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UnB inaugura exposição fotográfica sobre a biodiversidade do Cerrado

Fotógrafos capturam a alma dos parques ecológicos do DF, despertam para a necessidade de preservação e levam a exuberância do Cerrado ao câmpus da UnB em Planaltina

Quem conhece o câmpus da Universidade de Brasília em Planaltina (FUP) sabe que os prédios são rodeados por vegetação, cuja fauna e flora são carinhosamente preservadas por estudantes e pela comunidade acadêmica. Dessa vez, o Cerrado foi para dentro de um dos edifícios: o Ana Maria Primavesi, o mais antigo da FUP, que abriga a exposição do Prêmio Onça Pintada de Fotografia.

O projeto, realizado com o apoio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), selecionou 20 obras quadrípticas, isto é, composições de quatro painéis que narram histórias fragmentadas, para valorizar a biodiversidade e despertar o olhar sobre os quase 100 parques ecológicos do DF.

A escolha de Planaltina como palco não foi por acaso. Para o organizador do evento, professor e produtor cultural Leonio Matos, levar a exposição para a cidade é um ato de fortalecimento da cena local e de educação ambiental.

"Ainda que tenhamos tantos parques, nem todos estão estruturados para receber a comunidade. Então, a ideia é despertar nos cidadãos não apenas o senso de que podem ocupar aquele espaço — com limites e respeito, claro —, a fim de viver a riqueza de estar em natureza, mas também de que devem cobrar e contribuir para sua preservação", explica o idealizador do projeto.

Vladimir Luz -
Kayo Magalhães/CB/D.A Press -
Denize Passos -
Vladimir Luz -
Denize Passos -
Vladimir Luz -
Kayo Magalhaes -
Kayo Magalhaes -
Kayo Magalhães/CB/D.A Press -

Para Leonio, ocupar o hall da FUP, cercado por cursos como Gestão Ambiental e Educação do Campo, é dialogar com quem vive o território e precisa cobrar por espaços de arte. "A fotografia sempre foi um aliado potente para denunciar e conscientizar. Se o ser humano é capaz de destruir, ele também tem potencial de manter e transformar", pontua o professor. 

Dos 55 inscritos no Prêmio, 20 foram selecionados, entre fotógrafos amadores e profissionais. São eles: Adeilton Oliveira, Bety Morais, Caio Marins, Davenir Filho, Denize Passos, Ediane Bays, Edu Borges, Elaine Piva, Gabriel Migão, Guilherme Bays, João Pedro Oliveira dos Santos, Kayo Magalhães, Márcio Borsoi, Marco Ribeiro, Qyã, Rafael Lavenère, Rogério de Castro, Val Costa, Vladimir Luz e ZÉLÚ.

Conexão e técnica

O afeto pelo Cerrado e a importância da preservação são os temas do trabalho do fotógrafo Kayo Magalhães. As imagens, feitas em 2023, ilustraram uma reportagem do Correio publicada naquele mesmo ano e contam a história do Sítio das Neves que, por meio da dedicação de quatro décadas do sociólogo e ambientalista Eugênio Giovenardi, tornou-se uma área de preservação ambiental permanente, localizada na área rural de Samambaia. 

"Estar com ele foi praticamente uma aula. Ele explicava com alegria a importância dos cupins, dos pássaros e dos morcegos", recorda Kayo. Para o fotógrafo, o clima leve transformou a pauta em passeio. "As fotos foram espontâneas. O Eugênio ia falando, e eu, fotografando. Isso mostra que a relação dele com a natureza é uma conexão imediata".

O encantamento com o Sítio das Neves foi materializado no trabalho do fotógrafo por meio de técnicas que levaram em conta, principalmente, o controle correto da iluminação. "O dia era ensolarado, porém, com tantas árvores, alguns trechos ficavam escuros. Então, eu precisei ficar atento para não perder nenhuma foto por falta ou excesso de luz", explica. 

Urgência do bioma

Para o fotógrafo Vladimir Luz, além do controle da exposição, enquadramentos mais próximos foram fundamentais para capturar a urgência do bioma, em imagens que registraram incêndios no Parque Floresta dos Pinheiros, no Paranoá, em 2025. Na ocasião, o profissional acompanhou os bombeiros no combate ao fogo. 

"A fumaça e o calor alteravam bastante a luz, deixando a cena mais difusa e exigindo adaptação constante. Busquei alternar entre planos abertos, para mostrar a dimensão do incêndio, e enquadramentos mais próximos, focando em detalhes e texturas", destaca.

