
O promotor do Ministério Público do DF (MPDFT) Nathan da Silva classificou a chacina que dizimou 10 pessoas da mesma família como um “empreendimento das trevas”. Segundo a autoridade, a barbárie foi resultado de uma ação “organizada há meses, friamente calculada e desejada”.
São julgados Fabrício Silva, Horácio Carlos, Gideon Batista, Carlos Henrique e Carlomam dos Santos. Ao iniciar sua fala, o promotor pediu um minuto de silêncio em memória das vítimas e classificou o caso como algo que “transborda o conceito técnico de chacina”, definindo-o como um “familicídio”.
Segundo o representante do Ministério Público, o crime foi planejado “nos mínimos detalhes”, com definição prévia de local, recursos, armas, veículos e divisão de tarefas entre os envolvidos. Para ele, a morte do patriarca Marcos Antônio marcou o ponto de não retorno da sequência criminosa. “A morte de Marcos já anunciava a morte das demais vítimas”, afirmou.
Na sustentação, o promotor direcionou críticas duras aos cinco acusados. Sobre Gideon Batista, disse tratar-se do “mais cínico de todos”, com “potencial de corromper mentes” e capacidade de “acusar inocentes para se eximir”. Já Horácio Carlos foi descrito como um “escudeiro” que “se anula para seguir orientações” e que, em plenário, optou pelo silêncio para não contrariar o suposto líder.
Em relação a Fabrício Silva, o promotor sustentou que o réu tentou “lavar as mãos”, embora, segundo a acusação, tivesse pleno conhecimento da dinâmica criminosa. “Ele viu Marcos agonizando, soube do esquartejamento, sabia onde o corpo estava e, ainda assim, permaneceu aliado”, declarou.
O promotor também afirmou que Fabrício esteve no cativeiro antes da chegada das vítimas e participou da destruição de provas, incluindo a limpeza do local e a queima de vestígios.
Sobre Carlomam dos Santos, o membro do Ministério Público rejeitou a versão de que o acusado teria sido apenas influenciado pelos demais. Para Nathan, mesmo sendo mais jovem, ele possuía experiência no crime e poderia ter resistido. “Não se sustenta a tentativa de se colocar como vítima”, disse.
O promotor concluiu que todos os réus tiveram participação essencial no que chamou de “empreendimento das trevas”. “Não há inocentes entre eles. Todos contribuíram para a eliminação de uma família inteira”, afirmou.
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