Folia 2026

Eu na multidão: confira histórias de quem participa do carnaval de Brasília

Entre anônimos e famosos, milhares de pessoas foram fantasiadas às ruas para curtir a folia brasiliense

Entre os 1,4 milhão de foliões esperados para curtir o carnaval de Brasília, anônimos e famosos, não é difícil encontrar histórias de quem participa pela primeira vez, se fantasia de maneira original ou aproveita a festa, sozinho ou acompanhado, para se dar uma folga.

Uma das atrações mais aguardadas é Gretchen, que se apresentou, ontem, no Bloco das Montadas, um dos mais tradicionais da folia brasiliense. Em meio a bandeiras, fantasias e muita animação, a artista subiu ao palco no Museu Nacional da República, celebrando o encontro com cerca de 100 mil pessoas.

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Antes do show, ela falou com exclusividade ao Correio sobre a expectativa de participar do bloco pela primeira vez. "Eu ouvia dizer que o Montadas era um grande bloco, eu ainda não conhecia, mas estou muito feliz de estar aqui", afirmou. "Me disseram que está lotado. Espero que todo mundo ame esse repertório que nós fizemos exclusivamente para o bloco", completou.

A apresentação marcou também um momento especial na carreira da cantora, que voltou a conquistar as redes sociais e o público mais jovem com a viralização da música Freak Le Boom Boom, de 1975. Gretchen atribui essa nova fase, principalmente, aos fãs da comunidade LGBTQIAPN . "Tem sido muito legal e gratificante", afirmou.

No palco, a artista celebrou a renovação do público e a força do carnaval como espaço de diversidade, reencontros e consagração popular com músicas já conhecidas pelo público como Conga, de sua própria autoria, e a clássica 'Tic Tic Tac', que mistura influências amazônicas. O show levou os foliões à loucura com passos coreografados, versos na ponta da língua e muita alegria no ar.

Outro bloco tradicional, o Raparigueiros, também lotou a Esplanada dos Ministérios, reunindo foliões de diferentes idades e estilos. A professora Giovana Silva, 22 anos, participa do evento há quatro anos consecutivos ao lado de familiares e amigos. Segundo ela, a presença no bloco já se tornou um ritual anual do grupo. A cada edição, os integrantes escolhem coletivamente uma fantasia temática. Neste ano, os adereços foram produzidos de forma improvisada, devido à correria da rotina, mas sem abrir mão da tradição.

"A gente vem para dançar, curtir, extravasar e brincar, sempre de forma respeitosa. O mais legal é que as pessoas entram na brincadeira com a gente, sem exagero. Para mim, o carnaval aqui é divertido, respeitoso e muito zoeiro."

A educadora Gabriela Toledo escolheu as ruas do Plano Piloto ontem, para comemorar os 44 anos de vida. Em vez de uma festa tradicional, ela escolheu celebrar a data percorrendo diferentes blocos carnavalescos ao lado da família e de amigos.

Uma das paradas foi o Bloco System Safadown, que transformou o Setor Carnavalesco Sul em um grande palco de rock ao misturar guitarras pesadas com batidas carnavalescas. Criado em 2019, o grupo aposta em clássicos do rock em versão festiva e atraiu foliões de diferentes estilos.

Moradora de Águas Claras, Gabriela conta que o grupo decidiu circular pela região central de Brasília para aproveitar um pouco de cada atração. "A gente está passando por todos os bloquinhos, curtindo um pouquinho de cada, e não podíamos ficar sem curtir um som mais pesado também", disse. "Eu não sou muito fã de rock, mas a proposta do bloquinho é muito boa porque dá a oportunidade de ouvir coisas diferentes, conhecer outros estilos e curtir do mesmo jeito."

Chamando atenção por onde passava, o grupo, de cerca de 10 pessoas, estava fantasiado de galinhas. A ideia, segundo Gabriela, já virou tradição. "A gente resolveu fazer a fantasia das galinhas livres, então somos todas galinhas circulando pelo carnaval", explicou.

Ela conta, ainda, que nem sempre foi fã da folia. Durante muitos anos, evitou a festa, mas mudou de opinião recentemente. "Eu não curtia carnaval, mas de uns três anos pra cá comecei a frequentar os bloquinhos e simplesmente me apaixonei."

