Após a prisão do fonoaudiólogo Thiago Oliveira Lima, 37 anos, na última quarta-feira (11/3), mais quatro denúncias foram feitas contra ele entre a noite de quarta e a manhã desta quinta (12/3). Ao todo, cinco crianças teriam sido abusadas pelo homem durante os atendimentos em uma clínica especializada no atendimento de crianças que no espectro autista, em Taguatinga.
O caso está sendo investigado pela 21ª Delegacia (Taguatinga Sul). Segundo a delegada Elizabeth Frade, as denúncias foram feitas após a divulgação do caso. A delegada afirmou que o relato mais comum dos pais e mães que denunciaram o fonoaudiólogo se tratava da mudança de comportamento das crianças após consultas com Thiago. “As crianças demonstravam reação de choro ao vê-lo. Em três das quatro ocorrências, observamos esse comportamento: choro, resistência ao atendimento e crises de apreensão ao estarem na presença dele”, afirmou.
As mudanças de comportamento das crianças não foram percebidas somente pelas famílias das crianças. A delegada comentou ao Correio que as câmeras do hall de entrada da clínica registraram as crianças chorando após sair do consultório. “A sala onde ele fazia os atendimentos não possui câmera. A clínica forneceu as imagens e é possível ver as crianças chorando muito após os atendimentos”, explicou. Entre os registros, Elizabeth Frade comenta que, em uma das filmagens, uma criança é vista abrindo as pernas de forma repetitiva, como se algo estivesse a incomodando. “Vamos analisar de forma mais profunda essas imagens que só foram fornecidas ontem [quarta-feira]”, acrescentou.
Perícia
Em uma das provas apresentadas na primeira denúncia, a mãe de uma menina de quatro anos encontrou um fio de cabelo na fralda da filha. Os resultados dos laudos periciais ainda não foram concluídos, entretanto, a delegada afirmou que cerca de 45 novas amostras de DNA foram colhidas no consultório onde Thiago realizava os atendimentos. “Esses fluídos serão analisados e, só assim, poderemos identificar sua natureza, se é sêmen ou saliva, por exemplo”, disse.
À polícia, as mães afirmaram que acreditam que os abusos aconteciam durante os atendimentos. Um dos pontos que reforçam a suspeita são relatos de fraldas frouxas após sessões com Thiago. “Quando as mães iam trocar as fraldas, percebiam que o elástico estava frouxo, como se alguém tivesse mexido”, explicou a Elizabeth Frade.
Entre outros comportamentos, a delegada frisou que uma das mães alegou estranheza ao ver o profissional, volta e meia, com os pacientes no colo. Esse não teria sido o único comportamento estranho percebido pelas mães. “Em outra ocasião, uma mãe comentou que, durante uma avaliação de atendimento, ele foi mexer na mochila de trabalho que ele leva para a clínica e, de dentro dela, caiu uma camisinha”, disse a delegada. Segundo o relato ouvido por Elizabeth, Thiago pegou a camisinha com naturalidade e não pediu desculpas pelo ocorrido. A mãe, após o episódio, não quis que o fonoaudiólogo atendesse a criança.
Thiago foi preso de forma temporária após a primeira denúncia. Somente após os resultados da perícia é que a prisão poderá sofrer algum tipo de alteração. A reportagem tenta localizar o contato da defesa de Thiago. O espaço está aberto para manifestações.
