CB Debate

"Novos caminhos para serem superados", diz Celina sobre desenvolvimento de Brasília

Correio reúne autoridades, representantes do setor produtivo e acadêmicos para debater os rumos da capital federal. Para a governadora Celina Leão, "o crescimento traz barreiras a serem superadas, mas também abre oportunidades"

A governadora Celina Leão (PP) comentou sobre o constante desenvolvimento em mais de seis décadas de existência da cidade -  (crédito: Fotos: Ed Alves/CB/D.A.Press)
A governadora Celina Leão (PP) comentou sobre o constante desenvolvimento em mais de seis décadas de existência da cidade - (crédito: Fotos: Ed Alves/CB/D.A.Press)

Aos 66 anos, Brasília se consolidou como exemplo no funcionamento da máquina pública e na qualidade de vida de seus moradores, mas ainda tem muito a avançar em áreas como o desenvolvimento tecnológico, diversificação da economia e combate à desigualdade. O aniversário, em 21 de abril, pede uma reflexão sobre os rumos do Planalto Central e, para isso, o Correio convidou, nesta terça-feira (14/4), autoridades, acadêmicos e representantes do setor produtivo para o evento CB Debate: Brasília, 66 anos — Uma Cidade em Constante Transformação, realizado na sede do jornal.

No discurso de apresentação, a governadora Celina Leão (PP) comentou sobre o constante desenvolvimento da cidade em suas mais de seis décadas de existência. Para a chefe do Executivo, o crescimento de Brasília traz novas barreiras a serem superadas, mas também abre novos caminhos. "Quanto mais a cidade cresce, mais a demanda continua crescendo. Isso não pode ser visto só como um desafio, mas também como uma oportunidade", observou. 

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A governadora destacou os bons índices de desenvolvimento de Brasília. "Temos a segunda melhor segurança pública do Brasil, além de sermos a cidade com a melhor qualidade de vida no país. Muita gente vem para cá atrás de oportunidades", ressaltou.

No quesito desafios, porém, Celina comentou que o Distrito Federal precisa diversificar sua economia para poder ganhar destaque no país e criar um futuro mais sustentável financeiramente, com menor dependência dos recursos públicos federais. "Precisamos pensar em uma matriz econômica diferente da que temos hoje para mudar o DF em termos de projeção nacional. Estamos elaborando um planejamento estratégico com energia limpa e ideias sustentáveis", frisou Celina. "Temos que ser uma cidade que produz e entrega. Não podemos depender apenas do Fundo Constitucional (do Centro-Oeste), que sempre está sendo alvo de debates", completou.

A governadora ressaltou a importância da inovação para o desenvolvimento de Brasília. "Precisamos pensar em desenvolvimento tecnológico. Temos uma grande margem para transformar o espaço dessa cidade em um Vale do Silício do Brasil", afirmou, referindo-se ao maior polo de inovação, tecnologia e startups do mundo, localizado na Califórnia. Nesse sentido, ela mencionou a decisão de lançar a Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico dentro da estrutura do Governo do Distrito Federal (GDF). "Precisamos ser vanguarda na entrega de políticas públicas", ressaltou. 

Durante o debate, a governadora informou que estão sendo desenvolvidos estudos técnicos estruturantes para a implementação do metrô no Gama e de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) entre Ceilândia e Taguatinga. "Essa parte de infraestrutura vai dar uma robustez diferente. Quando fazemos esse tipo de investimento, colocamos nossa cidade também no eixo da tecnologia. O desenvolvimento estruturante segue vários eixos. Nós ainda vamos entregar muitas ações", anunciou. A chefe do Executivo também ressaltou a presença da Universidade de Brasília (UnB) como motor de desenvolvimento da cidade. "Temos outras excelentes universidades também. Essa rede de conhecimento é importante para que possamos pensar uma capital mais desenvolvida", salientou.

Na área de segurança e moradia, a governadora mencionou que, pela primeira vez, o GDF está realizando um sistema de monitoramento de áreas públicas. "Estamos fazendo um monitoramento 24 horas para impedir a ação dos grileiros", informou. "A grilagem virou uma cultura. Precisamos fazer justiça social para quem precisa, mas isso (moradias) tem que ser doado pelo Estado com uma infraestrutura mínima básica, para que não fique mais caro e não tenha um criminoso no meio (o grileiro) ganhando recursos de pessoas mais simples", defendeu.

Sistema de Justiça

Brasília cresceu de mãos dadas com suas instituições, incluindo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), inaugurado com a capital — assim como o Correio. De acordo com o presidente em exercício da Corte, desembargador Roberval Belinati, o tribunal já julgou quase 12 milhões de processos desde sua criação, segundo um levantamento interno. Mesmo com a digitalização, arquivos antigos, em papel, ainda são armazenados em galpões na capital federal.