O registro do fotógrafo, que desenvolve trabalhos voltados a questões sociais, culturais e ambientais, foi feito em um cenário intenso, com fumaça densa, cheiro forte de queimado e som constante do fogo e das ações de combate. "Meu objetivo era capturar não só o fogo, mas o impacto dele no território e o esforço humano envolvido no combate às chamas", relembra. 

Vínculo com a terra

Para a fotógrafa Denize Passos, participar do prêmio lhe trouxe a oportunidade de representar a riqueza do Parque Ecológico Três Meninas, em Samambaia, cuja admiração é antiga. Ao lado da amiga e modelo Késsia Krahô, ela construiu um ensaio baseado na ideia de colheita — de plantas e de aprendizados.

"Usei uma cesta de buriti como símbolo desse vínculo com a terra. Em cenas mais iluminadas, explorei contornos mais marcados; já nas áreas de sombra, procurei uma atmosfera mais suave e sensível. No enquadramento, não queria isolar a modelo, mas colocá-la em relação com o ambiente, usando folhas e galhos no primeiro plano", detalha Denize.

O propósito do ensaio, segundo a fotógrafa, foi criar uma sensação quase onírica, uma beleza que surge do estranhamento, "algo entre o delicado e o abismal", pontua.

Expectativa

Para quem visita, o impacto é imediato. É o caso da publicitária Christine Souza, 28 anos, que se sentiu provocada a explorar mais a própria cidade. "A gente vê a parte linda, os pássaros alimentando os filhotes, mas também o dano que o ser humano causa. Bate um choque de realidade", diz.

Para ela, ver essas narrativas contadas em Planaltina, onde mora, traz o sentimento de pertencimento. "A arte vive de contar histórias e escrever memórias. Olhar para os nossos parques, inclusive os daqui, e aprender a cuidar deles por meio da fotografia é emocionante", relata. 

A expectativa de Kayo é de que o público se sinta incentivado a cuidar do bioma. "Se temos a comunicação como ferramenta para conscientizar as pessoas, devemos usá-la", comenta. Para Vladimir, a mostra dá visibilidade a um tema urgente. "Espero que os visitantes se sintam provocados a olhar o cerrado com mais respeito e responsabilidade", afirma. Na mesma linha, Denize espera que a exposição siga como um convite à reflexão. "Se algum visitante sair tocado por alguma imagem, para mim, já é suficiente", diz. 

A recepção da exposição, segundo Leonio, tem sido positiva. "Creio que o público tem captado a mensagem de que, apesar dos desafios, também há beleza. Porque, senão, vivemos em uma ansiedade constante de que está tudo indo para o ralo. As fotografias, porém, mostram que ainda há esperança", destaca o produtor.

Como eleger as fotos

EXPOSIÇÃO DO PRÊMIO DE FOTOGRAFIA ONÇA PINTADA

Até 30 de abril, é possível votar e escolher, pelas redes sociais, os três primeiros colocados no concurso. A premiação é de R$ 3.500 para o primeiro lugar, R$ 2.500 para o segundo e R$ 1.500 para o terceiro. Todos os artistas selecionados recebem R$ 500 pela participação. O anúncio dos vencedores e o lançamento do catálogo digital da exposição serão feitos em 14 de maio, data de encerramento da mostra. As visitações podem ser feitas das 9h às 17h, no hall do Edifício Ana Maria Primavesi, no câmpus da FUP. A entrada é gratuita.

 

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Exposição do Prêmio de Fotografia Onça PintadaAté 30 de abril, é possível votar e escolher, pelas redes sociais, os três primeiros colocados no concurso. A premiação é de R$ 3.500 para o primeiro lugar, R$ 2.500 para o segundo e R$ 1.500 para o terceiro.

Até 30 de abril, é possível votar e escolher, pelas redes sociais, os três primeiros colocados no concurso. A premiação é de R$ 3.500 para o primeiro lugar, R$ 2.500 para o segundo e R$ 1.500 para o terceiro. Todos os artistas selecionados recebem R$ 500 pela participação.

O anúncio dos vencedores e o lançamento do catálogo digital da exposição serão feitos em 14 de maio, data de encerramento da mostra. As visitações podem ser feitas das 9h às 17h, no hall do Edifício Ana Maria Primavesi, no campus da FUP. A entrada é gratuita.