
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Souza, afirmou nesta sexta-feira (29/5), em entrevista ao CB.Poder, que o acordo firmado entre o banco e o governo federal representa uma virada para a instituição financeira. Segundo ele, a conciliação homologada no Supremo Tribunal Federal (STF) inaugura “um novo momento” para o BRB após um período considerado desafiador. “O BRB começa a sair de uma maneira contundente de uma situação desafiadora”, declarou. O acordo foi fechado na quinta-feira (28/5), em audiência de conciliação coordenada pelo ministro Luiz Fux.
Para Nelson, o entendimento firmado devolve o banco à posição que “sempre deveria estar”. “Esse acordo traz um novo momento para o Banco de Brasília, e estamos felizes com isso”, afirmou. O presidente classificou a operação como uma “engenharia financeira inédita no mercado financeiro brasileiro”. De acordo com ele, o banco será socorrido por meio de recursos privados articulados pelo sistema financeiro nacional.
Segundo Nelson, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) irá emprestar ao Governo do Distrito Federal (GDF) um valor correspondente a cerca de 16% da Receita Corrente Líquida do DF, o que representa aproximadamente R$ 6,5 bilhões a R$ 6,6 bilhões. A operação terá como garantia a fiança de grandes bancos brasileiros. “Como contragarantia a esses bancos, entram os fluxos financeiros do Fundo de Participação dos Estados e do Fundo de Participação dos Municípios”, explicou.
Ele ressaltou que toda a operação está sendo conduzida “dentro da lei, com responsabilidade e transparência”. Nelson também destacou que o modelo do acordo foge do padrão normalmente adotado no sistema financeiro. “Geralmente, quando um banco precisa de capital, ele busca recursos mais voltados para liquidez. Nesse caso, foi algo muito mais amplo. O mercado acredita no Banco de Brasília”, afirmou.
Próximos passos
O presidente do BRB informou que, além da conciliação, o banco deverá apresentar um plano de negócios para garantir retorno sobre os investimentos realizados e assegurar o cumprimento das obrigações assumidas no acordo.
“O acordo foi fruto de muitas reuniões. O BRB também deve apresentar um plano de negócios que mostre capacidade de retorno do que está sendo investido para honrar os compromissos, especialmente o pagamento das parcelas”, disse.
Segundo Nelson, o valor de R$ 6,6 bilhões deverá ser pago em um prazo de 15 anos, com carência de 18 meses. As taxas de juros ainda estão em negociação. “O banco está solicitando IPCA mais um delta, mas tudo depende da negociação com o FGC”, explicou.
Para ele, a medida ajuda a restabelecer a confiança na instituição. “Com isso, o banco volta a ter a credibilidade que sempre teve. Não somente para o povo de Brasília, mas para o Brasil todo”, afirmou.
Nelson também comentou os impactos imediatos após a primeira audiência realizada em 26 de maio. Segundo ele, a percepção do mercado em relação ao BRB já começou a mudar, refletindo diretamente na captação da instituição.
“Clientes que tinham saído por algum temor ou medo hoje estão devolvendo esses recursos ao BRB porque perceberam que o mercado acredita no banco e que ele é viável. A liquidez do banco está totalmente diferente”, declarou.
O presidente ainda destacou a relação histórica entre a população do Distrito Federal e o banco. “O BRB é muito querido pelo povo de Brasília. Eu digo sempre que o BRB é a empresa ícone do povo de Brasília, uma empresa amada”, concluiu.

Cidades DF
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