos há espaços para que a cultura seja performada e difundida. "Estar aqui demonstrando nossa arte e lutando contra a intolerância religiosa é importantíssimo”, detalha. Para as duas eventos como esse são importantes, pois celebram a união de diferentes perspectivas de vida, além de levarem alegria para as pessoas que ali estão.

Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF