Na companhia da irmã e da mãe, um adolescente de 14 anos foi abordado e agredido, segundo a família, por agentes da Polícia Militar do Distrito Federal, na Cidade Estrutural, neste domingo (5/4). O rapaz estava em um quiosque de açaí, local que costuma frequentar, quando os policiais iniciaram a revista. Segundo familiares, o garoto foi agredido pelos agentes.
De acordo com a mãe, o adolescente foi algemado com força excessiva, em meio a socos. "É uma situação muito revoltante, ainda mais pelo fato de não ter tido motivo para isso", disse a mulher, que preferiu não ser identificada. Ainda durante a abordagem, a irmã do adolescente buscou interceder, mas teria sido ofendida por um dos policiais.
De acordo com os familiares, a mãe do rapaz também tentou dialogar para entender a razão da abordagem, mas foi impedida de acompanhar o filho e orientada a se retirar do local. O garoto foi encaminhado à 8ª Delegacia de Polícia, sendo posteriormente dispensado.
Nas imagens do ocorrido, o garoto é visto sendo empurrado contra a parede e, depois, levado para o carro da polícia. Familiares da vítima relatam que, com os socos, as marcas roxas ficaram espalhadas pelo corpo da vítima, que também estava com escoriações no joelho e no cotovelo. Não está claro o motivo que levou os policiais a abordar o garoto. A família registrou um boletim de ocorrência e realizou exame de corpo de delito.
Nota
O delegado Rafael Catunda, da 8ª Delegacia de Polícia, informou que o caso está sendo apurado. Segundo o delegado, os policiais militares relataram que a abordagem e condução à delegacia decorreu em razão da ausência de identificação do rapaz, no momento da revista. Conforme descrito pelos agentes, o jovem foi levado para que fosse verificado eventual existência de mandado de internação em aberto.
O delegado informou, ainda, que o adolescente foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), para que fossem realizados os exames periciais, afim de verificar a existência de lesões causadas no momento da abordagem.
"Paralelamente, os fatos foram submetidos à apreciação da autoridade policial competente, tendo sido deliberado o encaminhamento à Corregedoria da Polícia Militar do Distrito Federal, para apuração de eventual conduta irregular por parte dos agentes envolvidos", acrescenta.
Em nota, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) negou qualquer excesso e afirmou que a abordagem ocorreu após o jovem se recusar a apresentar identificação durante um patrulhamento de rotina. Segundo a corporação, os agentes agiram no "estrito cumprimento do dever" e não houve agressão física. A PM ressaltou ainda que o adolescente já possui histórico por ato infracional análogo ao crime de ameaça em uma escola no Cruzeiro.
