
O Gran Folia, receptor oficial de blocos na Esplanada dos Ministérios, recebeu, neste domingo (15/2), o tradicional cortejo dos Raparigueiros. Foliões de diferentes idades e estilos ocuparam o espaço ao longo de toda a tarde e início da noite, mantendo viva a tradição carnavalesca de Brasília.
Criado em 1992 com a proposta de valorizar múltiplas expressões artísticas, o bloco preserva até hoje sua vocação cultural e popular. Com fantasias criativas, música alta e clima festivo, mais de 30 mil pessoas ocuparam o espaço, principalmente após o fim do Bloco das Montadas. A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) ficou responsável pela segurança do evento, o que tornou a curtição mais tranquila e sem grandes conflitos.
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Lá estava a aposentada Andreia Soares, 62 anos, que há uma década escolhe a mesma roupa para se fantasiar no carnaval: a palhaça. A fantasia carrega um significado que vai além da folia. Em 1999, Andreia iniciou um trabalho voluntário no Hospital de Base, onde, vestida de palhaça, visitava pacientes para levar conforto e alegria. A ação social durou 15 anos e marcou sua trajetória.
“Eu sempre gostei de trazer alegria para as pessoas. É muito bom tornar o carnaval saudável, levar alegria, sorrir, porque, às vezes, as pessoas são tão tristes e querem descarregar no carnaval suas tristezas. É sempre bom encontrar uma palhaça para levar sorriso, para levar amor, para levar um abraço, para mostrar que vale a pena. Qualquer problema pode ser aliviado com um sorriso”, conta.
Durante o cortejo, Andreia distribuiu pequenos corações e brinquedos para as crianças. “Isso é importante. Também gosto de ir com essa fantasia para asilos e orfanatos. As crianças recebem a fantasia maravilhosamente bem, pedem sempre para tirar foto”.
As amigas Nilce Ximenes, 61, moradora de Ceilândia, e Janaly Dagoberto, 50, de Taguatinga, mantêm uma tradição que já dura 15 carnavais: combinar as fantasias para curtir juntas a folia. Neste ano, solteiras, decidiram brincar com os opostos e foram vestidas de noiva do bem e noiva do mal. “Viemos para o Bloco dos Raparigueiros porque é o nosso favorito. Todo ano a gente segue eles, é tradição. É o bloco mais 'do povo' que tem. Tocam as melhores músicas, das antigas”, disse Nilce.
Os amigos Kleber Ribeiro, 50, influencer, e Wesley Rodrigues, 33, gestor hospitalar, optaram não por fantasias, mas por se vestirem da forma como queriam se expressar. Apostando em roupas femininas, com direito a decote, brilho e muita sensualidade, os dois celebraram a liberdade que o carnaval proporciona.
“Simplesmente fomos pegando adereços de amigas e irmãs e montando o look. O carnaval chega para aliviar a tensão que a gente vive no dia a dia. É importante que a gente se sinta livre, sem se importar com os julgamentos. É maravilhoso poder ser quem você quer ser. Percebo alguns olhares de surpresa, mas a minha leitura é que tem muita gente que gostaria de estar no meu lugar, fazendo o que eu estou fazendo, e não tem coragem”, afirmou Kleber.
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