 

Desembargador Roberval Belinati no evento  "Brasília 66 Anos: uma cidade em constante transformação"
O presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), desembargador Roberval Belinati, destacou que a Corte já julgou quase 12 milhões de processos desde sua criação (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

"Constatamos que, desde 1960, quando foi estruturado o TJ aqui, na capital, nosso tribunal julgou quase 12 milhões de processos. Isso envolve milhares de pessoas. Hoje, nós não temos mais processos em papel, é tudo digitalizado. Mas ainda temos 7 milhões de processos em papel nos cinco galpões de arquivos que o TJ tem em Brasília", comentou o desembargador. Tramitam, atualmente, 1,5 milhão de processos digitais, em todas as áreas do direito.

"O TJDFT hoje, mesmo de porte médio, é considerado um dos tribunais mais avançados do nosso país, e tem investido tudo o que pode nessa área da tecnologia. O que existe de mais moderno nessa área, o nosso Tribunal de Justiça vem adotando e desenvolvendo", comentou Belinati. Ele enfatizou que a Corte conta com 48 desembargadores, quase 400 magistrados e 10 mil funcionários, atuando 24 horas por dia. Porém, na criação de Brasília, Juscelino teve dificuldade para atrair magistrados. "Nós começamos com sete desembargadores, porque a maioria não queria deixar o Rio de Janeiro. E o tribunal, desde 1960, vem acompanhando o desenvolvimento de Brasília, e não parou. À medida que a capital cresce, o tribunal também tem que acompanhar", disse Belinati.

Para o desembargador, a Corte possui um papel central para os três milhões de habitantes do Distrito Federal, especialmente para a pacificação e resolução de conflitos. "A qualquer momento do dia em que você precisar de um juiz, de um desembargador, para resolver uma emergência, haverá. Você vai encontrar um magistrado de plantão falando em nome do Judiciário. Então, nós, do TJDFT, temos essa missão de pacificar a sociedade, levar a tranquilidade e a solução dos problemas para as nossas famílias", frisou.

O magistrado destacou a importância de Brasília para sua carreira no direito e para sua vida pessoal, fazendo votos pelo futuro da cidade. "Eu espero para Brasília uma cidade cada vez mais amorosa. É a terra da esperança, do amor, da alegria. É onde vivemos cuidando dos nossos filhos, netos e amigos. Me perguntam 'até quando você vai morar em Brasília?'. Até quando Deus permitir", disse Belinati.

Integração

Na abertura do debate, o presidente do Correio, Guilherme Machado, destacou a construção da cidade, idealizada pelo presidente Juscelino Kubitschek, e a participação de trabalhadores de diversas regiões do país.  "Aos 66 anos, temos como desafios crescer sem perder a essência, modernizar sem esquecer o plano original, incluir, gerar emprego", declarou. Ele também frisou que o Distrito Federal é muito maior do que apenas a região central da cidade. "Temos que cuidar das regiões administrativas, que são tão Brasília quanto a Esplanada, porque Brasília não é apenas o Plano Piloto, é Sol Nascente, é Planaltina, é Samambaia, é uma capital feita de muitos Brasis", afirmou.

Guilherme Machado
O presidente do Correio, Guilherme Machado, destacou a construção da cidade, idealizada pelo presidente Juscelino Kubitschek, e a participação de trabalhadores de diversas regiões do país (foto: Ed Alves)

Segundo Machado, a cidade foi concebida como símbolo de modernização e integração nacional. "Brasília nasceu para intregar, para tirar o poder do litoral e colocar no centro do país para ser símbolo de um Brasil moderno que olha pra frente, e ela cumpriu. Virou patrimônio mundial", enfatizou. O presidente do Correio relembrou a atuação dos idealizadores do projeto e o processo de construção da capital, que durou cerca de quatro anos, entre 1956 e 1960. "Aqui, Juscelino Kubitschek sonhou, Oscar Niemeyer desenhou curvas no concreto, Lucio Costa traçou um avião no chão do Cerrado, e milhares de candangos vieram de todo canto do país, com coragem nas mãos, erguer cada prédio, cada ponte, cada quadra", disse.

*Estagiário sob a supervisão de José Carlos Vieira

 

  • Desembargador Roberval Belinati no evento
    O presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), desembargador Roberval Belinati, destacou que a Corte já julgou quase 12 milhões de processos desde sua criação Foto: Ed Alves/CB/D.A Press
  • O presidente do Correio, Guilherme Machado, destacou a construção da cidade, idealizada pelo presidente Juscelino Kubitschek, e a participação de trabalhadores de diversas regiões do país
    O presidente do Correio, Guilherme Machado, destacou a construção da cidade, idealizada pelo presidente Juscelino Kubitschek, e a participação de trabalhadores de diversas regiões do país Foto: Ed Alves
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postado em 15/04/2026 02:00
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