Podcast do Correio

"Nenhum país proíbe escala por lei", diz integrante da Abrasel DF

João Alberto Pinheiro, do Conselho de Administração da Abrasel DF, comenta sobre o projeto de lei para o fim da escala 6 x 1. Também fala sobre o Festival Brasil Sabor, com gastronomia a preços acessíveis

João Alberto Ribeiro Pinheiro, do Conselho de administração da Abrasel DF, e as jornalistas Adriana Bernardes (C) e Mariana Niedeauer  -  (crédito: Cassia André/CB/D.A Press)
João Alberto Ribeiro Pinheiro, do Conselho de administração da Abrasel DF, e as jornalistas Adriana Bernardes (C) e Mariana Niedeauer - (crédito: Cassia André/CB/D.A Press)

Por Manuela Sá* — João Alberto Ribeiro Pinheiro, membro do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Bares e Restaurante do Distrito Federal (Abrasel DF) falou, nesta sexta-feira (8/5), em entrevista ao Podcast do Correio, sobre projeto de lei para fim da escala 6x1. Às jornalistas Adriana Bernardes e Mariana Niederauer, ele avaliou que a proposta deveria ser voltada somente à jornada de trabalho e não à escala, como é a discussão hoje. 

De acordo com Pinheiro, a Abrasel DF concorda com o objetivo final da proposta, que é trazer avanços para as relações trabalhistas. Para ele, seria importante reduzir as 44 horas semanais para 40. No entanto, a associação se posiciona contrária a uma parte do projeto de lei. Ele destacou que é importante diferenciar escala de jornada de trabalho. "Nenhum país do mundo proíbe qualquer tipo de escala por lei", destacou. 

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Pinheiro apontou que há dois pontos principais que devem ser levados em consideração. O primeiro é que a mudança na escala traria aumento de custos. Segundo ele, para que o comércio continue abrindo nos mesmos dias e nos mesmos horários, as empresas teriam que contratar mais, o que faria com que os custos da mão de obra aumentassem em cerca de 20%. Ele também lembrou da Reforma Tributária, que está entrando gradativamente em vigor e que vai aumentar os custos de alguns serviços.

Como resultado dessas mudanças, Pinheiro afirmou que as classes baixa e média seriam penalizadas. De acordo com o diretor, além do setor privado, o público passaria por dificuldades. "Eu comecei a ouvir prefeitos falando que não conseguem absorver esse aumento nas suas folhas de pagamento. Prefeituras se questionam como vão manter a prestação de serviços com a elevação do custo, se elas não têm caixa para pagar?", ponderou.

O segundo ponto ressaltado por Pinheiro foi a viabilidade da proposta. Ele contou que empresas têm encontrado dificuldades para contratar mão de obra. Em seus restaurantes, por exemplo, há 20 vagas abertas. Nesse cenário, com a necessidade de mais trabalhadores, achar funcionários para completar a equipe seria um desafio. Na interpretação dele, a proibição da escala 6x1 também causaria aumento da informalidade do trabalho, uma vez que empresas se sentiriam incentivadas a contratar pessoas jurídicas. 

O empresário se posicionou favorável à redução da jornada. Para ele, isso poderia causar um aumento da produtividade, como aconteceu em outros países. O conhecimento aliado à tecnologia ajudaria os trabalhadores a produzirem mais em menos tempo. "Com mais estudo, preparação e tecnologia, o funcionário vai conseguir produzir melhor. Você vai conseguir trabalhar menos horas por semana e entregar o que precisa", defendeu. 

Entre os desafios enfrentados pelo mercado empresarial, Pinheiro destacou o endividamento, que não é exclusivo da população. Esse seria um dos fatores responsáveis por diminuir o poder de compra dos brasileiros, o que traz dificuldades para a economia como um todo. "Infelizmente, está acontecendo em todas as áreas do nosso país, começando pelo governo", disse. 

Brasil Sabor

Para finalizar, Pinheiro falou sobre a vigésima edição do Festival Brasil Sabor, que ocorre no país todo simultaneamente de 14 a 31 de maio.

No Distrito Federal, há 88 restaurantes cadastrados. Neste ano, o tema do evento é a A Seleção da Cozinha Brasileira, fazendo alusão à Copa do Mundo. Com entrada, prato principal e sobremesa, o restaurante pode escolher uma entre quatro categorias de preço: R$ 59,90, R$ 79,90,
R$ 99,90 e R$ 119,90.

Nesta edição, há uma novidade, o Circuito Gourmet, aplicativo por meio do qual o público pode marcar os restaurantes que visitou. Se a pessoa for em três restaurantes, ganha um jogo americano assinado por Augusto Corrêa, artista brasiliense com síndrome de Down. Interessados que desejam provar diferentes sabores podem verificar a lista de participantes no site brasilsabor.com.br.

Assista ao podcast

*Estagiária sob supervisão de Malcia Afonso

FRASE

Eu comecei a ouvir prefeitos falando que não conseguem absorver esse aumento nas suas folhas de pagamento. Prefeituras se questionam como vão manter a prestação de serviços com a elevação do custo, se elas não têm caixa para pagar?”

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postado em 09/05/2026 07:00
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