Caso Master

Socorro ao BRB deve ser sancionado até segunda

Correio apurou que o Ibaneis Rocha vetará a maioria das emendas apresentadas pelos deputados distritais. Com isso, projeto volta à CLDF para análise dos parlamentares. Defesa do governador divulgou nota negando o envolvimento dele com Vorcaro

Após intensos debates, o PL 2.175/2026 foi aprovado por 14 votos a 10 na CLDF, na última terça-feira. Eventuais vetos de Ibaneis às emendas terão que ser analisados pelos parlamentares  -  (crédito:  Minervino Júnior/CB/D.A Press)
Após intensos debates, o PL 2.175/2026 foi aprovado por 14 votos a 10 na CLDF, na última terça-feira. Eventuais vetos de Ibaneis às emendas terão que ser analisados pelos parlamentares - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press)

O Projeto de Lei 2.175/2026, de socorro ao Banco de Brasília (BRB), deve ser sancionado e publicado no Diário Oficial do Distrito Federal até a próxima segunda-feira. O Correio apurou que o governador Ibaneis Rocha (MDB) vai vetar a maioria das sete emendas incluídas pelos deputados distritais na sessão que aprovou o PL, na última terça-feira. Com isso, o projeto voltará ao plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para que os parlamentares analisem os vetos e, só então, a lei será promulgada.  

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Questionado sobre o tema, Ibaneis afirmou que  "o projeto passará pelas áreas técnicas" e que, depois disso, tomará a decisão. O projeto está com o Executivo desde quinta-feira. A expectativa é de que os deputados apreciem eventuais vetos assim que o projeto for sancionado. Para entrar na pauta, é preciso haver consenso do Colégio de Líderes o que, segundo o presidente da Casa, Wellington Luiz (MDB), "não deve demorar". 

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O PL prevê a concessão de nove imóveis, pelo Governo do Distrito Federal (GDF), para serem usados como garantia pelo banco estatal. Técnicos do BRB trabalham para criar um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com essas áreas, a fim de assegurar liquidez à instituição e, com isso, reenquadrá-la nas exigências do Banco Central. A meta é resolver todas as pendências antes de 18 de março, quando acontece a Assembleia Geral do BRB para a operação de aumento de capital. 

Leia também: Socorro ao BRB: entenda as emendas ao projeto aprovadas pelos deputados

De acordo com o presidente do BRB, Nelson de Souza, o banco tem um menu de opções de aporte. "Temos subsidiárias que podemos vender participação, temos a carteira do Master, de R$ 21,9 bilhões, que ainda não vendemos nada, e podemos fazer um Fundo de Investimento de Direito Creditório", detalhou em entrevista após a aprovação do projeto na CLDF.

"Estratégia de guerra"

Na quinta-feira, diálogos vazados do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, com a namorada dele, respingaram em Ibaneis Rocha. Em uma das conversas, o banqueiro disse estar em Brasília com o governador "combinando uma estratégia de guerra" para viabilizar a compra da instituição pelo BRB.

Ontem, o grupo de advogados que defende o governador no caso BRB-Master — liderado pelo criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay — divulgou nota negando qualquer envolvimento de Ibaneis em negociações com Daniel Vorcaro. "Todas as tratativas sobre o Banco Master foram conduzidas pelo então presidente do BRB e a assessoria dele, de forma técnica e com autonomia. O governador Ibaneis não participou da negociação nem jamais discutiu estratégia negocial, até porque não detém conhecimento técnico na área e nem seria sua atribuição." 

Segundo a nota, "o BRB contava e conta com equipe altamente qualificada, com expertise e autonomia necessárias para conduzir negociações. O papel do governador se restringe a acompanhar e apoiar iniciativas de interesse da população e do GDF, que é acionista majoritário do banco, confiando nas revisões técnicas e encaminhamentos dos dirigentes".

Ao Correio, Ibaneis disse que os encontros com o banqueiro foram "pontuais e rápidos". "Nunca tratei de estratégia nenhuma, até porque de banco e de mercado financeiro eu não entendo nada", relatou o chefe do Executivo. 

O governador afirmou, ainda, que só deu apoio político à operação de compra do Master pelo BRB porque foi convencido pelo ex-presidente do banco. "O Paulo Henrique demonstrou, ao longo dos anos, ser um grande executivo e garantiu que a operação era favorável ao BRB, colocando o banco como o sexto do país", comentou.

Esclarecimentos

Na quarta-feira, o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) deu um prazo de 30 dias para que o BRB preste esclarecimentos sobre as operações com o Master. A instituição já havia enviado informações, mas o tribunal as considerou insuficientes e determinou o novo prazo, que termina em 4 de abril.

Na mesma sessão, o plenário do TCDF apreciou o pedido da Câmara Legislativa para que a Corte faça uma inspeção no Banco de Brasília. Em 28 de janeiro, o tribunal autorizou a realização de inspeção no Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF) e no próprio BRB, além da apuração dos efeitos da liquidação extrajudicial do Banco Master sobre o patrimônio do Fundo Solidário Garantidor (FSG). O processo corre em segredo de Justiça.

O Banco de Brasília informou que não foi notificado do novo prazo e seguirá colaborando com todos os pedidos do TCDF, nos prazos designados. "Ressalta, ainda, que procedimentos de inspeção são corriqueiros e inerentes à atuação como empresa pública", afirmou a instituição.

Emendas

Sete das 13 emendas apresentadas pelos deputados distritais ao PL 2.175/2026 foram aprovadas. O deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil) apresentou duas: uma para assegurar transparência à alienação dos bens integrados ao patrimônio do BRB e outra para garantir o princípio da proporcionalidade: se o prejuízo do banco for recuperado, ou se os imóveis valorizarem acima do necessário para salvar a estatal, o patrimônio excedente deve retornar ao dono original. 

Iniciativa dos deputados Wellington Luiz (MDB) e Pepa (PP), outras duas emendas incluem a exigência de que "toda medida de recomposição, reforço ou ampliação do patrimônio líquido ou do capital social do BRB com recursos ou bens públicos do Distrito Federal deverá estar acompanhada de plano formal de retorno econômico ao ente controlador".

A quinta emenda foi apresentada pelo deputado Hermeto (MDB) e trata da constituição de Fundos de Investimento Imobiliário (FII), tendo o DF como cotista inicial e o BRB como responsável pela estruturação do fundo.

A sexta, de autoria do deputado Jorge Vianna (PSD), visa assegurar o fortalecimento e a ampliação da participação acionária do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev/DF) nas operações de capitalização do BRB realizadas com bens públicos do DF.

Proposta pelo deputado Wellington Luiz (MDB), a sétima emenda aprovada estabelece que o DF deverá compensar, mediante bens imóveis de valor equivalente, os que são de propriedade da CEB, Caesb e Terracap. Originalmente, o texto do Executivo local estabelecia compensação apenas para a Terracap.

 

  • Banqueiro disse à namorada que estava com o governador
    Banqueiro disse à namorada que estava com o governador Foto: Divulgação
  • Ibaneis nega qualquer negociação com Daniel Vorcaro
    Ibaneis nega qualquer negociação com Daniel Vorcaro Foto: Ed Alves/CB/D.A Press
  • Nelson de Souza, presidente do BRB, deu explicações na CLDF
    Nelson de Souza, presidente do BRB, deu explicações na CLDF Foto: Ed Alves CB/DA Press
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postado em 07/03/2026 04:00
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