Denúncia

Creche é denunciada por assédio moral e risco à saúde das crianças

Funcionários e familiares da Casa da Mãe Preta relatam ambiente de trabalho hostil, irregularidades na gestão e condições sanitárias que colocam crianças em risco. Caso foi encaminhado aos órgãos de controle

Funcionários e familiares de crianças atendidas pela Casa da Mãe Preta, instituição de Educação Infantil no Park Way, denunciaram uma série de irregularidades graves envolvendo a gestão da unidade. Os relatos incluem assédio moral, perseguições internas, demissões, adoecimento psicológico de trabalhadores e problemas sanitários que colocam em risco a saúde das crianças, especialmente no início do ano letivo de 2026. As denúncias foram encaminhadas de forma anônima ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao Ministério Público do Distrito Federal, com pedidos de investigação.

De acordo com as denúncias, o ambiente de trabalho na creche teria se tornado hostil. Funcionários relatam intimidações constantes, pressão psicológica e perseguições, que teriam provocado crises de ansiedade, afastamentos e pedidos de demissão por adoecimento emocional. Outros profissionais afirmam terem sido desligados após questionarem decisões da gestão ou apontarem falhas nas condições de trabalho.

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Pais e responsáveis também relatam dificuldades no cuidado e no acompanhamento da rotina das crianças. Entre os casos citados, está a proibição da retirada antecipada dos alunos, mesmo em situações que exigiam administração de medicação. Familiares afirmam ainda que a direção da instituição dificulta ou impede a entrada dos pais no espaço escolar e restringe o contato com professoras e funcionárias, o que compromete a transparência e o acompanhamento do bem-estar das crianças.

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Material cedido ao Correio -
Material cedido ao Correio -
Material cedido ao Correio -

As condições sanitárias da creche também foram denunciadas. Segundo relatos, o Conselho Tutelar e a Vigilância Sanitária teriam identificado focos de escorpiões dentro da instituição, inclusive em áreas de recreação infantil. Há ainda denúncias da presença de ratos e de banheiros em condições precárias, com falta de higienização adequada, além da necessidade de reformas estruturais. 

Outro ponto questionado diz respeito à reutilização de materiais infantis. Profissionais afirmam que a gestão determinou o reaproveitamento de toalhas e forros pertencentes a crianças do Maternal II do ano anterior para uso por outros alunos em 2026.

Também foram denunciadas condições precárias de trabalho para a equipe de limpeza. Segundo os relatos, os profissionais não recebem equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados e chegam a realizar a remoção de animais peçonhentos, como escorpiões, sem luvas ou qualquer tipo de proteção, ficando expostos a riscos de acidentes e contaminações.

Ao Correio, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) confirmou o recebimento das denúncias. “Foram expedidos ofícios ao órgão regional competente da Secretaria de Educação para realização de visita técnica e coleta de informações. Até o momento, aguarda-se o retorno do órgão acionado”, afirmou, em nota. 

O que diz a Secretaria de Educação?

Em nota enviada à reportagem, a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) confirmou que recebeu as denúncias. “Encontram-se em apuração pela Corregedoria, sob sigilo”, afirmou.

A nota esclareceu que nenhum integrante da força de trabalho da creche pertence ao quadro de funcionários da pasta. “A instituição é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) parceira, entidade privada sem fins lucrativos e que, por meio de Termo de Colaboração, desempenha atividade de interesse público. O quadro de funcionários é composto por pessoal contratado pela própria entidade”, ressaltou.

Apesar de não ter nenhum funcionário da secretaria na creche, cabe à pasta monitorar as atividades prestadas pela instituição privada. “Eventuais omissões de servidores da SEEDF no exercício de tais atribuições também integram o escopo da apuração”, finalizou.

A reportagem entrou em contato com a diretora da Casa da Mãe Preta, porém não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.

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