A votação do PL nº 2.175/2026, que prevê medidas para a capitalização do Banco de Brasília (BRB), ocorreu em meio a debates acalorados tanto entre os parlamentares quanto na galeria do plenário da Câmara Legislativa do DF (CLDF), ocupada majoritariamente por servidores do BRB e da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). O clima de tensão marcou a sessão, que teve manifestações constantes do público presente.
Os grupos estavam em lados opostos em relação ao projeto. Servidores da Caesb, representados pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos (Sindágua-DF), posicionaram-se contra a proposta, alegando que o texto inclui um terreno da companhia como garantia em eventuais empréstimos a serem contratados pelo BRB.
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Já os funcionários do banco, representados pelo Sindicato dos Bancários, defenderam a aprovação da matéria, sob o argumento de que a medida é necessária para garantir a sobrevivência e o fortalecimento da instituição financeira.
Durante a votação, dois ocupantes da galeria foram retirados do plenário após interferirem na fala do deputado Pastor Daniel de Castro (PP). Um deles, trabalhador da Caesb, chegou a ser detido nas dependências da Casa. Segundo um representante do Sindágua, que preferiu não se identificar, o servidor teria sido conduzido de forma violenta, embora, de acordo com o sindicato, não houvesse manifestação agressiva por parte dele. Após o episódio, a entidade acionou sua assessoria jurídica.
A Presidência da Câmara Legislativa informou que a retirada foi determinada para garantir a ordem e o regular andamento da sessão. A Polícia Legislativa foi acionada e conduziu os manifestantes para fora do plenário e, posteriormente, para a área externa do prédio.
Distritais
O embate também se estendeu ao campo político. A deputada Paula Belmonte (PSDB) protagonizou um momento de tensão ao classificar o projeto como um "cheque em branco" ao governo. Durante sua fala, exibiu um cheque simbólico em nome do governador Ibaneis Rocha (MDB). "Ontem foi dada a palavra do governo, do presidente do BRB, que iam entregar o registro dos imóveis, a avaliação dos imóveis. Nós só temos o registro de três imóveis. Isso é um cheque em branco ou é outra coisa?", questionou. Após a declaração, foi vaiada por servidores do banco.
- Leia também: Manzoni pediu a volta do presidente do BRB e secretário de Economia; requerimento rejeitado
O deputado Chico Vigilante (PT) também foi alvo de vaias ao anunciar voto contrário ao projeto. Após votação, o distrital Fábio Felix (PSol), que votou contra, declarou que saiu envergonhado do plenário. "Lamentável, a proposta do governo está cheia de irregularidades e ilegalidades, é um cheque em branco", comentou, reiterando que a medida não vai salvar o banco, e sim camuflar o verdadeiro problema. "Eles vão tentar jogar esse problema, esse rombo bilionário para depois da eleição", disse.
O deputado distrital Thiago Manzoni (PL) apresentou um requerimento que solicitava a ida do presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson de Souza, e o secretário de Economia do DF, Daniel Izaias, para prestarem esclarecimentos referentes à situação atual do banco. Por 15 votos a 9, os deputados distritais rejeitaram o requerimento em plenário. Parlamentares, como o deputado Hermeto (MDB), alegaram que o presidente do BRB passou 12 horas na Casa na segunda-feira e que os esclarecimentos teriam sido esgotados. Por conta disso, o parlamentar, que é da base governista, votou contrário ao PL. "O presidente não trouxe documento nenhum, ele só falou. Se não tem documento para comprovar o que ele está falando, não tem meu voto", afirmou.
Já o deputado distrital Roosevelt Vilela (PL) defendeu, no plenário, a aprovação do Projeto de Lei 2175/2026 e alertou para o risco de liquidação da instituição caso a proposta não seja votada com urgência. O parlamentar classificou como "infeliz" o episódio envolvendo o BRB e o Banco Master, mas afirmou que eventuais irregularidades devem ser apuradas pelas autoridades competentes. "Isso tem que ser tratado pela polícia. Agora nós temos que salvar o BRB, que é um patrimônio de Brasília", declarou.
Também com voto a favor, o deputado distrital Joaquim Roriz Neto (PL) admitiu que é uma "infeliz necessidade", uma vez que, segundo ele, após a exposição de motivos do presidente do banco, Nelson de Souza, ficou claro que o BRB vai parar, caso a proposta não seja aprovada. "É uma solução ideal? Não. Não é uma solução ideal, mas é necessário. Então, eu vou fazer parte desse grupo de deputados que vai colocar, sim, a cara a tapa, porque a população vai questionar", ressaltou Roriz Neto. "Então, estamos aqui tratando da aprovação desse projeto para resgatar o BRB e para manter os milhares de empregos", defendeu.
