ENTREVISTA

'O banco continuará sendo uma empresa ícone de Brasília', diz Nelson

Presidente afirma que alertas internos foram feitos, mas nem todos seguidos em operações sob suspeita

Durante participação no programa CB Poder, o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson de Souza, afirmou que a maior parte dos funcionários da instituição atua alinhada às regras de governança e compliance, mesmo diante de alertas sobre irregularidades em operações recentes.

“A esmagadora maioria dos empregados do BRB tem compromisso com o correto, com a governança e o compliance”, declarou. Segundo ele, houve diversos avisos internos relacionados a riscos em operações envolvendo carteiras de crédito, mas parte desses alertas não foi seguida dentro dos trâmites esperados.

O presidente destacou que a própria auditoria interna identificou falhas nesse processo. “Tiveram vários alertas sobre esse assunto e não foram seguidos dentro do que cabe em uma boa governança”, afirmou. As inconsistências estariam ligadas, principalmente, à aquisição de carteiras que, ao longo do tempo, perderam qualidade.

Nelson de Souza também reforçou que o banco adotou medidas para encaminhar os achados aos órgãos responsáveis. De acordo com ele, as informações foram enviadas de forma sigilosa à Polícia Federal, ao Banco Central do Brasil, à Comissão de Valores Mobiliários, à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal. Ele ressaltou, no entanto, que a avaliação sobre eventual crime não cabe ao banco, mas às autoridades competentes.

Capitalização e balanço

O presidente afirmou que o cronograma de capitalização do BRB segue mantido. Segundo ele, o documento foi inicialmente entregue em 6 de fevereiro e reforçado na última semana, conforme solicitações do órgão regulador. De acordo com o dirigente, a prioridade é garantir a integralização do capital até 29 de maio. “Nós reforçamos na última semana e levamos o plano de capital, conforme solicitado”, disse.

Entre as ações em andamento, Nelson destacou negociações envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de outras medidas internas que seguem em tratativas. Segundo ele, essas ações podem reduzir a necessidade de captação total estimada anteriormente em cerca de R$ 6,6 bilhões.

Já o balanço do segundo semestre de 2025 tem divulgação prevista para 30 de maio.

O presidente também reforçou a confiança na instituição e na equipe do banco. Segundo ele, o BRB deve manter sua atuação no Distrito Federal. “O banco continuará sendo uma empresa ícone de Brasília e não vai quebrar”, concluiu. 

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