A Universidade do Distrito Federal Professor Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF) inaugurou, nesta segunda-feira (16/3), um novo campus em Ceilândia. A unidade, com capacidade para até 3 mil estudantes por turno, faz parte da estratégia de expansão do ensino superior público na capital.
A cerimônia contou com a presença do governador Ibaneis Rocha, que destacou a criação da universidade distrital, instituída em 2021, como parte de uma política mais ampla para a educação. “E nós conseguimos fechar um ciclo aqui dentro do Distrito Federal. Desde as creches até chegar à faculdade”, afirmou.
O novo campus conta com salas de aula, biblioteca, laboratórios, auditório e áreas administrativas. A proposta é ampliar o acesso ao ensino superior público em uma das regiões mais populosas do Distrito Federal, reduzindo a necessidade de deslocamento de estudantes para outras áreas.
Segundo a reitora temporária da UnDF, Simone Benck, a demanda por vagas é alta. “Só no terceiro ano do ensino médio, a gente tem aproximadamente 20 mil a 25 mil estudantes sendo formados todo ano. Desses, em torno de 15 mil a 17 mil não conseguem nenhuma vaga no mercado de trabalho, tampouco uma vaga numa universidade pública”, disse.
Atualmente, a UnDF tem 1.631 estudantes matriculados em 19 cursos de graduação e cerca de 900 ingressantes por ano. De acordo com a universidade, as unidades em funcionamento operam próximas do limite de capacidade, especialmente em relação a salas de aula e laboratórios.
A ocupação do campus de Ceilândia será gradual. A previsão é que os primeiros cursos comecem ainda neste semestre, incluindo enfermagem, letras, atuação cênica, gestão ambiental, psicologia, nutrição, entre outros. Na fase inicial, a expectativa é atender entre 500 e 600 estudantes.
O vice-reitor Sérgio Carreira afirmou que a escolha da região levou em conta a demanda e a localização. “A universidade foi criada com a missão de ser multicampi. Com a chegada a Ceilândia, ampliamos a capacidade de atendimento”, declarou.
Estudantes pedem suspensão de transferência
Apesar da expansão, estudantes da UnDF criticam a transferência de cursos do Campus Norte, localizado no Lago Norte próximo ao shopping Iguatemi, para um prédio alugado do Centro Universitário IESB, também em Ceilândia.
Bárbara Oliveira, representante do Diretório Central Acadêmico da Universidade do Distrito Federal, a comunidade não é contrária à criação do novo campus, mas questiona a retirada de cursos já existentes.
“Não somos contra a criação de um campus em Ceilândia. Pelo contrário, defendemos a expansão da universidade. O problema é retirar cursos do Campus Norte e obrigar alunos que já estão matriculados a mudar completamente sua rotina”, afirmou.
Outro ponto que gera preocupação é o contrato de aluguel do espaço, estimado em mais de R$ 110 milhões por cinco anos. Os estudantes apontam falta de clareza sobre o futuro da universidade após o término do acordo.
Levantamento do Diretório Central Acadêmico (DCA) indica risco de evasão. Em algumas turmas consultadas, até metade dos alunos afirmou que poderia abandonar o curso diante das dificuldades de deslocamento e do aumento de custos.
Outro ponto levantado é o uso do orçamento da universidade para o pagamento do aluguel. Segundo representantes estudantis, os recursos são os mesmos que financiam políticas de permanência, como bolsas e auxílios. “A preocupação é que recursos fundamentais para a permanência estudantil estejam sendo direcionados para pagar aluguel de um prédio privado”, disse.
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