Para Gabriela, o que mais motiva a participação é o clima familiar e a sensação de segurança. "É muito divertido, é um ambiente de família. A gente se sente seguro e não troca isso por nada. É um espaço para todo mundo, com crianças, adultos, amigos, onde a gente consegue brincar o carnaval sem problema nenhum", disse.

Apaixonados

De Pierrot, com fantasias preparadas com antecedência e brilho nos olhos, Kamila Karen e Eduardo Antunes, ambos de 30 anos e moradores da Asa Norte, carregam uma relação antiga com o carnaval de Brasília. Frequentadores assíduos dos blocos da capital, eles não escondem o carinho pela festa local. "Somos acostumados e apaixonados pela festa aqui. O bloco das Montadas é o que a gente vem mais montados", contou o casal, que também marca presença no Bloco do Amor. O que os faz voltar todos os anos é a energia que encontram nas ruas. "A gente gosta da energia, de estar com os amigos, se divertir, é claro, e nos sentimos muito seguros e em casa, de fato", afirmou Eduardo.

Mesmo com a fama de que Brasília não é tradicionalmente um destino carnavalesco, para eles a folia na capital tem um significado especial. "É a melhor época do ano, e a gente sempre desconecta um pouco nesta época", comentou Kamila.

Fantasiados de Cruella e Dálmata, os irmãos Thales, 15 anos, e Matheus, 12, viveram a primeira experiência no carnaval de Brasília no Bloco das Montadas. Entre cores, brilho e performances cheias de personalidade, os dois circularam à vontade, celebrando a criatividade que os levou até ali. A inspiração veio da internet e de um gosto pessoal bem definido. "Cruella é minha vilã preferida", contou Thales. "Eu gostei da ideia e topei participar", completou Matheus. No bloco, o sentimento era unânime: estavam "adorando".

O incentivo para viver essa experiência partiu da mãe, Rosana Luz, 40 anos, que enxergou na festa uma oportunidade de ampliar repertórios e fortalecer valores. "Eu mostrei pra eles a programação dos bloquinhos e junto nós escolhemos esse", explicou. Para ela, a participação vai além da diversão e do colorido das fantasias. "Faz parte da cultura do brasileiro e é importante que eles desenvolvam esse gosto mesmo pela cultura brasileira, que eles acostumem aqui com os blocos e com as coisas que tem aqui na região de Brasília", destaca.

Também curtindo o carnaval pela primeira vez, Heitor Joaquim Brasil, de apenas 9 anos, transbordava de alegria na tarde de ontem, no bloco Carnapati. Morador de Taguatinga Norte, o pequeno nunca havia participado de uma folia de Momo e aproveitou ao lado dos pais, da irmã e do padrinho a oportunidade, para observar todas as atrações.

"Eu nunca tinha visto de perto uma festa de carnaval, estou muito empolgado com a música e principalmente com as fantasias. Me fantasiei de palhaço porque eu já tinha essa roupa e adereços em casa, e para não perder tempo. Vesti e vim conferir essa delícia de festa. Agora, quero participar sempre ao lado da minha família", disse.

Curtindo a agitação do bloco Desmaiô, Stephane Lopes, 34, moradora do Areal se deu de presente um dia de folia ontem. Ela optou por uma fantasia inusitada, que trazia na cabeça o lembrete: "Hoje estou solteira". Mais abaixo, outra mensagem: "Aproveita hoje, que amanhã estou com a cria".

"A fantasia foi uma brincadeira para me desligar do modo mãe, só hoje. Estou aproveitando o dia, mas sem esquecer do meu filho. Ontem, a diversão foi com ele, hoje estou sozinha, mas amanhã a folia com ele também está garantida."

CB Folia

Realizada pelo Correio Braziliense, a 9ª edição do Prêmio #CBFolia 2026 se consolida como o principal tributo à criatividade e à diversidade do carnaval do Distrito Federal. A avaliação é feita por uma Comissão Julgadora composta por profissionais experientes de jornalismo.

O público também participa na categoria Melhor Bloco de Rua — Voto Popular, com direito a um voto por pessoa, mediante uso obrigatório de um e-mail Gmail, garantindo a transparência do processo. Além disso, leitores podem enviar fotos para concorrer nas categorias de Melhor Fantasia Adulto e Infantil, avaliadas pelo júri técnico.

A votação é democrática e ocorre exclusivamente pelo site oficial: carnaval.correiobraziliense.com.br/2026.

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