A fumaça escura que tomou conta da Feira dos Importados de Brasília, na manhã desta segunda-feira (11/5), deixou um cenário de destruição, incerteza e apreensão entre os comerciantes do tradicional centro comercial do SIA. O incêndio, que começou por volta das 5h30, no bloco C, mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF) e atingiu 40 lojas, sendo que 28 delas tiveram perda total. Apesar dos prejuízos, não houve vítimas.
Os militares escalados para controlar o fogo utilizaram linhas de mangueiras pressurizadas para impedir que as chamas avançassem para outros corredores do bloco C. Segundo o capitão Rony, oficial da Área 1, o fogo estava completamente extinto no fim da tarde, sem risco de reignição, embora o monitoramento tenha permanecido no local.
"Não houve vítimas. Neste momento, o incêndio está totalmente extinto, sem chance de reignição, mas continuamos monitorando para caso haja algum princípio novamente, seja proveniente da energia ou de algum ponto quente", explicou o oficial.
Espera
Enquanto os bombeiros trabalhavam no rescaldo, comerciantes aguardavam do lado de fora da feira sem saber se ainda teriam um negócio para reabrir nos próximos dias.
O feirante Luiz Eduardo Vieira, de 69 anos, chegou ao local acompanhado da esposa, Maria Anterlúcia, de 63, logo após saber do incêndio pela televisão. O casal trabalha na feira desde 1997 e passou a manhã tentando descobrir se a banca onde eles vendem utilidades domésticas e acessórios automotivos havia sido atingida.
"É o nosso ganha-pão. O que a gente tem está lá dentro. A gente nunca compra as coisas à vista, compra parcelado. Cheguei de São Paulo terça-feira passada com mercadoria no cartão; se o fogo derrubar lá, a conta não paga", lamentou Luiz Eduardo.
A angústia era compartilhada por dezenas de comerciantes impedidos de entrar no bloco C devido ao risco químico provocado pela fumaça tóxica e pela necessidade de preservação da área para a perícia.
Lucas Andrade, 26, que trabalha há cerca de oito anos com o pai em uma loja localizada no bloco atingido, descreveu o momento como o mais difícil da vida dele.
"Talvez essa seja a situação mais difícil da minha vida. Nossa loja fica no bloco C, onde teve o incêndio, e eu não sei o que aconteceu com minhas mercadorias. Não sei o que ainda funciona ou o que não está funcionando. Não deixaram eu entrar ainda, pois estão fazendo a perícia. Enquanto isso, estou aqui na ansiedade sem saber se perdi um investimento da minha vida", contou.
Riscos e prevenção
As causas do incêndio ainda não foram oficialmente identificadas. A suspeita preliminar foi informada pelo advogado da feira, Rodrigo Dutra, que atua no local há cerca de 15 anos. Segundo ele, as primeiras informações apontam que um aparelho elétrico deixado ligado pode ter sofrido um curto-circuito e iniciado as chamas. A hipótese, no entanto, ainda depende da conclusão do laudo pericial, que tem previsão de até 30 dias para divulgação do resultado.
Segundo o Capitão Rony, a rápida atuação da brigada da própria feira foi essencial para evitar uma tragédia maior. O oficial destacou que espaços comerciais desse tipo precisam manter sistemas permanentes de prevenção e combate a incêndios.
"Ali tinha hidrantes de parede, extintores posicionados e também a própria brigada estava no local e acionou rapidamente os bombeiros. São fatores de proteção fundamentais", explicou.
O militar ressaltou ainda que, além da estrutura física, o treinamento das pessoas que trabalham nesses locais faz diferença em situações de emergência.
"É importante que as pessoas tenham preparo para evacuação em caso de sinistro. Somando fatores de proteção e prevenção, conseguimos evitar que um evento como esse resulte em vítimas", afirmou.
Funcionamento
A administração da feira informou que a área atingida foi liberada após perícia realizada pela Polícia Civil do Distrito Federal e pelo CBMDF. O espaço destruído será isolado com tapumes, mas os cooperados poderão acessar as lojas após a limpeza da área.
Hoje, as demais dependências da feira voltam a funcionar normalmente, a partir das 9h. Segundo a administração, os blocos A, B e D tiveram o fornecimento de energia mantido sem interrupções. Já o bloco C ainda apresenta restrições elétricas pontuais, que seguem em avaliação técnica.
A administração também informou que todo o sistema elétrico da feira foi substituído no ano passado. A obra, concluída em dezembro de 2025, incluiu ampliação da subestação, troca dos quadros de energia e substituição do cabeamento.
De acordo com a feira, a modernização permitiu a setorização da distribuição elétrica, evitando que os danos provocados pelo incêndio afetassem o funcionamento dos demais blocos do centro comercial.
Enquanto a perícia tenta identificar oficialmente o que provocou o incêndio, comerciantes atingidos começam agora a contabilizar os prejuízos e a buscar alternativas para reconstruir os negócios destruídos pelas chamas.
