PNAD Contínua

Renda sobe no DF, mas desigualdade aumenta e é a maior do país

Dados do IBGE mostram que Distrito Federal teve maior índice de desigualdade do país em 2025, apesar do avanço da renda média e do aumento do rendimento per capita

O Distrito Federal voltou a registrar, em 2025, o maior nível de desigualdade de renda do Brasil. Dados divulgados nesta sexta-feira (8/5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da PNAD Contínua, mostram que o índice de Gini do rendimento domiciliar per capita chegou a 0,570 na capital federal, o maior entre todas as unidades da Federação.

O índice de Gini mede a concentração de renda e varia de zero a um. Quanto mais próximo de um, maior é a desigualdade. Segundo o levantamento, o DF apresentou aumento da desigualdade pelo terceiro ano consecutivo.

Ao mesmo tempo, o Distrito Federal manteve a posição de maior rendimento médio domiciliar per capita do país. Em 2025, o valor chegou a R$ 4.401, crescimento de 27,7% em relação a 2024, quando era de R$ 3.447.

Diferença entre ricos e pobres aumenta

A pesquisa mostra que os 10% da população com maiores rendimentos no DF receberam, em média, R$ 18.575 por pessoa em 2025. O valor é 19,7 vezes maior do que o rendimento médio dos 40% da população com menores rendimentos, estimado em R$ 941.

A diferença fica ainda maior quando analisado o grupo de 1% da população com maior renda. Nesse caso, o rendimento médio per capita chegou a R$ 43.048, valor 45,7 vezes superior ao recebido pelos 40% mais pobres.

Os dados indicam que, embora a renda tenha crescido em diferentes faixas da população, o avanço foi mais acelerado entre os grupos de maior rendimento.

Mais pessoas com algum tipo de rendimento

Em 2025, cerca de 2,03 milhões de pessoas no Distrito Federal tinham algum tipo de rendimento, o equivalente a 67,8% da população residente. Segundo o IBGE, este é o maior percentual registrado desde o início da série histórica, em 2012.

O percentual de pessoas que recebiam rendimento proveniente do trabalho também atingiu o maior nível da série. De acordo com a pesquisa, 52,2% dos moradores tinham rendimento habitualmente recebido de todos os trabalhos.

Já 24,7% dos residentes recebiam valores vindos de outras fontes, como aposentadoria, pensão, aluguel e programas sociais.

Entre essas fontes, aposentadorias e pensões representaram a maior parcela, alcançando 11,3% da população. Os programas sociais do governo apareceram em seguida, beneficiando 6,5% dos moradores do DF.

Os dados do IBGE também mostram diferenças significativas de rendimento entre homens e mulheres e entre grupos raciais. Em 2025, o rendimento médio mensal dos homens no Distrito Federal foi de R$ 6.981, enquanto o das mulheres ficou em R$ 5.560. A diferença foi de 25,5%.

Na comparação por cor e raça, pessoas brancas receberam rendimento médio de R$ 8.435. Entre pessoas pretas, o valor foi de R$ 3.981. Já entre pardos, a média chegou a R$ 5.073. Segundo o levantamento, o rendimento médio das pessoas brancas foi 111,9% maior que o das pessoas pretas.

A escolaridade também influenciou diretamente os ganhos. Pessoas com ensino superior completo receberam, em média, R$ 10.356. Já aquelas com ensino médio incompleto tiveram rendimento médio de R$ 1.827.

Programas sociais perderam participação

A pesquisa mostra ainda redução da participação dos programas sociais na composição do rendimento domiciliar per capita. Em 2025, os programas sociais representaram 1,2% da composição da renda domiciliar no DF, abaixo dos 1,7% registrados em 2024. Durante a pandemia, em 2020, esse percentual havia alcançado 2,1%.

O percentual de domicílios que recebiam Bolsa Família também caiu. Depois de atingir 13% em 2024, o índice recuou para 10,5% em 2025. Nos domicílios beneficiados pelo programa, o rendimento médio domiciliar per capita foi de R$ 825. Entre os que não recebiam o benefício, a média chegou a R$ 4.970.

Apesar da alta da desigualdade, o Distrito Federal registrou crescimento da massa de rendimento mensal real domiciliar per capita, que alcançou R$ 13,18 bilhões em 2025. O valor é o maior da série histórica e representa aumento de 28,2% em relação a 2024. Mesmo liderando o país em rendimento médio per capita, o DF aparece na décima posição nacional em massa total de rendimento, atrás de estados mais populosos, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

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