
“Estamos sendo lançados em uma atividade de alto risco biológico sem o treinamento de biossegurança exigido por lei”. O relato é de um bombeiro militar do Distrito Federal, ao Correio, que preferiu não se identificar, sobre a convocação da corporação para atuar na remoção de corpos durante a paralisação do Instituto de Medicina Legal (IML). De acordo com bombeiros ouvidos, a medida representa um “improviso perigoso”.
A falta de preparo adequado expõe os profissionais a riscos. “Uma palestra de poucas horas não capacita um bombeiro para manejar cadáveres em decomposição ou fluidos infectocontagiosos. É um improviso perigoso que ignora a nossa saúde”, afirmou. A convocação foi determinada pela Subsecretaria de Defesa Civil (Sudec), que convocou bombeiros para realizar remoções em vias públicas, hospitais e residências, funções que não fazem parte da rotina da corporação.
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O bombeiro também questiona o impacto da decisão na atuação do órgão. “Desvia a Defesa Civil de sua missão real de coordenação para tapar um buraco operacional da Polícia Civil”, concluiu.
A medida busca manter o funcionamento dos serviços diante da paralisação no IML, iniciada na última quarta-feira (18/3), mas gerou discordância. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios foi acionado sob a alegação de possível desvio de função.
Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que as ações para remoção de corpos estão sendo empreendidas pela Subsecretaria de Defesa Civil (SUDEC), sem participação do CBMDF (exceto aqueles já cedidos à Defesa Civil).

Cidades DF
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