O protagonismo das mulheres negras e os desafios estruturais enfrentados na periferia estiveram no centro das discussões do CB.Debate — Ceilândia em movimento, realizado nesta terça-feira (31/3) pelo Correio Braziliense. Antes do evento, a produtora cultural e integrante do Comitê da Marcha das Mulheres Negras do DF, Thânisia Cruz, destacou a importância da organização coletiva como ferramenta de transformação social na maior região administrativa do Distrito Federal.
Nascida em Ceilândia, Thânisia ressaltou a conexão entre sua trajetória pessoal e a atuação no território. “Sou filha de Ceilândia, nasci na cidade em 1992. Hoje, sou ativista e uma pessoa interessada na educação”, afirmou. Para ela, o movimento de mulheres negras tem papel fundamental não apenas na cidade, mas em todo o país. “É um movimento importante em todo o Brasil e, no contexto de Ceilândia, ganha ainda mais força pela natureza da cidade, que tem um número expressivo de mulheres e de pessoas negras”, explicou.
Segundo a ativista, a atuação desses coletivos amplia espaços de fala e oportunidades dentro da periferia. “É um movimento que vem para representar e construir oportunidades de vozes naquele território. Temos diversas formas de expressão, seja na cultura, na moda ou na educação”, destacou.
Thânisia chamou atenção para a necessidade de avanços concretos em políticas públicas voltadas às mulheres negras, especialmente nas áreas de mobilidade urbana, acesso à educação e mercado de trabalho. “Se pensarmos em mobilidade urbana, por exemplo, ela é crucial para as mulheres negras. O acesso à creche, à escola e ao trabalho digno está diretamente ligado à qualidade de vida”, afirmou.
Outro ponto destacado por ela foi o impacto da violência de gênero e a necessidade de tratar o tema como questão de saúde pública. “A redução da mortalidade de mulheres é urgente. O que vemos hoje, para mim, se aproxima de uma epidemia, de um genocídio. Isso afeta diretamente a sociedade e os cofres públicos, porque é também uma questão de saúde pública”, alertou.
Ao comentar a realização do primeiro evento do Correio Braziliense voltado exclusivamente à Ceilândia, Thânisia demonstrou expectativa de que o debate ultrapasse os limites físicos do encontro. “Espero que várias pessoas da Ceilândia possam acessar esse conteúdo, mesmo que não estejam aqui presentes. Que consigam entender os dados, a realidade da nossa cidade e, principalmente, pensar o futuro”, afirmou.
Para a integrante do evento, o debate ocorre em um momento simbólico, logo após o aniversário da cidade, e deve contribuir para enfrentar estigmas históricos. “A Ceilândia é um espaço extremamente estigmatizado, tanto pela sua origem quanto pela forma como foi construída e pelas decisões públicas que impactam o território”, pontuou. “É muito importante estarmos aqui para discutir possibilidades, oportunidades e políticas públicas que possam melhorar a vida de milhares de pessoas — inclusive da minha família, que vive na Ceilândia”, completou.
CB.Debate
Ceilândia em Movimento ocorre na sede do Correio Braziliense e celebra os 55 anos da maior região administrativa do DF. O evento reúne lideranças políticas, do setor produtivo e da cultura para discutir o futuro da cidade, com cobertura completa em tempo real pelo site e redes sociais do jornal.
Você pode participar enviando perguntas e comentários pela hashtag #CBDebate ou acompanhar a transmissão ao vivo pelo canal oficial do Correio no YouTube. Para conferir a lista de painelistas e os destaques sobre economia, cultura e infraestrutura, acesse correiobraziliense.com.br/cidades.
