O rebaixamento dos ratings do Banco de Brasília (BRB) de BBB- para CCC+ pela Moody’s Local representa uma queda expressiva na escala de risco de crédito. A avaliação é do especialista em mercado financeiro e análise macroeconômica da Armada Asset, Marcos Valadão.
Segundo ele, o banco deixou o último nível do grau de investimento na escala nacional e passou a um patamar que, nas palavras da própria agência, indica “qualidade de crédito muito fraca” e proximidade de default sem um aporte de capital. “E os ratings seguem em revisão para novo rebaixamento”, afirma. Para quem não está familiarizado com o termo, “default” ocorre quando uma instituição não consegue honrar suas obrigações financeiras, ou seja, entra em risco de calote.
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Valadão detalha o cenário: em junho de 2025 — último dado disponível, já que o banco não publica demonstrações financeiras há quase um ano — o BRB possuía R$ 74,5 bilhões em ativos e cerca de R$ 4 bilhões em patrimônio líquido. A estimativa da Moody’s é de que seriam necessários ao menos R$ 6,6 bilhões para recompor esse patrimônio, valor superior ao próprio capital do banco.
Ele ressalta ainda que os índices de capital da instituição já vinham próximos do mínimo regulatório desde 2022, antes mesmo do episódio envolvendo o Banco Master, o que agrava a percepção de risco.
De acordo com o especialista, o ponto mais sensível para a população do Distrito Federal é o crédito. “O BRB é um dos principais financiadores do mercado imobiliário de Brasília, atendendo construtoras, incorporadoras e compradores de imóveis. O próprio relatório da Moody’s indica que, para conter perdas, o banco vem cedendo sua carteira de crédito core, especialmente, nas linhas de consignado e financiamento imobiliário”, afirma.
Segundo ele, esse movimento não paralisa o mercado, já que outras instituições continuam operando com taxas competitivas e conseguem absorver parte da demanda. “Mas há impactos: reduz a concorrência, concentra o crédito e retira do jogo um player que historicamente viabiliza lançamentos e financiamentos na capital”, explica.
O especialista acrescenta que, com o rebaixamento do rating, o custo de captação do BRB, historicamente baixo, segundo a própria Moody’s, tende a aumentar. “Isso acaba sendo repassado ao consumidor, encarecendo o crédito para quem ainda contrata com o banco”, completa.
A assembleia de acionistas marcada para 22 de abril surge como o próximo ponto decisivo. Sem a apresentação de um plano consistente de capitalização, o risco de sanções regulatórias, e até mesmo de uma eventual intervenção do Banco Central, deixa de ser apenas hipotético e passa a ganhar contornos mais concretos.
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