ENTREVISTA

Secretário do Trabalho prevê até 25 mil qualificações profissionais em 2026

Ao CB.Poder, o secretário de Trabalho do Distrito Federal, Thales Mendes, falou sobre programa do governo voltado à preparação de pessoas para o mercado de trabalho com 12 mil vagas abertas, e o projeto em discussão para criar mais polos industriais no DF

 09/04/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF - Thales Mendes, secretário de Trabalho, é o entrevistado do CB.Poder -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
09/04/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF - Thales Mendes, secretário de Trabalho, é o entrevistado do CB.Poder - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Por Manuela Sá*

A capacitação de profissionais no Distrito Federal foi um dos temas discutidos no programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Aos jornalistas Sibele Negromonte e Ronayre Nunes, o secretário de Trabalho do Distrito Federal, Thales Mendes, falou também sobre a possibilidade de novos polos industriais e a formalização de plataformas de motoristas de aplicativos. Confira, a seguir, os principais pontos.

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O que a secretaria tem feito para qualificar trabalhadores para que eles consigam uma posição melhor de trabalho? 

Brasília fez um investimento em relação à qualificação profissional nesses últimos seis anos. Se somar todos os estados da Federação, não chega ao investimento que foi feito aqui. Nós fizemos uma pesquisa, inicialmente, das principais profissões que mais contratam no DF e nós identificamos a carência de pessoas nessas áreas. Então, nós preparamos diversos cursos de qualificação. O Qualifica DF vai qualificar, este ano, quase 25 mil pessoas nas 70 profissões que mais contratam no DF. Sabendo dessa necessidade de mercado, nós estamos construindo esses profissionais para que eles possam ocupar essas vagas. Então, nós daremos início, no comecinho de maio, ao segundo ciclo do Qualifica com mais ou menos 12 mil alunos em sala de aula. As matrículas ainda estão abertas. Aqueles que fizeram a sua inscrição e que precisam consolidar a sua matrícula, façam isso.

E como funciona?

São cursos presenciais de mais ou menos 240 horas, que dá mais ou menos três meses de curso 100% presencial na prática. Há uma diferença bacana nesse curso: a gente convida as empresas a participarem. Nós temos empresas que, inclusive, estão ofertando o seu espaço físico no período noturno para que o local seja uma escola, justamente pela necessidade de captação desses profissionais. Muitos alunos saem empregados. Na turma de pet shop, por exemplo, 90% dos seus alunos saem contratados, às vezes, antes mesmo de terminar o curso. As empresas estão lá buscando e vão conversando com os professores, vão tendo acesso às avaliações e vão selecionando os alunos. O mercado, por si só, organiza-se. Mas, se tiver ajuda do Estado, fica mais fácil.

Uma das novidades da pasta é que vão surgir alguns novos polos industriais nos próximos meses. O que exatamente vocês estão promovendo? 

É uma novidade que eu não posso abrir totalmente. É uma proposta que nós vamos levar à governadora Celina Leão, que, logo que assumiu, pediu para que nós desenhássemos um novo plano de desenvolvimento para a cidade, contemplando a criação, inclusive, de novos polos industriais para que a gente pudesse atrair empresas e, consequentemente, contratar mais pessoas. Nós fizemos um estudo junto à Terracap para ver onde é que, possivelmente, seriam essas áreas. Esse estudo está sendo acompanhado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do DF (Seduh), que traça o perfil desses empreendimentos para que a gente consiga colocar o maior número de códigos Cnaes (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) possíveis nessas áreas. 

A formalização nas plataformas de motoristas de aplicativo deve acontecer? 

Esse é um tema que está sendo discutido em nível nacional. O Congresso Nacional tem uma lei que está tratando disso. Tem medida provisória sendo construída regulamentando essa atividade. Agora, o que eu vou colocar aqui é uma opinião pessoal. Acho que precisa existir algum tipo de vínculo desses trabalhadores de aplicativos com as empresas que prestam esse serviço. Não é justo que essas empresas venham aqui, montem um escritório, recrutem mais de 5 mil pessoas, que é o caso dos motoristas de aplicativo, e achem que não têm vínculo nenhum com essas pessoas. Elas vivem e recebem por meio de uma parceria com essas empresas. É importante que se trate com respeito esse trabalhador. É preciso que ele tenha garantias como qualquer trabalhador e que tenha todos os seus benefícios previdenciários respeitados porque, no momento em que um trabalhador sofre um acidente, quem paga a conta? É o trabalhador ou a empresa para a qual ele prestava o serviço? Essas discussões precisam existir. Os estados estão atentos em relação a isso. Nós ocupamos, hoje, a cadeira de vice-presidente do Fórum Nacional de Secretários do Trabalho. Esse é um tema que está latente. Nós estamos em discussão com o Ministério do Trabalho e Emprego para tentar construir uma saída em conjunto, não somente uma saída vindo dos gabinetes do Palácio do Planalto.

Para as pessoas que estão interessadas na capacitação e em vagas de emprego, qual é o caminho para conseguir isso? 

Procure a Agência do Trabalhador. Vamos ajudar você a construir o seu currículo com todas as suas experiências profissionais, direcionada para aquela vaga que já está aberta, para que você seja mais assertivo. Nós temos o site da secretaria no https://sedet.df.gov.br/, tem o aplicativo nacional SINE Fácil e há 17 agências do trabalhador de forma física.

*Estagiária sob supervisão de Patrick Selvatti 

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postado em 10/04/2026 02:00
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