
O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha contestou a convocação para depor na CPI do Crime Organizado, aprovada nesta terça-feira (31/3). Em entrevista ao Correio, disse não ver conexão entre a investigação conduzida pela comissão e a inclusão do próprio nome no processo. “A CPI é do crime organizado. Não entendo o que tem a ver comigo”, questionou. Ainda de acordo com Ibaneis, os advogados vão analisará o caso sob a hipótese de eventual desvio de finalidade.
Relator da comissão, o senador Alessandro Vieira afirmou que a convocação tem caráter obrigatório e busca esclarecer tratativas para uma possível aquisição do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central do Brasil em 2025, após a constatação de irregularidades.
Segundo o parlamentar, Ibaneis teve atuação ativa na defesa do negócio, hoje avaliado como prejudicial aos cofres públicos do Distrito Federal. Vieira também destacou que, por não ocuparem mais cargos executivos, os ex-governadores podem ser convocados diretamente pela CPI, sem os limites anteriormente impostos por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação a mandatos em exercício.
A medida também alcança o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e marca uma nova etapa dos trabalhos da CPI, voltada à apuração da infiltração de organizações criminosas na estrutura do Estado e de fraudes envolvendo o Banco Master. Ambos haviam sido convidados anteriormente, mas não compareceram.
No caso de Cláudio Castro, a justificativa envolve suspeitas de aprofundamento da influência de organizações criminosas na estrutura estadual, além de contratos firmados entre o Instituto de Previdência do Rio de Janeiro e o Banco Master, que somam valores próximos a R$ 1 bilhão. O ex-governador deverá prestar esclarecimentos sobre essas operações.
Durante a sessão, os senadores também reiteraram a convocação do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. De acordo com Vieira, a nova condição de testemunha impõe maior obrigatoriedade de comparecimento. O parlamentar argumenta que a análise da atuação da autoridade monetária é central para compreender as operações atribuídas ao Banco Master.
O relator ainda fez críticas a decisões recentes de ministros do STF, citando Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, que, segundo ele, teriam dificultado o avanço das investigações. Vieira afirmou que pretende recorrer e não descartou novas iniciativas no Congresso contra os ministros.
A CPI deve pedir a prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias. A comissão pretende aprofundar apurações que incluem possíveis conexões com fraudes no sistema previdenciário, conhecidas como “máfia do INSS”, além de avançar sobre a responsabilização de agentes públicos e financeiros envolvidos no caso.

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