O Sindicombustíveis-DF se pronunciou, nesta sexta-feira (27/3), após a operação da Polícia Federal que investiga possíveis práticas abusivas na formação de preços em postos de combustíveis em 11 unidades da Federação e no Distrito Federal. Em nota, a entidade afirmou que os aumentos recentes não podem ser atribuídos diretamente à revenda e apontou as distribuidoras como principal fator de pressão sobre os preços.
Segundo o sindicato, os postos não compram combustíveis diretamente da Petrobras, mas, sim, das distribuidoras, que já teriam aplicado reajustes expressivos nas últimas semanas. A entidade relaciona esses aumentos ao cenário internacional do petróleo, especialmente à guerra no Irã, que elevou os custos de importação.
"O momento exige seriedade, verdade e responsabilidade pública. O setor segue comprometido com a transparência, com o abastecimento e com a busca de soluções que evitem impactos ainda maiores para a população", afirmou o presidente da entidade, Paulo Tavares.
De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis citados pelo sindicato, o preço médio da gasolina no DF passou de R$ 6,42 em 28 de fevereiro para R$ 6,54 em meados de março. Já o diesel saltou de R$ 6,08 para R$ 6,63 no mesmo período. Ainda assim, segundo a entidade, os reajustes nas bombas ficaram abaixo dos aumentos praticados pelas distribuidoras, que chegaram a até R$ 0,31 na gasolina e R$ 1,15 no diesel.
O sindicato também destacou que parte relevante do abastecimento nacional depende de importações (cerca de 35% do diesel e 10% da gasolina) o que expõe o mercado interno à volatilidade internacional. No Distrito Federal, a situação seria ainda mais sensível: cerca de 22% dos postos são de bandeira branca e dependem diretamente de importadores.
A entidade afirma que, diante desse cenário, as margens da revenda têm sido comprimidas. "Os números são públicos e demonstram a evolução dos custos. As margens vêm sendo reduzidas, o que pode ser comprovado por documentos contábeis", diz a nota.
Apesar das críticas à percepção de que os postos seriam responsáveis pelos aumentos, o sindicato declarou apoio às ações de fiscalização. “Somos apoiadores das ações dos órgãos de controle quanto a possíveis práticas de reajustes sem os devidos esclarecimentos”, afirmou.
Entenda o caso
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (27/3), uma operação para fiscalização em postos de combustíveis em 11 estados e no Distrito Federal. O objetivo da ação é identificar práticas abusivas na formação de preços e possíveis irregularidades na comercialização de gasolina, etanol e diesel.
Segundo a PF, as medidas visam identificar indícios de aumentos considerados injustificados em diferentes regiões do país, além de denúncias de consumidores sobre possíveis práticas irregulares, como cartelização, adulteração de combustíveis e descumprimento de normas de informação ao público.
A ação ocorre em meio a pressão internacional sobre os preços de combustíveis, impulsionado pela instabilidade no Oriente Médio. Conflitos na região afetam diretamente o preço do petróleo, insumo base para gasolina e diesel.
No Brasil, a formação de preços envolve diferentes etapas da cadeia: refino, mistura de biocombustíveis, distribuição, transporte e carga tributária. Segundo o setor, a etapa de distribuição ainda é considerada pouco transparente, com pouca divulgação detalhada de custos.
Além disso, mudanças estruturais no mercado, como a redução da atuação da Petrobras em áreas estratégicas, como refino e distribuição, também são apontadas como fatores que aumentam a dependência de importações e a exposição a oscilações externas.
A operação da Polícia Federal, batizada de “Vem Diesel”, busca justamente verificar se há abusos nessa cadeia, incluindo práticas como cartelização, manipulação de preços e descumprimento de regras de transparência ao consumidor.
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