Infraestrutura

Obras em piscinas da Água Mineral estão à espera de laudo técnico

Fechamento desde fevereiro, sem data de reabertura, afeta visitantes na Água Mineral. ICMBio aponta falhas estruturais

Com as temperaturas atingindo a marca dos 30°C no Distrito Federal, as piscinas da Água Mineral, tradicional refúgio dos brasilienses em dias quentes, permanecem fechadas. E não há qualquer previsão oficial de reabertura. Localizadas no Parque Nacional de Brasília, as piscinas Pedreira e Areal, que recebiam até três mil pessoas, estão interditadas há mais de dois meses.

A interdição foi determinada em 24 de fevereiro pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pela administração do parque. A medida, segundo o instituto, foi preventiva e motivada pela necessidade de realizar uma vistoria detalhada nas estruturas após o período de chuvas intensas que atingiram o parque.

Segundo o órgão, a empresa contratada para realizar uma avaliação técnica completa está dentro do prazo de 90 dias para a entrega do laudo final. "Quando entregarem o laudo, poderemos abrir a licitação", destacou o ICMBio.

O fechamento das piscinas reflete na queda do número de frequentadores. Em janeiro, foram 23.463 visitantes. Em fevereiro, caiu para 11.791. Já em março, depois da interdição, apenas 1.494 pessoas visitaram o parque. 

Problemas

Os primeiros levantamentos identificaram uma série de problemas que comprometem a segurança dos frequentadores, como infiltrações em pisos e paredes, falhas no sistema de vedação, erosão do solo, comprometimento na fixação das pedras e falhas no sistema de drenagem do local.

Além disso, foi constatado que parte do sistema de escoamento da piscina Areal cedeu, enquanto a da Pedreira também apresenta risco iminente de ruptura. "Tudo isso causou a impossibilidade de atender aos banhistas com segurança", informou o instituto.

A partir desse documento, será possível elaborar um projeto de recuperação estrutural das piscinas. O instituto ressaltou que não se trata apenas de uma manutenção simples, mas de uma obra mais complexa. "A situação pede uma intervenção com resultados duradouros e não apenas manutenção, como vinha sendo feita desde sua construção", comunicou.

Trilhas

Essa já é a interdição mais longa das piscinas desde o período de restrições impostas pela pandemia de covid-19. Apesar disso, o parque segue funcionando normalmente em outras áreas. Visitantes ainda podem aproveitar atrações como a Trilha da Capivara, que inclui a experiência de "banho de floresta", a Ilha da Meditação, além das trilhas do sistema Cristal Água e o percurso do Arco Brasília, que conecta o parque à Floresta Nacional de Brasília. A administração ressalta que este pode ser um momento oportuno para explorar o parque além das piscinas.

Mesmo com essas alternativas, o impacto da interdição é sentido por quem frequenta o local, especialmente em dias de calor intenso. Não foi autorizada a entrada no parque à reportagem, que conversou com os banhistas do lado de fora. A estudante de medicina veterinária Jéssica Rocha, 20 anos, contou que foi ao local esperando se refrescar, mas teve os planos frustrados. "Eu ia aproveitar minha folga e dar uma nadadinha, porque está calor, mas descobri que as piscinas estavam interditadas. É muito frustrante", relatou.

Jéssica também destacou a importância do espaço como opção de lazer acessível para a população. "Acredito que o divertimento e o lazer são uma parte muito importante da nossa cidade. Um espaço como esse não pode ficar tanto tempo interditado, ainda mais agora nesse período quente e de seca", afirmou. Diante do fechamento, ela precisou mudar os planos. "Vou ver se acho outro lugar para ir, para dar uma refrescada porque em Brasília está muito quente", acrescentou.

Turistas que visitam a capital também têm sido impactados. É o caso de Glades Jímenez, que veio de Montevidéu, no Uruguai, com o filho Júlio e a nora Mônica, e tinha expectativa de conhecer as piscinas. "Ouvimos falar muito bem do parque. Viemos conhecer, mas estávamos com a expectativa da piscina, mas não deu certo", contou. Ainda assim, ela destacou aspectos positivos da visita. "Aproveitamos a natureza, ficamos com vontade de ver um macaquinho que não vimos, mas muito feliz, muito lindo", disse.

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