
O diretor de Comercialização da Terracap, Julio Cesar Reis, comentou, durante o programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília —, sobre a área conhecida como Gleba A na Serrinha do Paranoá, incluída no projeto de lei que prevê o uso de imóveis públicos como garantia em possíveis operações de capitalização do Banco de Brasília (BRB). Aos jornalistas Ana Maria Campos e Roberto Fonseca, ele afirmou que o terreno não possui ocupações nem cursos d’água e está localizado em uma região considerada de expansão urbana do Distrito Federal, que pode ter até 35 mil residentes.
Segundo Reis, a área tem cerca de 716 hectares e pertence à Terracap. O terreno está nas proximidades da Torre de TV Digital e atrás do núcleo do Exército. Ele explicou que a área ainda não é considerada um imóvel urbano, mas pode ser urbanizada conforme a legislação do Distrito Federal.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
O diretor também rebateu críticas sobre possíveis impactos ambientais e sociais na região. “Não existe nenhuma ocupação, casa, condomínio, chacareiro — ninguém ocupa hoje essa área. E não existe dentro da área da Gleba A nenhum curso d’água, como pode ser observado pelo mapa”, disse.
De acordo com Reis, o Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) prevê uma densidade populacional de cerca de 50 habitantes por hectare para aquela região de expansão urbana. “Considerando uma área de 716 hectares, nós temos uma população de aproximadamente 35 mil pessoas residindo ali, seguindo todas as diretrizes de licenciamento ambiental, urbanístico e de implantação de infraestrutura que deverão ser consideradas no momento em que um projeto de parcelamento do solo for proposto”, afirmou.
Outro ponto levantado por ambientalistas diz respeito à presença de vegetação nativa do Cerrado na região. Segundo Reis, a vegetação original foi removida na década de 1970, quando a Proflora — empresa do Governo do Distrito Federal à época — realizou um projeto de reflorestamento com pinus. “A vegetação nativa já foi removida na década de 1970, quando a Proflora, que era uma empresa do Governo do Distrito Federal, promoveu ali um reflorestamento usando pinus”, explicou.
De acordo com ele, parte dessas árvores ainda permanece no local, embora esteja em processo de retirada. Por conta desse histórico, a vegetação atual não poderia ser classificada como Cerrado nativo. “Algumas dessas áreas têm esses mesmos pinus até hoje e eles estão sendo removidos agora. O que tem lá hoje não é uma vegetação nativa do Cerrado. Aquilo que existe é o que tecnicamente classificamos como ‘campo sujo’, que é uma classificação do nível de Cerrado existente ali”, disse.
Reis acrescentou que o uso de espécies exóticas, como pinus ou eucalipto, altera significativamente o solo e dificulta a regeneração natural da vegetação original. “Quando você usa uma cultura como pinus ou eucalipto, que são espécies exóticas, elas drenam completamente o solo daquela região. Anos após a retirada dessas árvores, a vegetação nativa tem muita dificuldade de se recompor”, afirmou.
Reis também explicou que, anteriormente, o terreno estava vinculado a um projeto de infraestrutura viária que previa ligar a região do Plano Piloto ao norte do Distrito Federal. A proposta incluía a participação da iniciativa privada por meio de uma parceria público-privada. “Certamente todos nós já ouvimos falar de um sistema viário que ligaria a região do Plano Piloto até a região norte da cidade. O governo chegou a estudar uma parceria público-privada e foi feito um procedimento de manifestação de interesse para a iniciativa privada. Um consórcio se apresentou e estudou a área com o intuito de, por meio da exploração imobiliária da Gleba A, conseguir os recursos necessários para construir esse sistema viário”, relatou.
Segundo ele, o projeto previa duas travessias ligando diferentes pontos da região do Lago Norte a Sobradinho, incluindo a construção de um túnel. A área seria utilizada como forma de viabilizar economicamente a obra. “Essa área seria dada em pagamento para a construção desse sistema viário. Recentemente houve uma mudança na estratégia do governo. Essa área deixou de ser considerada para esse fim. Isso não quer dizer que essas obras não possam ser construídas no futuro, mas serão feitas de outra forma”, explicou.
Com a mudança de estratégia, o terreno deixou de integrar o planejamento estratégico da Terracap para aquele projeto específico e passou a estar disponível para outras finalidades definidas pelo governo. “Agora esse imóvel não faz parte do planejamento estratégico da Terracap, porque ele já estava à disposição da Secretaria de Mobilidade para esse uso”, afirmou.
Sobre o possível impacto urbanístico da ocupação da área, o diretor destacou que as intervenções dependerão do projeto urbanístico que vier a ser elaborado. “Todas as intervenções necessárias ao parcelamento do solo urbano dependem do tipo de parcelamento que vai ser feito”, determinou.

Cidades DF
Cidades DF